Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado em pleno coração do Chiado, o Palacete Loures apresenta-se como uma larga estrutura regular de três pisos, mansardas, cave e jardim. A frontaria divide-se em três corpos, o central realçado por pilastras de cantaria. O piso térreo é aberto por cinco portas duplas, rematadas em arco abatido e encimadas por mísulas, intervaladas por quatro janelas de peitoril em arco redondo. O andar nobre é rasgado por janelas de sacada de verga curva rematas por mísulas, as laterais protegidas por guardas de ferro fundido e as centrais, separadas por pilastras com tondiemoldurando perfis clássicos relevados, abrindo para um largo balcão com guarda contracurvada ao qual correspondem, logo acima, três janelas com decoração afestoada envolvendo cabeças femininas. A platibanda de remate da frontaria balaústres, é centrada por frontão curvo interrompido enquadrando a pedra de armas dos viscondes de Loures. A fachada esquerda exibe vãos regulares, identificando-se nela o piso da cave, parcialmente enterrado. O alçado posterior comunica com o jardim, defendido por alto muro, através de um alpendre vazado por robusta arcaria dupla e encimado por uma varanda compondo um balcão de vistas privilegiadas sobre o jardim, a cidade e o rio. Acima desta rasgam-se as janelas de sacada do piso nobre, defendidas por varandins de ferro fundido e encimadas por uma larga pala (colocada em 1914). A formulação atual do jardim romântico, cujo chafariz neoclássico data de 1844, resulta de um projeto de 1968 de Gonçalo Ribeiro Telles.
O interior está, à exceção do segundo piso, ocupado pelo Grémio Literário, a cujas requintadas instalações se acede por amplo átrio de ligação com a escadaria nobre e restantes dependências, incluindo a curiosa barbearia. Algumas salas do primeiro piso foram decoradas em finais do século XIX e início do XX, destacando-se a sala Luís XV, em estilo neo-barroco, com pinturas atribuídas a José de Queiroz, e a sala de fumo ou boiserie, revestida com painéis de madeira. Na biblioteca conservam-se cerca de 13.000 volumes, essencialmente centrados no núcleo inicial do século XIX. As diversas salas albergam um vasto acervo artístico constituído por mobiliário de época, pintura, gravura, escultura e cerâmica. O piso das caves integra as antigas salas de jogos, bilhar e esgrima do Grémio, incluindo vestiários.
História
A primeira construção no local foi uma casa nobre de finais do século XVIII, situada em artérias rasgadas no último quartel da centúria, onde antes de 1755 ficava a cerca do Convento de São Francisco. Adquirida pelo visconde e barão das Picoas antes de 1837, teve as primeiras obras de relevo realizadas nos anos imediatos pelo seu sobrinho, que vendeu o imóvel em 1863 ao 2.º Visconde de Loures, Ângelo Francisco Carneiro. Embora tendo vivido poucos anos no palacete, Ângelo Carneiro fez nele grandes obras, que já se quiseram atribuir a Cinatti. A viúva, em cuja família ainda se encontra a propriedade, arrendou em 1875 ao Grémio Literário o rés-do-chão, o piso nobre, as caves, o jardim e o sótão, ficando o segundo piso, com entrada independente, para outro inquilino.
O Palacete Loures situa-se no perímetro da área classificada como "Lisboa Pombalina", símbolo maior da resposta urbanística ao Terramoto de 1755. Apesar dos traçados das ruas e quarteirões seguirem o plano pombalino, os projetos particulares acabaram por introduzir a tipologia do palacete, retomando elementos barrocos como testemunhos da resistência "tradicional" da nova elite social lisboeta aos valores iluministas. É neste contexto que se avalia a relevância histórica, arquitetónica e social do Palacete Loures, nomeadamente no que respeita à sua relação com o desenvolvimento desta zona da cidade, à relativa raridade dos exemplares de arquitetura palaciana erguidos em Lisboa na época, e ainda ao enquadramento da sua função de sede do Grémio Literário na marcante vida cultural do Chiado.
Sílvia Leite
DGPC
2016
Diploma de Classificação
Portaria n.º 206/2018, DR, 2.ª série, n.º 59, de 23-03-2018 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 6-02-2018 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 172/2017, DR, 2.ª série, n.º 195, de 10-10-2017 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 3-05-2017 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 2-03-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação do Palacete Loures (onde se encontra sedeado o Grémio Literário), incluindo o jardim, como MIP
Anúncio n.º 15/2016, DR, 2.ª série, n.º 12, de 19-01-2016 (ver Anúncio)
Despacho de 17-12-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento da classificação
Proposta de 15-12-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura do procedimento de classificação do Palacete Loures (onde se encontra sedeado o Grémio Literário), incluindo o jardim e o património integrado
Em 20-08-2015 foi solicitado à CM de Lisboa o envio do requerimento inicial previsto na legislação em vigor
Proposta de 15-07-2015 da Vereadora da Cultura da CM de Lisboa para a classificação individual do imóvel
Em 6-05-2015 foi dado conhecimento do despacho à CM de Lisboa
Em 23-06-2006 foi dado conhecimento do despacho ao Grémio Literário
Despacho de encerramento de 1-06-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de encerramento de 29-05-2006 da DR de Lisboa, por se verificar que o imóvel está incluído no conjunto denominado "Lisboa Pombalina", em vias de classificação
Proposta de classificação de 8-03-2006 do Grémio Literário
Número do Processo
Não disponível