Nota Histórico-Artistica
O conjunto que actualmente é composto pelos edifícios Hotel de Moura, Igreja de Santo Agostinho e Grémio da Lavoura, integravam originalmente o Convento de São João de Deus de Moura.
Fundado em 1635, este cenóbio foi o terceiro da Ordem Hospitaleira de São João de Deus a ser erigido em Portugal. Os religiosos ocuparam as casas de Roeiro, situadas junto ao templo de Nossa Senhora da Glória, que segundo a tradição local, pertenceram a Nuno Álvares Pereira.
O convento, bem como o hospital real adjacente, administrado pela comunidade religiosa, que aí prestava auxílio aos soldados, funcionaram em pleno até à extinção das ordens religiosas.
Depois desta data, apenas o templo do cenóbio manteve a sua função original, uma vez que o restante espaço foi vendido em hasta pública. Dedicada a Santo Agostinho, a igreja é uma reedificação do segundo quartel do século XVIII, sendo composta por nave única coberta por abóbada de berço, decorada com talha barroca.
Em 1855, o edifício do convento foi adquirido pelo Morgado de Lacerda, influente agricultor local, que durante os 15 anos seguintes, patrocinou grandes obras de transformação do espaço. Assim, no ano de 1870, o antigo Convento de São João de Deus passou a ser uma residência senhorial, com casa apalaçada, horta, adega e jardim.
Em 1900, parte da residência foi adaptada a hotel, tendo então o objectivo de apoiar as termas da região. Esta obra deveu-se à Empresa das Águas Castello, que como contrapartida por usufruir da exploração das águas de Moura, era obrigada a manter aberto um hotel na vila, durante todo o ano.
Terá sido nesta mesma época que no espaço do primitivo hospital dos religiosos de São João de Deus se instalou o Grémio da Lavoura, actualmente ocupado por quatro diferentes instituições, nomeadamente o Centro de Estudos e Promoção dos Azeites do Alentejo, a Associação dos Técnicos Olivícolas Mourenses, a Associação dos Jovens Agricultores de Portugal e Associação de Defesa Sanitária.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR/ 22 de Agosto de 2007
Diploma de Classificação
Portaria n.º 297/2014, DR, 2.ª série, n.º 87, de 7-05-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 10-08-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 6-02-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 11-12-2007 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 17-02-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de 21-12-2005 da DR de Évora para a classificação como conjunto
Propostas de classificação (individuais) de 3-03-2005 da CM de Moura
Número do Processo
Não disponível