Nota Histórico-Artistica
No ano lectivo de 1906/1907, o Liceu de Pedro Nunes encontrava-se instalado na Rua do Sacramento à Lapa, em edifício arrendado, conforme prática usual à época. A decisão de se construir um edifício próprio, adaptado à organização escolar e à prática pedagógica do Liceu, concretizou-se em Dezembro de 1907, por Decreto que autoriza o Governo da Monarquia a contrair um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos para aquisição do terreno da Antiga Quinta da Estrela.
Em 1909, e sob projecto do arquitecto Ventura Terra, deu-se início à construção do Liceu: levantado sensivelmente a meio da propriedade e afastado das frentes constituídas pelos prédios da R. Saraiva de Carvalho (Norte) e Rua de São Bernardo (Sul), a construção determinou a urbanização da zona, cujo traçado actual se concluiu nos anos 30 com a abertura da Av. Álvares Cabral. A construção terminou em 1911, iniciando-se então a ocupação das instalações por parte dos alunos. Nas décadas seguintes, o terreno original foi diminuído, graças à construção da Escola Industrial Machado de Castro e à abertura da Rua de São Jorge. Entre 1957 e 1961, o Liceu passa por nova campanha de obras realizadas pelos Serviços de Construção e Conservação, com a construção de um corpo posterior constituído pelo pavilhão gimnodesportivo e pelo refeitório, cozinha e anexos.
A frontaria do Liceu é composta por um corpo central à face da avenida, sendo este seguido, no seu alinhamento, por muro gradeado delimitador das superfícies descobertas criadas pelo recuo dos dois corpos posteriores. Este muro acompanha a Sul/Sudoeste o contorno da rotunda e, depois, a Rua de São Jorge, paralelo ao Jardim da Estrela até ao Cemitério dos Ingleses. Nos topos localizam-se dois portões de acesso, a flanquear a entrada directa à zona de recreio interior, enquanto que para o átrio, situado no corpo principal, o acesso se faz a partir da rua por vãos abertos na fachada.
O edifício propriamente dito é composto por três corpos de planta rectangular e implantação longitudinal, sendo o central avançado e os outros dois recuados. Têm 4 e 3 pisos, respectivamente, e encontram-se ligados nos topos por dois "braços", mais baixos e estreitos, que partem dos alçados do corpo principal e pegam à fachadas dos corpos recuados. As coberturas são em telhado. Semelhante disposição cria dois espaços ajardinados na frontaria, a ladear o corpo central, e um pátio interior descoberto de planta em "U", envolvido pela fachada posterior do edifício principal e pelos alçados dos corpos de ligação, enquanto as fachadas posteriores dos corpos recuados se distendem para nascente e poente, abertas aos campos de jogos. Esta solução, que isola do exterior os espaços destinados às actividades desportivas da escola ou ao convívio dos alunos, beneficia ainda as salas de aula de um ambiente recolhido e bem iluminado, pois na sua maioria localizam-se nos corpos posteriores e voltados a Sudeste.
A composição das fachadas, baseada na constância dos seus elementos - simétricos e regulares - e na contenção de aplicações decorativas, resulta naturalmente da organização e distribuição dos espaços escolares. A diferenciação mais relevante encontra-se na concepção da fachada do corpo central, distinta dos demais. É dominada pelos três amplos janelões centrais, correspondentes ao primitivo ginásio: rasgam-se nos dois últimos pisos e são sobrepujados por um frontão de desenho rectilíneo ligeiramente elevado acima da platibanda, ornamentada com motivos geométricos, que coroa o edifício sobre um friso saliente e decorado a percorrer as empenas rectas. Do conjunto sai secundarizada a entrada, sem relevância especial, salientando-se, nesta ampla superfície rebocada, o primeiro piso, que alberga as salas dos professores, a biblioteca e a reitoria.
adapt. Paulo Martins, IPPAR / DRL
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-O/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13020/2011, DR, 2.ª série, n.º 180. de 19-09-2011 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 6-06-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 18-05-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP
Proposta de 4-04-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como CIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Edital N.º 17/2007 de 12-02-2007 da CM de Lisboa
Despacho de abertura de 12-12-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de 6-12-2006 da DR de Lisboa para a abertura da instrução do processo de classificação
Requerimento de classificação de 28-06-2006 de particulares
Número do Processo
Não disponível