Nota Histórico-Artistica
Nascido em Guimarães, foi em Matosinhos que Abel Salazar (1889-1946) viveu grande parte da sua vida, ao longo de 30 anos.
Doutorado, em 1915, pela Faculdade de Medicina do Porto, onde viria a exercer funções de docente quatro anos depois, Abel Salazar distinguiu-se em múltiplas áreas da investigação e do pensamento, de uma forma geral, embora com evidente destaque para os estudos embriológicos e para a criação de novas técnicas histológicas, que o tornaram mundialmente famoso.
As suas posições políticas e sociais ditaram, no entanto, o seu afastamento da Universidade, logo em 1935. Não obstante, continuou a publicar com grande frequência nas áreas de sua eleição, desde a Pedagodia, passando pelas Artes Plásticas, redigindo diversos ensaios críticos, nomeadamente de Arte, ao mesmo tempo que o preocupavam questões filosóficas tão relevantes para o pensamento contemporâneo, como a Filosofia das ciências e das religiões. Na verdade, Abel Salazar revelou-se um artista polifacetado traduzido nos diferentes desenhos (com destaque para as caricaturas), pinturas e gravuras que produziu ao longo da vida.
Personalidade marcante e incontornável das Ciências, Artes e Letras do século XX português, numa rara conjugação de interesses, talentos, competências e produções intelectuais, não surpreende que, após a sua morte, um vasto grupo de seus amigos, coordenados pelo insigne matemático Professor Ruy Luís Gomes (1905-1984), concebesse e concretizasse a perpetuação do seu nome através da preservação, estudo e divulgação da(s) sua(s) obra(s), criando a 'Fundação Abel Salazar' abrindo, ao público, em 1950, a casa onde residira em Matosinhos, por ocasião de uma exposição da sua obra artística.
Um projecto que se deparou, porém, com algumas dificuldades, especialmente atendendo ao período político que se vivia, em nada favorável a iniciativas congéneres, sobretudo quando respeitavam a uma figura como a de Abel Salazar, afastado dos cargos públicos que exercera na I República, justamente por imposição do novo regime (vide supra).
A solução passou, então, pela conversão, em 1963, da 'Fundação' em 'Cooperativa', presidida pelo Professor Alberto Saavedra, como forma de legalizá-la em definitivo, até que, dois anos volvidos apenas, com a morte da viúva de Abel Salazar, a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) adquiriu a casa e respectivo recheio, assim como as obras artísticas então na posse de sua irmã, estas últimas obtidas somente em 1971.
Perante o novo cenário, a FCG mandou, finalmente, restaurar e adaptar a 'Casa' a 'Museu', fazendo erguer um pavilhão destinado a área expositiva, assim convertido num conjunto doado, em 1975, à Universidade do Porto, inaugurado com a exposição temática intitulada A mulher no trabalho, um tema recorrente na obra de Abel Salazar.
Distribuída ao longo de três registos e inscrita num estilo arquitectónico semelhante a outras tantas residências de veraneio desta região, a 'Casa-Museu', rodeada por jardim delimitado por muro e portão, encerra inúmeros equipamentos essenciais a um organismo que se pretende, ao mesmo tempo que museológico, científico.
E se é no piso térreo que encontramos a parte central da obra artística da Abel Salazar, de igual modo presente na antiga capela setecentista, embora, aqui, com predomínio da escultura, o primeiro andar brinda-nos com três salas que revivem a atmosfera do seu quotidiano, como se tivesse nelas cristalizado, desde a sala de estar até à sala de jantar, passando pelo atelier. O mesmo ambiente, ademais, que se recorda quando se chega ao último piso constituído por vestíbulo, duas salas e quarto de dormir, todos repletos de memórias dos seus dias e das suas produções intelectuais.
Encerrada para obras de beneficiação, a 'Casa-Museu' foi reaberta ao público em meados de 2005, após assinatura, nesse sentido, de um protocolo entre a Câmara Municipal de Matosinhos e a Universidade do Porto.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Proposta de 31-08-2022 da DRC do Norte para a classificação como MIP
Anúncio n.º 83/2013, DR, 2.ª série, n.º 44, de 4-03-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 14-06-2012 do diretor-geral da DGPC
Proposta de abertura de 31-05-2012 da DRC do Norte
Por despacho de 13-09-2011 do diretor do IGESPAR, I.P., o procedimento foi considerado incorrectamente prorrogado, por ter caducado nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, I Série, n.º 16, de 23-08-2006 (ver Diploma), visto não ter sido concluído no prazo fixado no referido artigo (1 ano)
Procedimento (indevidamente) prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Proposta de classificação de 27-11-2007 da Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar
Em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, de 24-08-2006