Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O antigo Hospital e Albergaria do Espírito Santo, com implantação ribeirinha no centro da vila de Alenquer, tem planta em L, composta pelo longo corpo da albergaria medieval, de dois pisos rasgados por singelos vãos retangulares, e pela igreja setecentista adossada a Norte, articulando-se com o volume transversal de um edifício quinhentista. Este último é aquele que apresenta maior valor estético, com a sua arcaria de volta perfeita no piso térreo e as colunas do piso superior, que suportariam a cobertura de uma loggia dupla. A igreja foi totalmente reedificada em 1730, e todo o conjunto sofreu muitos danos durante as ocupações francesas, tendo-se perdido o retábulo do Pentecostes do altar-mor. A Santa Casa da Misericórdia de Alenquer reformou os edifícios, transformando parte da antiga albergaria, em funcionamento pelo menos até 1750, em casas de habitação arrendadas a particulares.
A partir de 1886, o edifício das arcadas foi utilizado para a realização de espetáculos, e a igreja só viria a reabrir ao culto em c. 1965. Teve obras de reabilitação em 2007. Nela ainda se pode admirar a talha dourada do altar-mor, o teto de madeira pintada, e os azulejos azuis e brancos setecentistas com representação do Espírito Santo que forram a face interna da parede do arco triunfal.
História
Alenquer figura nos testamentos de D. Sancho I, a favor de sua mulher, D. Dulce de Aragão, e posteriormente da infanta D. Sancha, que lhe atribuiu o primeiro foral em 1212. A partir de então, a vila seria sucessivamente doada às rainhas de Portugal. É ainda a D. Sancha que se atribui a criação de um albergue para peregrinos e doentes pobres, então no edifício dos Paços Reais, que é mencionado numa carta de D. Beatriz, também donatária destas terras, pela qual a rainha recomendava a seu filho D. Dinis que tomasse em sua guarda e defesa a albergaria do Espírito Santo de Alenquer, cuja existência prévia, e denominação, fica assim documentada. Sendo verdade que tal referência contraria a noção popular de que a albergaria foi fundada por Isabel de Aragão, não desmente o facto de que foi esta quem lhe concedeu em 1321 o Principio e fundamento da Casa do Spritto Santo, compromisso original da irmandade, uma das primeiras Confrarias do Espírito Santo em Portugal, e uma das mais importantes confrarias das terras das Rainhas.
Foi D. Isabel quem mandou construir a Igreja do Espírito Santo, anexa à albergaria, tendo mostrado durante toda a sua vida particular devoção por esta casa espiritana, à qual esteve ligado um dos milagres que lhe são tradicionalmente atribuídos. Conta a lenda que D. Isabel, em exílio imposto pelo rei D. Dinis nesta vila, e despojada de rendimentos por se ter incompatibilizado com o marido, custeou as obras com rosas que, uma vez entregues aos pedreiros, se transformavam em dobrões de ouro. Foi também durante a sua estadia na vila que a rainha fundou as Festas do Espírito Santo, destinadas não apenas ao culto, mas também a prestar assistência aos pobres.
Depois de D. Isabel, os reis e as rainhas donatárias continuaram a sustentar a confraria e o conjunto edificado como santuário ligado à memória da Rainha Santa, tendo-lhe D. Manuel concedido novo compromisso. Um dos mais célebres confrades foi Damião de Góis, que ouvia missa na igreja e assistia regularmente às festas do Império, festividades com fama em todo o Reino, atraindo a Alenquer romeiros de norte a sul. A abundância de templos e albergarias do Espírito Santo no concelho de Alenquer está relacionada com este culto. Esta confraria de Alenquer, bem como outras do concelho, conservou as tradições festivas originais pelo menos até ao século XVIII, por ter conseguido manter alguma independência em relação ao movimento geral (pós-Tridentino) de anexação destas instituições às Misericórdias locais.
Sílvia Leite
DGPC
2015
Diploma de Classificação
Portaria n.º 662/2018, DR, 2.ª série, n.º 237, de 10-12-2018 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 18-10-2018 da diretora-geral da DGPC
Declaração de Retificação n.º 596/2018, DR, 2.ª série, n.º 161, de 22-08-2018 (retificou a designação constante do anúncio anterior) (ver Declaração)
Anúncio n.º 141/2018, DR, 2.ª série, n.º 153, de 9-08-2018 (ver Anúncio)
Despacho de 25-09-2017 da diretora-geral da DGPC a determinar que se proceda à audiência dos interessados
Parecer favorável de 20-09-2017 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 29-12-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 141/2015, DR, 2.ª série, n.º 106, de 2-06-2015 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 31-03-2015 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 27-03-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para abertura do procedimento de classificação da Capela e arcada do antigo Hospital e Albergaria do Espírito Santo, incluindo o seu património integrado
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de abertura de 14-03-2008 da subdirectora do IGESPAR, I.P.
Proposta de abertura de 26-02-2008 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo
Parecer favorável de 15-05-2007 da CM de Alenquer
Solicitado parecer à CM de Alenquer em 9-08-2004
Proposta de 28-07-2004 de particular para a classificação da Capela e Antiga Albergaria do Espírito Santo
Número do Processo
Não disponível