Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O conjunto edificado que integra a cocheira, cavalariça e respetivos aposentos de apoio, encontra-se hoje inserido na malha urbana do centro da vila de Cascais, próximo da estação de comboios, área integrada na antiga propriedade dos Duques de Palmela, responsáveis também pela construção de outros notáveis edifícios na vila. Nesta zona ainda é possível observar um conjunto muito representativo de diferentes tipologias arquitetónicas que integram a denominada arquitetura de veraneio de finais do século XIX, princípios do século XX do concelho de Cascais.
A propriedade da família Palmela nesta época não se limitava à área sobranceira ao mar que ainda hoje ocupa, mas prolongava-se pela encosta mais a norte, aproveitando ainda o vale da ribeira da Castelhana, integrando nela um extenso parque - atual Parque de Palmela - hoje muito reduzido em relação ao desenho original e que chegou a incluir diversas veredas e vários tanques e lagos. Se hoje olharmos para o Palácio Palmela projetado pelo arquiteto inglês Thomas Henry Wyatt em 1871-72, classificado como Monumento de Interesse Público, observamos como o edifício se encontra praticamente isolado, faltando-lhe a envolvente paisagística que outrora possuiu. O resultado desta alteração relaciona-se, sobretudo, com a construção da linha de caminho-de-ferro a partir de 1889, com a abertura da Estrada Marginal nos anos 40 e com a construção do famoso Hotel Estoril-Sol nos anos 60.
O conjunto que inclui a cavalariça e cocheira foi desenhado pelo arquiteto italiano Cesar Ianz em 1895, alguns anos depois da conclusão do Palacete, ocupando um terreno que era também propriedade da família Palmela. Relativamente aos desenhos originais que se encontram depositados no Arquivo Municipal, verifica-se que foram várias as modificações introduzidas no projeto inicial, resultantes dos diferentes usos que teve, nomeadamente como local de habitação, tribunal do trabalho e diferentes serviços camarários, sendo as mais significativas a transformação das primitivas entradas, a alteração dos vãos do edifício principal e a adulteração da empena original da cocheira, conferindo assim ao conjunto uma certa desarmonia. Apesar disso é ainda possível observar muito do que era a sua traça original.
A construção compõe-se de dois corpos justapostos, sem ligação interior, de planta e volumetria distinta, definindo um pequeno pátio central que organiza os acessos aos restantes edifícios.
O edifício principal com dois pisos, cuja a entrada atualmente é lateral, dava acesso à antiga cavalariça ao nível do piso térreo, enquanto o piso superior estava ocupado pelo palheiro e pelos quartos dos empregados. O edifício da cocheira por sua vez, localizava-se a sudeste, ocupando apenas o piso térreo. Ao nível das coberturas observa-se a utilização de beirados e cumeeiras pontuadas por pináculos cerâmicos. Relativamente às fachadas é visível nos vãos que não foram alterados - edifício da cocheira - a utilização do arco abatido em tijolo e pedra de cantaria. Na zona do pátio subsiste também um relógio de sol com funções apenas decorativas.
Mais tarde, todo este conjunto foi ampliado a noroeste concebendo-se um edifício que, de algum modo, procurou seguir a traça dos imóveis pré-existentes.
História
A partir de 1871, quando a família real escolhe Cascais para passar o final do verão, assiste-se, por iniciativa de diversas famílias aristocráticas ou endinheiradas, à construção de um importante conjunto de edifícios, a maior parte das vezes rodeados por espaços verdes entretanto desaparecidos ou adulterados. Foi o caso do projeto do Palácio de Palmela, iniciativa da Duquesa Maria de Sousa e Holstein com o seu extenso parque, ao qual se foi juntar mais tarde o edifício das cocheiras e cavalariças, projeto este que, com as alterações urbanísticas que foram ocorrendo, será a pouco e pouco descaracterizado
Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração de Mário Lisboa/CMCascais.
Diploma de Classificação
Em 4-05-2017 foi solicitada informação à CM de Cascais sobre se o imóvel ainda estava em vias de classificação
Edital N.º 488/11 de 7-12-2011 da CM de Cascais
Deliberação de 3-10-2011 da CM de Cascais a determinar a abertura do procedimento de classificação como MIM
Em 19-05-2011 foi dado conhecimento do despacho de arquivamento à CM de Cascais
Despacho de arquivamento de 11-02-2010 do director do IGESPAR, I.P.
Proposta de arquivamento de 14-01-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo, por não ter valor nacional
Proposta de classificação de 13-07-2009 da CM de Cascais
Número do Processo
Não disponível