Nota Histórico-Artistica
Este conjunto é constituído pela Igreja de São Francisco (classificada individualmente como IIP pelo Decreto n.º 47 508, DG n.º 20, de 24-01-1967) e parte do convento, pelos antigos edifícios conventuais onde veio posteriormente a funcionar a Fábrica Robinson, e por todas as estruturas fabris, incluindo maquinaria pesada e altos-fornos. Trata-se de um conjunto patrimonial com evidente coerência e unidade, excedendo o valor memorial e artístico da igreja e convento e estendendo-se ao uso fabril das instalações, que passam a constituir um testemunho económico, social e urbanístico da maior importância para a cidade de Portalegre.
O Convento de São Francisco foi fundado no último quartel do século XIII, junto da Porta do Alegrete. A edificação original sofreu profundas campanhas de obras posteriores. Das obras góticas restam apenas os dois absidíolos da cabeceira, algumas abóbadas de cruzaria de ogivas assentes em capitéis de decoração vegetalista, e as elegantes janelas da nave. No século XVI, o corpo da igreja e o cruzeiro foram reformulados, e o absidíolo Sul foi adaptado como capela de Gaspar Fragoso, albergando um monumental túmulo e retábulo manuelino.
As mais importantes obras datam, porém, de meados de Seiscentos, testemunhando o impacto que o Barroco tardio teve neste espaço. Os trabalhos incidiram sobre a quase totalidade do conjunto, desde o portal principal à capela-mor, onde o novo retábulo, revela a influência do panteão da família dos Bragança em Vila Viçosa, e passando pelo claustro.
A extinção das Ordens Religiosas determinou a rápida degradação do convento, parcialmente adaptado como quartel. A igreja passou também para a posse dos militares em 1910, altura em que deixou de estar aberta ao culto e foi abandonada.
Entretanto, parte da cerca conventual adquiria outros usos. Uma oficina de cortiça aí instalada pelo inglês Thomas Reynolds foi alugada em 1848, e mais tarde vendida em hasta pública, ao comerciante Georges Williams Robinson, seu compatriota. Esta foi a base de uma instalação industrial gerida por sucessivas administrações familiares, denominada Fábrica de Cortiça Robinson, finalmente transferida para mãos portuguesas em 1941. Numa primeira fase, foram reutilizadas as áreas correspondentes à antiga livraria conventual e ao refeitório, sobre o qual se ergueram os dois primeiros edifícios fabris. O edifício destinado ao fabrico de rolhas foi já construído de raiz.
À importância patrimonial das estruturas do complexo fabril, tanto as originárias do antigo convento como as levantadas de raiz, soma-se o valor do equipamento industrial, actualmente in situ, e que inclui uma linha de doze autoclaves para cozimento dos aglomerados negros de cortiça, associada aos respectivos sistemas de energia e de vapor instalados ainda na primeira metade do século XX. Entre as estruturas mais recentes, nem todas de uso exclusivamente fabril, devem ser mencionadas as habitações de trabalhadores e proprietários, para além de uma creche erguida junto à fábrica.
O conjunto da Igreja e Convento de São Francisco e da Fábrica de Cortiça Robinson constitui assim um testemunho fundamental para contextualizar os fenómenos religiosos, culturais, económicos, sociais e urbanísticos que caracterizaram o quotidiano de Portalegre pelo menos até à segunda metade do século XX, recordando que a fábrica chegou a dar emprego na cidade a milhares de trabalhadores.
De destacar, ainda, a adaptação a jardim-de-infância (até 2017) de algumas áreas conventuais em redor do claustro.
Apesar de alguma degradação o uso permanente destes espaços permitiu que, no essencial, se tenha mantido a importante estrutura conventual tantas vezes ignorada, sendo visíveis vários elementos originais como as arcarias do claustro, espaços abobadados, escadarias e vãos do período conventual, juntamente com interessantes pormenores decorativos como azulejos, trabalhos em massa e pintura mural.
S. Leite/2011/M. Ramalho/2020
Diploma de Classificação
(A designação será alterada com a publicação do diploma de alteração da classificação no DR)
Despacho de 17-07-2023 da subdiretora-geral da DGPC para se promover a consulta pública
Despacho de concordância de 15-12-2021 do diretor-geral da DGPC
Proposta de alteração de 22-09-2021 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura, com a designação de "Conjunto constituído pela Igreja e antigo Convento de São Francisco e Fábrica Robinson, incluindo o seu património móvel integrado"
Anúncio n.º 158/2020, DR, 2.ª série, n.º 132, de 9-07-2020 (ver Anúncio)
Despacho de 26-06-2020 do subdiretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de alteração da classificação de forma a abranger todas as estruturas fabris incluindo o património móvel integrado
Proposta de 14-05-2019 da DRC do Alentejo para a abertura de novo procedimento de classificação
Parecer de 30-08-2017 do Gabinete Jurídico da DGPC a considerar que, face às profundas alterações do objeto, seja aberto um novo procedimento de classificação
Informação favorável de 2-05-2017 da DRC do Alentejo
Requerimento de 24-06-2019 de particulares para a classificação do património móvel integrado
Portaria n.º 740-DX/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ampliou a classificação, redenominou a classificação, alterou a categoria para CIP e fixou as restrições) (ver Portaria)
Anúncio n.º 13581/2012, DR, 2.ª série, n.º 201, de 17-10-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 9-05-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 22-02-2012 da DRC do Alentejo
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Despacho de 10-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a devolver o processo à DRC do Alentejo
Parecer de 10-10-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a devolução do processo para aplicação do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Nova proposta de 19-08-2011 da DRC do Alentejo para a classificação como CIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Por despacho de 20-10-2010 do director do IGESPAR, I.P. o processo foi devolvido à DRC do Alentejo para aplicação do Capítulo IV do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009
Despacho de 16-02-2009 do director do IGESPAR, I.P. a determinar a abertura do processo de ampliação (encerrou o processo autónomo da Fábrica Robinson)
Proposta de 23-05-2005 da DR de Évora para ampliação da classificação da Igreja de São Francisco de forma a abranger o Convento e a Fábrica Robinson
Despacho de 3-07-2001 do vice-presidente do IPPAR a determinar a abertura do processo de classificação da Fábrica Robinson
Proposta de 3-07-2001 do Departamento de Estudos do IPPAR para a classificação da Fábrica Robinson
Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (classificou a Igreja de São Francisco) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível