Nota Histórico-Artistica
Conjunto
A Povoação do Colmeal implanta-se no sopé de uma encosta xistosa da Serra da Marofa, demarcada por um vale ligado à ribeira do Colmeal.
O povoado, formado sobretudo por habitações familiares, é marcado pela utilização de aparelho de xisto na estrutura do conjunto edificado. As habitações apresentam, na sua maioria, planta retangular dividida em dois andares, com o piso térreo ocupado pela chamada loja, destinada à cozinha e à guarda dos animais, através da qual se acede à área residencial situada no andar superior. A única exceção a esta orgânica é a designada Casa de Pedro Álvares Cabral, que exibe na fachada uma escadaria exterior, com mais de uma porta no piso térreo e janelas no primeiro andar, ainda que os vãos sejam formados apenas com lintéis retos sem moldura.
O conjunto habitacional é estruturado em quarteirões irregulares, interligados por caminhos térreos formados por afloramentos de xisto, que culminam na igreja erguida no topo da povoação. O traçado arquitetónico caracteriza-se, assim, por uma aparente ausência de hierarquização das vias.
História
A povoação do Colmeal foi doada por D. Fernando II de Leão aos freires da Ordem de S. Julião do Pereiro em finais do século XII. A doação integrou-se na política de reorganização e povoamento desta zona da Beira Alta à época da plena Reconquista, tendo sido então que surgiu, pela primeira vez, a designação de Colmeal, conferida pelos novos senhores. O couto seria transferido em 1297, tal como os restantes bens dos freires de São Julião do Pereiro, para a Ordem de Alcântara, vila da Extremadura para onde a sede foi deslocada e cujo topónimo acabaria por ser adotado como o seu nome oficial.
Apesar do progressivo abandono dos habitantes depois desta permutação, fundou-se na povoação uma igreja, dedicada a São Miguel Arcanjo, cuja primeira referência documental data de Quatrocentos. Nos finais do século XV residiu neste local o navegador Pedro Álvares Cabral, na casa que ostenta as armas dos Cabrais e que pertencia ao alcaide de Figueira de Castelo Rodrigo, seu avô.
Escassas décadas depois, no final do primeiro quartel de Quinhentos, a povoação do Colmeal integrava o termo de Pinhel e possuía apenas quinze moradores, o que é plenamente demonstrativo da decadência do local.
Em meados do século XVII o povoado sofreria duras perdas com as Guerras da Restauração, durante as quais ficou parcialmente destruída.
Apesar das dificuldades, inerentes ao seu isolamento, a aldeia manteve o núcleo habitacional ao longo das três centúrias seguintes até que, na segunda metade da década de 50 do século XX, a herdeira das terras onde se integra o Colmeal ter despejado os habitantes locais das suas habitações, provocando a desertificação da aldeia, que assim ficou votada ao abandono, numa situação que se manteve até ao ano de 2015.
Atualmente, a aldeia encontra-se parcialmente reconstruída, integrando três habitantes, e alberga um hotel rural.
Catarina Oliveira
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
Despacho de homologação de 25-10-1968 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 25-10-1968 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação da povoação do Colmeal como VC
Número do Processo
Não disponível