Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Implementada numa das encostas situadas na margem do Rio Rabagão, fronteira à Central Hidroeléctrica de Vila Nova, em Ferral, a Pousada de Vila Nova foi edificada entre 1948 e 1950 pela Hidroeléctrica do Cávado (HICA). O projeto foi assinado por Januário Godinho, arquiteto responsável pelas quatro centrais hidroelétricas edificadas pela HICA nos rios Cávado e Rabadão - Caniçada, Salamonde, Vila Nova e Alto Rabagão - bem como pelos seus respetivos aglomerados habitacionais para operários e espaços de hospedagem temporária para quadros superiores.
A Pousada de Vila Nova foi construída no bairro de apoio à central hidroelétrica com o mesmo nome, a meio da encosta por onde aquele se distribui. O edifício ergue-se numa longa planta retangular curvilínea, adaptando-se de forma elegante à morfologia do terreno e em perfeita simbiose com a paisagem que o envolve. O espaço, dividido em dois pisos, compõe-se em três grandes corpos: um bloco central retangular ao centro, do qual partem duas alas laterais, dispostas longitudinalmente, onde foram abertas duas entradas distintas, a cada lado.
Os volumes do edifício são marcados, na fachada principal, pela utilização intercalada da alvenaria, do revestimento em aparelho de granito e do vidro, apresentando reentrâncias, pátios e áreas de jardim junto às grandes janelas das salas do piso térreo. No andar superior, mais recuado, duas extensas varandas acompanham os quartos em cada uma das bandas laterais.
História
Promulgada em Dezembro de 1944, a Lei da Electrificação do País constitui-se como "uma peça prioritária e fundamental para a modernização económica de Portugal, viabilizando o fomento do sector industrial da electricidade" (Folgado: 2012, p. 96). A lei, que consagrava o conceito de Rede Eléctrica Nacional enunciado na Lei dos Aproveitamentos Hidráulicos de 1926 e, consequentemente, a corrente ideológica que defendia a obtenção de eletricidade a partir dos recursos hídricos nacionais, determinou a criação de empresas estatais responsáveis por encetar um programa de construção de barragens que se iniciou pelos rios Zêzere, Cávado e Douro (Ibidem, pp. 96-97). O surto construtivo das instalações hidroeléctricas daí resultante, que implicava também a edificação de equipamentos de apoio, como bairros para os operários das barragens, ou pousadas para acomodação temporária de quadros superiores, deu origem a "alguns exemplares da arquitectura industrial portuguesa dignos de destaque" (Costa: 2011, p. 51).
Neste âmbito, a empresa Hidroeléctrica do Cávado (HICA) iniciou em 1945 o projeto de aproveitamento elétrico dos rios Cávado e Rabagão, contratando Januário Godinho como responsável pelo empreendimento. O arquiteto e a sua equipa projetaram, entre 1947 e 1951, o complexo da HICA, que inclui as centrais hidroelétricas de Caniçada, Salamonde, Vila Nova e Alto Rabagão, desenhando também as instalações de caráter social adjacentes a cada uma destas barragens.
Este conjunto de trabalhos que desenvolveu para a HICA, onde "ensaia uma arquitectura profundamente concreta, sólida de continuidades e soluções", constitui a "apoteose de toda a sua obra" (Sales: 2014, p. 42). Um dos edifícios então projetados por Godinho é a Pousada de Vila Nova, em Ferral, edificada entre 1948 e 1950, no limite do bairro social da central de Vila Nova.
Neste projeto, o arquiteto voltou a explorar a planimetria curva, já experimentado em obras anteriores, como a Lota de Massarelos e a Casa Afonso Barbosa, desenhando um edifício perfeitamente integrado com a topografia e a imponente paisagem que o rodeia.
A Pousada de Vila Nova está em vias de classificação desde 2012.
Catarina Oliveira
DGPC, 2016