Nota Histórico-Artistica
O interesse histórico do Palácio Rodrigues de Matos, testemunho relativamente raro e particularmente bem conservado do que era um palácio urbano lisboeta, incluindo todo o conjunto da sua decoração (azulejaria, estuques), sedimentado na antiguidade da formação do lote, início do século XVII, por agregação de casas autónomas já existentes no séc. XVI.
Segundo documentos de 1785 sabe-se que a casa já apresentava o especto hoje conhecido, tendo sofrido obras de beneficiação profundas por essa altura, "algumas paredes arruinadas e da mesma sorte vários tectos de estuque e seus madeiramentos". Daqui decorre que os programas decorativos em estuque, serão presumivelmente anteriores a esta data. Período em que o edifício esteve sob posse de António José da Fonseca Lemos (que aí residiu entre 1742-1778) e de Francisco Braamcamp (que aí residiu entre 1783-1799).
O interesse artístico, arquitetónico e de qualidade urbana do imóvel. Os programas decorativos concorrem para o enriquecimento do edificado, e têm no já referido revestimento azulejar do século XVIII, tetos em estuque e restantes pinturas decorativas um elemento de superior interesse patrimonial, tanto no que respeita à qualidade de execução e ao interesse do mesmo enquanto catálogo de estilos, como no que respeita à sua relevância no âmbito da obra do estucador João Grossi (Giovanni Grossi) (1718-1781). Os tetos das salas da frente e da capela são em estuque decorativo relevado policromático, e são os que merecem maior destaque. Os ornatos que os decoram são constituídos por elementos esculpidos e corridos, apresentando um valor artístico de referência pela sua integração cuidada no espaço, criando ambientes próprios.
A tipologia. Estamos perante um exemplar de arquitetura civil residencial de tipologia palaciana (urbana). O interesse das suas características exteriores, a fachada principal marcada pela abertura regular de vãos, contabilizando sete janelas de peito no primeiro andar e o mesmo número de sacadas no segundo andar, encimadas pela cornija de coroamento, marcada por esquadrias em estuque, entre, e a encabeçar os vãos, reforçando o seu ritmo regular. O acabamento final é em escaiola imitando a tonalidade de pedra lioz, foi redescoberto e recuperado durante a intervenção de reabilitação e restauro do imóvel.
O restauro. O palácio em estudo foi alvo de uma intervenção de reabilitação de uma habitação palaciana, para usos habitacionais, cuja morfologia hoje conhecida remete para o segundo quartel do século XVIII, e cujas raízes remontam ao início do século XVII. Foram utilizados materiais e técnicas semelhantes às originais (ou compatíveis) de forma a adaptar o novo ao antigo, através da identificação das anomalias e suas causas, possibilitando solucionar os problemas existentes e considerando a eventualidade duma reversibilidade futura. O projeto realizado possibilitou a resolução de problemas físicos, ambientais e espaciais, do imóvel, assim como a introdução de melhorias através da modernização das instalações e equipamentos existentes, tornando o edifício apto para a reutilização de acordo com as exigências atuais de conforto, sem adulterar os valores patrimoniais preexistentes.
Paulo Martins/DGPC, 2021.
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 114/2025, DR, 2.ª série, n.º 77, de 11-04-2025 (ver Anúncio)
Despacho de 23-04-2024 da vice-presidente do Património Cultural, IP a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 19-07-2021 da Divisão do Património Imóvel, Móvel e Imaterial da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
(Aguarda alteração da categoria de classificação de IIM para MIM ou IM para se registar a classificação)
Edital n.º 13/2013 de 18-03-2013 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 997 de 28-03-2013
Deliberação de 13-03-2013 da CM de Lisboa
Edital n.º 46/2012 de 11-06-2012 da CM de Lisboa
Despacho de abertura de 24-09-2008 do Director Municipal da Cultura da CM de Lisboa
Número do Processo
Não disponível