Nota Histórico-Artistica
A cidade de Santarém constituiu-se, desde a Idade Média e até meados do século XX, como núcleo urbano bipolarizado entre as zonas altas da Alcáçova e de Marvila e os bairros ribeirinhos do Alfange e da Ribeira de Santa Iria. Destes últimos, o conjunto da Ribeira de Santarém tem características muito particulares, quer no que respeita à morfologia urbana, quer no que respeita ao seu percurso histórico, uma vez que chegou a ter vereação e alcaidaria próprias.
Na verdade, a Ribeira apresentava-se como uma autêntica cidade baixa, espraiando-se ao longo do Tejo e subindo até meia encosta do planalto interior, ou seja, situada entre a planície fértil e de grande capacidade agrícola e o rio Tejo, dominado pelas actividades piscatórias e comerciais. A cidade antiga seria constituída pela cidadela fortificada, pela zona urbanizada do planalto, pela zona do Alfange ou Portus romano, e pelo bairro ribeirinho de Seserigo, na margem direita da ribeira de Runes, que veio a originar o Bairro da Ribeira. Seserigo foi muralhada no reinado de D. Sancho I, e no início do século XIII incluía as paróquias de Santa Iria a Velha e Santa Maria de Palhais, que, segundo alguns autores, foram fundidas na paróquia de Santa Iria-a-Nova na centúria seguinte, quando foram igualmente criadas as paróquias ribeirinhas de Santa Cruz e de São Mateus.
Por volta de 1500, a valorização do solo era particularmente visível na Ribeira, onde existia um maior número de casas sobradadas e quase todos os prédios com mais de dois pisos na cidade, para além de rendas consideravelmente mais elevadas do que na vila ou no arrabalde de Alfange. Para esta época, é evidente a importância económica da metade oriental da vila, com destaque para a Ribeira, que em termos demográficos praticamente igualava a população da cidade alta, e onde se multiplicavam os armazéns dos produtos comercializados e as oficinas especializadas, nomeadamente as tinturarias e tecelagens, armarias e cordoarias.
Os artefactos arqueológicos escavados na zona, datando pelo menos do século VIII a.C., testemunham a importância do tráfego comercial deste porto fluvial durante muitos séculos. Estas actividades conduziram os processos de expansão de Santarém entre os séculos XIII e XVI, e foram destronadas apenas pela introdução do caminho-de-ferro no século XIX. Mas a transferência das funções portuárias para outros locais não alterou a morfologia típica dos portos fluviais que ainda caracteriza a zona, com o seu cais, largos e rua principal correndo paralela ao rio. De resto, os processos de renovação urbana têm respeitado na generalidade o traçado original, que em alguns casos foi enriquecido pelas novas construções. A própria morfologia dos terrenos determinou a estruturação da maior parte desta área urbana ribeirinha e das suas construções.
Na época medieval, situavam-se dentro dos limites desta paróquia as Ermidas de Nossa Senhora das Neves, de Nossa Senhora da Glória e de Santa Maria de Palhais, para além do Convento de Santa Catarina do Vale de Moirol, na actual Quinta da Senhora da Saúde. Porém, os templos mais destacados são as igrejas góticas de Santa Cruz e de Santa Iria, esta última muito alterada no período maneirista.
Sílvia Leite / DGPC / 2012
Diploma de Classificação
Em 7-01-2021 foi solicitado parecer à CM de Santarém
Despacho de concordância de 11-12-2020 do subdiretor-geral da DGPC
Proposta de 10-12-2020 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como CIP
Anúncio n.º 13748/2012, DR, 2.ª série , n.º 231, de 29-11-2012 (abertura do procedimento de classificação do Conjunto da Ribeira de Santarém) (ver Anúncio)
Despacho de 24-10-2012 do diretor-geral da DGPC, concordante com a proposta anterior (arquivamento do procedimento inicial e abertura de dois outros procedimentos)
Parecer favorável de 22-10-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 18-10-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para arquivamento do "Centro Histórico de Santarém" e abertura de dois outros procedimentos ("Centro Histórico de Santarém" (ver ficha) e "Ribeira de Santarém")
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
df1sdip/2011/12/23200/0520605206.pdf ">(ver Despacho)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 18-04-2001 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de de 26-03-1997 da CM de Santarém para classificação do Centro Histórico de Santarém
Número do Processo
Não disponível