Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A Aldeia do Talasnal situa-se na vertente oeste da Serra da Lousã, a 500 metros de altitude, integrada na bacia hidrográfica da ribeira de São João. O aglomerado urbano dispõe-se em torno de uma ruela principal, que acompanha o declive da encosta e de onde derivam ruelas mais pequenas e becos.
O conjunto edificado é composto maioritariamente por residências unifamiliares rurais, erguidas em aparelho xistoso coberto por telha de canudo, que apresentam, por norma, dois registos; originalmente, o piso cimeiro destinava-se a habitação, sendo formado por uma divisão com soalho de madeira, e o térreo era utilizado como curral ou armazém agrícola.
Além das habitações, destacam-se a fonte com tanque, duas eiras comunitárias, o lagar de azeite, e uma Alminha, a única construção religiosa que existe na aldeia.
História
À semelhança das restantes aldeias de xisto da Serra da Lousã, a Aldeia de Talasnal tem origens remotas, sendo referido na documentação pela primeira vez em 1679. É possível que estas povoações serranas derivem de grupos ligados à transumância que, paulatinamente, se foram fixando ao longo das épocas medieval e moderna.
Tal como as outras povoações congéneres, esta aldeia viveu da pastorícia e da agricultura, atividades muito limitadas pelas condicionantes da paisagem, sendo esta última, essencialmente, um cultivo de subsistência. No entanto, as circunstâncias difíceis de uma economia local precária determinaram um fenómeno migratório dos seus habitantes desde, pelo menos, a centúria de Setecentos, primeiro com destino à vila da Lousã, depois para o Alentejo. Nos finais do século XIX estas povoações começaram a mudar-se para Lisboa e, alguns anos depois, os grupos de serranos começaram uma emigração progressiva com destino ao Brasil e à América. Em consequência, estas aldeias foram assistindo a um progressivo decréscimo do seu número de habitantes, culminando com um despovoamento ocorrido em meados da década de 80 de Novecentos.
No início do século XXI, as aldeias da Lousã foram "redescobertas" e ocupadas por nova vaga de habitantes forâneos, sobretudo jovens estrangeiros, que procuraram reanimar a vida económica, social e cultural destas povoações. Integradas na rede Aldeias do Xisto, as aldeias da Lousã apresentam atualmente uma oferta turística de âmbito regional, que se baseia nas características únicas da sua arquitetura, no envolvência paisagística, nos recursos ambientais, e nas tradições gastronómicas e culturais locais.
Catarina Oliveira
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
Edital n.º 726/2024, DR, 2.ª série, n.º 103, de 28-05-2024 (fixou as restrições) (ver Edital)
Deliberação de 15-04-2024 da CM da Lousã a aprovar a decisão final relativa às restrições a aplicar ao CIM
Edital n.º 2133/2023, DR, 2.ª série, n.º 246, de 22-12-2023 (projeto de decisão relativo às restrições a fixar) (ver Edital)
Deliberação de 20-11-2023 da CM da Lousão a aprovar as restrições a aplicar ao futuro CIM
Edital n.º 543/2015, DR, 2.ª série, n.º 117, de 18-06-2015 (ver Edital)
Deliberação camarária de 1-06-2015 a aprovar a decisão final de classificação como CIM
Edital n.º 165/2015, DR, 2.ª série, n.º 44, de 4-03-2015 (ver Edital)
Deliberação camarária de 2-02-2015 a aprovar a abertura do procedimento de classificação como CIM
Em 14-01-2015 foi dado conhecimento do despacho de arquivamento à CM da Lousã, sugerindo que proceda à publicação de cinco classificações, por se tratar de cinco aldeias
Despacho de arquivamento de 6-10-2014 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 29-09-2014 da DRC do Centro para arquivamento do procedimento de âmbito nacional
Edital n.º 372/2014, DR, 2.ª série, n.º 88, de 8-05-2014, da CM da Lousã (ver Edital)
Pedido de parecer de 5-05-2014 da CM da Lousã sobre a eventual classificação como CIM
Deliberação camarária de 21-04-2014 a determinar a abertura do procedimento de classificação como CIM (aldeias do Candal, Casal Novo, Cerdeira, Chiqueiro e Talasnal)
Número do Processo
Não disponível