Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situada a Sul da cidade do Fundão, junto à Estrada Nacional 18 e próximo de uma zona recentemente urbanizada, a Capela do Espírito Santo possuiu hoje uma envolvente algo desqualificada, não fora a proximidade da pequena Capela do Calvário e do chafariz do Espírito Santo, dois imóveis com valor patrimonial e a pavimentação em calçada de granito que abrange este três elementos, criando assim uma unidade interessante do ponto de vista paisagístico.
Orientada com a cabeceira a Este, a fachada principal deste pequeno templo abre para um largo recentemente pavimentado com lajes e calçada de granito.
Corresponde este imóvel a um templo de finais do século XVI, ostentando uma planta retangular com cobertura de duas águas. Possuiu uma capela-mor mais estreita e uma sacristia adossada à fachada Sul. Apresenta, igualmente, um grande alpendre sustentado por seis colunas toscanas e cobertura em vigamento de madeira.
Na fachada principal, abre-se um portal em arco de volta perfeita em cantaria granítica aparente com aparelho isódomo, observando-se a data de 1578 inscrita na parede sobre o arco. Do lado Sul, implanta-se uma sineira e um portal igualmente em arco de cantaria de volta perfeita com moldura formada por aduelas de aresta biselada que, na zona superior, surgem decoradas com esferas.
No interior, do lado do Evangelho, observa-se um púlpito circular com guarda plena em granito, mantendo ainda vestígios de decoração policromada, surgindo o desenho de dois vasos azuis enquadrados por faixas amarelas. O púlpito é suportado por coluna em balaústre onde se observam também restos de pintura vermelha. O acesso a este púlpito faz-se através de uma pequena escada de cinco degraus em blocos de granito que encosta diretamente à parede. O arco triunfal, de volta perfeita, assenta em impostas salientes, apresentando uma pedra de fecho com a data de 1630, data esta que deverá corresponder a uma remodelação do espaço. Na pia batismal, gravado sobre a pedra, surge a data de 1574. A capela-mor, por sua vez, possuiu uma cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira, sendo o retábulo-mor de talha dourada.
História
Fundada na segunda metade do século XVI, a Capela do Espírito Santo do Fundão surge citada nas Memórias Paroquiais do Prior Alexandre Bento da Vide de 1758, referindo-se que esta era administrada pelos paroquianos. No ano de 1980 a remoção do reboco interior levou à descoberta de azulejos hispano-mouriscos e, em 2002, a Diocese da Guarda procedeu a obras de restauro bastante profundas tendo sido colocadas novas coberturas, cimentadas as paredes em pedra, renovados os pavimentos e ajardinada a zona envolvente. Foi nesta altura também que terá sido pavimentado o terreno em redor e demolido um velho mas interessante edifício em "L" com janelas de guilhotina e telha mourisca que se situava junto à fachada Norte da capela, ficando até hoje este terreno vazio.
Muito recentemente as fachadas exteriores da capela que antes eram de pedra à vista, foram integralmente rebocadas e pintadas de branco.
Maria Ramalho/DGPC/2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 316/2020, DR, 2.ª série, n.º 62, de 27-03-2020 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 29-03-2019 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 64/2017, DR, 2.ª série, n.º 85, de 3-05-2017 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 27-01-2017 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 18-01-2017 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 13-04-2016 da DRC do Centro para a classificação como MIP
Declaração de retificação n.º 1107/2014, DR, 2.ª série, n.º 211, de 31-10-2014 (retificou o endereço da CML) (ver Declaração)
Anúncio n.º 252/2014, DR, 2.ª série, n.º 203, de 21-10-2014 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 1-10-2014 do diretor-geral da DGPC
Proposta de de 29-6-2014 do DBC da DGPC para abertura do procedimento de classificação da Capela do Espírito Santo
Nova proposta de 19-05-2014 da DRC do Centro para classificação em conjunto com a Capela do Calvário
Devolvido à DRC do Centro por despacho de 28-03-2014 do diretor-geral da DGPC para reanálise, por não parecer configurar um conjunto, sendo os imóveis muito diferenciados em termos de época de construção, tipologia e valor cultural
Proposta de abertura de 17-03-2014 da DRC do Centro
Proposta de classificação de 11-02-2014 de particular
Número do Processo
Não disponível