Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado na remota Aldeia da Ponte, freguesia raiana do concelho do Sabugal, o edifício do antigo colégio destaca-se, desde logo, pela sua dimensão tendo em conta as modestas construções da envolvente. Este imóvel foi fundado junto à pequena capela de S. Brás, templo mais antigo que se encontra associado a um interessante calvário de três cruzes.
Implantado num patamar delimitado por um muro em pedra que antes servia de adro, o antigo colégio encontra-se hoje parcialmente em ruínas, sobretudo ao nível dos interiores da igreja. No entanto, as fachadas principais mantêm-se em bom estado, muito devido à sólida construção em silhares de granito.
O conjunto edificado, que adquire uma fisionomia conventual, integra diferentes corpos, formando um quadrado com claustro central. A igreja, situada no topo norte do corpo principal e com a cabeceira orientada a ponte, ostenta uma fachada sóbria virada à rua do Ribeiro, uma das principais vias de acesso à aldeia. Esta fachada é composta por duas torres sineiras rematadas por frontões, possuindo, cada uma delas, três janelas. O pano central desta fachada ostenta, igualmente, um remate em frontão onde, ao centro, se abre um nicho em arco de volta perfeita. O portal de entrada com cornija e pilastras é encimado por um grande janelão com moldura em cantaria de granito. O interior do templo, hoje completamente arruinado, possuiu nave única com cobertura em madeira. Sobre o portal principal existiu, em tempos, um coro alto igualmente em madeira, assim como um púlpito adossado à parede sul. Pelas marcas deixadas nos paramentos, verifica-se que as madeiras que integravam a construção desta igreja, inclusive o pavimento, foram propositadamente retiradas.
A capela-mor, igualmente sem retábulo, é marcada por grande arco de volta perfeita, acedendo-se ao altar por uma pequena escada em pedra. Ao fundo da parede testeira abre-se uma porta, hoje entaipada, possivelmente de acesso à antiga sacristia.
O corpo situado a sul da igreja que se encontra em mau estado de conservação, exceto o canto sul restaurado em 2007, deveria corresponder à zona dos dormitórios. Esta edificação de dois pisos apresenta uma fachada bastante alterada pela colocação de uma escada rustica em pedra, escada esta que encobre parcialmente o desenho original que constava, ao nível do piso térreo, de três portas ladeadas por duas janelas de cada lado e, no primeiro piso, seis janelas de peitoril e uma de sacada ao centro.
História
O colégio foi inicialmente ocupado por uma comunidade religiosa, a "Ordem Hospitaleira de São João de Deus", fundada em Granada, em 1538, por um português, João Cidade, natural de Montemor-o-Novo. Mais tarde, pela mão do Papa Pio IX, esta Ordem, que se dedicava sobretudo a apoiar crianças pobres e doentes, teve um novo impulso tendo sido então delegado no Padre Bento Menni a responsabilidade de impulsionar a sua implementação na Península Ibérica. No caso da fundação do colégio de Aldeia da Ponte foi fundamental o apoio de uma importante figura da Covilhã, o Dr. Francisco Grainha, médico e padre jesuíta que doa uma das suas quintas para a construção do edifício em 1891. Esta iniciativa contou ainda com outras doações, bem como com o apoio da população da aldeia. No entanto, a Ordem Hospitaleira permanece no edifício apenas cinco anos, sendo substituída pela "Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria", organização de evangelização e ensino fundada em 1847 pelo padre espanhol António Claret. Os novos padres, todos de origem espanhola, acabam por ser expulsos poucos dias antes da proclamação da República, em 1910, na sequência da animosidade crescente contra o clero. Depois de passar por vários proprietários, o imóvel foi-se degradando, encontrando-se hoje na posse da "Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte", aguardando-se que, com o apoio da autarquia, possa vir a ser restaurado.
Maria Ramalho/DGPC/2020.
Diploma de Classificação
Edital n.º 117/2016, DR, 2.ª série, n.º 26, de 8-02-2016 (ver Edital)
Deliberação de 11-12-2015 da CM do Sabugal a aprovar a decisão final de classificação como MIM
Em 16-06-2015 foi dado conhecimento do despacho à CM de Castelo Branco
Despacho de concordância de 7-05-2015 do diretor-geral da DGPC
Informação favorável de 24-04-2015 da DRC do Centro
Pedido de parecer de 21-10-2015 da CM de Castelo Branco sobre a eventual classificação como de IM
Edital n.º 951/2014, DR, 2.ª série, n.º 202, de 20-10-2014 (ver Edital)
Deliberação de 25-07-2014 da CM do Sabugal a determinar a abertura do procedimento de classificação como IIM