Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situada no centro da vila de Sousel, no Largo do Convento, a Igreja do Convento de Santo António foi edificada no século XVII, aquando da fundação do cenóbio pertencente à Ordem dos Eremitas de São Paulo.
De planta retangular, apresenta fachada de linhas depuradas com características inspiradas na arquitetura regional alentejana, rasgada apenas pelo alpendre que precede a entrada e por uma janela no piso superior. Do lado esquerdo, ergue-se a torre sineira com coroamento pinacular, onde se rasga uma porta autónoma no piso térreo e uma janela de sacada no intermédio.
O interior divide-se em dois corpos, o da nave única coberta por abóbada de berço, e o da capela-mor, de menores dimensões. Junto ao vestíbulo, sobre o qual se ergue o coro alto com cadeiral de madeira, foi colocada a pia batismal de mármore.
Na nave exibem-se seis altares laterais executados no século XVIII, colocados em arcos de volta perfeita, do lado do Evangelho dedicados a Santa Ana, ao Senhor dos Passos e a Santa Luzia, do lado da Epístola consagrados a Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora da Soledade e Nossa Senhora da Conceição. Entre os altares de Santa Ana e do Senhor dos Passos foi edificado o púlpito, com guarda em balaustrada de mármore.
A capela-mor, com paredes laterais forradas por painéis de azulejos azuis e brancos com composições representando episódios da vida de São Paulo Eremita, exibe retábulo de talha de estilo nacional, dourada e policromada, datado dos primeiros anos do século XVIII, com trono central, tribuna revestida por caixotões de talha e sacrário ladeado pelas figuras de Santo António, o patrono da igreja, e de São Paulo Eremita, padroeiro da ordem instituidora.
Em recentes obras de restauro da igreja, durante as quais o retábulo foi apeado, registou-se a decoração primitiva da capela-mor, com tribuna na qual se encontrava pintado um retábulo fingido decorado com motivos de brutesco, muito ao gosto do que era comum nas igrejas alto-alentejanas ao longo do século XVII.
Junto à capela-mor ergue-se a sacristia, coberta por abóbada de arestas e cujas paredes eram originalmente revestidas por pintura mural (que foi removida nas obras de restauro devido ao mau estado de conservação do reboco). À entrada encontra-se colocada uma pintura sobre madeira com a representação da Santíssima Trindade.
História
Em 1592 o Capítulo Geral da Ordem de São Paulo decidiu extinguir algumas das casas cenobiais que então possuíam em Portugal, fechando assim o Convento da Azambujeira, no termo de Avis. Os religiosos que aí residiam transferiram-se para a vila de Sousel onde, entretanto, por contrato estabelecido entre a ordem eremita e a câmara local, lhes fora doada a Ermida de Santo António para que fundassem um novo convento, instituído oficialmente em 2 de Outubro de 1616, por escritura celebrada entre a Câmara e o Provincial da Ordem de São Paulo da Serra d' Ossa. Os Paulistas instalaram-se no novo cenóbio em 1619, e em 26 de Janeiro de 1621 celebrava-se o contrato definitivo de fundação.
Durante todo o século XVII, derivado do estado de pobreza da comunidade conventual, os monges habitavam um espaço de madeira, substituído já no início da centúria de Setecentos pelo edifício do dormitório que viria, no século XIX, a ser vendido em hasta pública aquando da Extinção das Ordens Religiosas e transformado numa habitação particular, que ainda hoje se mantém contíguo à igreja, estando na posse da família Bastos Ribeiro.
A igreja, integrada na Paróquia de Sousel, foi restaurada entre 2009 e 2013, reabrindo ao culto em 21 de setembro deste último ano.
Catarina Oliveira
DGPC, 2016
Diploma de Classificação
Portaria n.º 2/2023, DR, 2.ª série, n.º 2, de 3-01-2023 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 13-07-2022 da subdiretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 33/2022, DR, 2.ª série, n.º 40, de 25-02-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 15-11-2021 do diretor-geral da DGPC após a junção pela DRC do Alentejo de elementos gráficos solicitados
Proposta favorável de 19-05-2021 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 16-01-2019 da DRC do Alentejo para a classificação como MIP
Anúncio n.º 146/2017, DR, 2.ª série, n.º 159, de 18-08-2017 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 3-05-2017 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 22-03-2017 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 18-11-2015 da DRC do Alentejo para abertura do procedimento de classificação
Requerimento de classificação de 26-10-2015 da CM de Sousel
Número do Processo
Não disponível