Nota Histórico-Artistica
Imóvel
ACervejaria Solmar encontra-se instalada no piso térreo de um edifício da Rua das Portas de Santo Antão, entre os n.ºs 106 a 108, mais concretamente no antigo Palácio dos Condes de Povolide, hoje Sede do Ateneu Comercial de Lisboa. A intervenção da equipa do pintor e professor Pedro Jorge Pinto (1900-1983) desenvolveu, de raiz, um projeto resultante do trabalho em parceria levado a cabo pelos arquitetos Luís Bevilacqua, Francisco Botelho de Sousa (1926-2010), Luís Curado e José Espinho (1915-1973) um dos grandes nomes do design português.
Com inspiração em temas do mar, a cervejaria caracteriza-se pelo exagero na utilização de diversos materiais, policromias, texturas, jogos de luz que atinge níveis quase lúcidos; na composição de painéis de azulejo, planos de pastilha colorida, galerias suspensas, aquários, um repuxo; e mobiliário, que permitiram criar um cenário imaginário e cinematográfico, apresentando-se como um dos grandes exemplos de um Projeto Total (Gesamtkunstwerk). O restaurante é dividido em três zonas - restaurante propriamente dito, cervejaria e café. A grande sala do restaurante é dominada por um grande painel de azulejos da autoria do pintor professor Pedro Jorge Pinto e por mobiliário moderno, com linhas retas e um espectro policromático, ao gosto da década de 50. Ao centro existe um pequeno lago com um repuxo e um aquário com a forma de um paralelepípedo, o qual articula as três zonas independentes, cuja construção foi feita sob a consulta do conservador do Aquário Vasco da Gama, Sr. Fernando Mendes. Este primeiro piso tem em grande parte um amplo pé direito, correspondente a dois pavimentos, pois só numa zona é coberto com um segundo piso (mezzanine), prolongamento do restaurante e cuja comunicação é feita por uma ampla escada de grande efeito decorativo. Por baixo deste segundo piso concebeu-se o bar da cervejaria, que possui um amplo balcão com bancos altos. As paredes são revestidas, parte em mármore, parte em granito polido, de um modo geral, havendo zonas em que foram empregues outros materiais, como pedra rústica e estuque pintado. As colunas são revestidas a mosaico cerâmico 1x1. O pavimento caracteriza-se por um jogo de materiais e cores compostos por mármores em faixas de duas cores e outras a lajedo rustico. Também a iluminação foi concebida de um modo cuidado, tendo-se optado por lâmpadas incandescentes adossadas ou suspensas do teto e por tubos fluorescentes colocados em sancas. A área da cafetaria, ligada por uma ampla porta envidraçada, é independente mas anexa ao restaurante. Um átrio antecede a entrada para a cervejaria, permitindo uma área de transição entre o espaço público e o seu interior, criando simultaneamente um lugar de abrigo e de estar.
História
A Cervejaria Solmar surgiu pelas mãos dos irmãos galegos António e Manuel Paramés que, na década de 50, decidiram abrir, em Lisboa, um restaurante especializado em marisco, tendo com esse objetivo mandado, igualmente, construir um viveiro no Guincho. A ideia era criar um ambiente único e confortável, num espaço amplo, fresco e luminoso, cuja elegância fosse evidente. O estabelecimento veio a ser considerado a maior e melhor marisqueira do país. O local escolhido foi um rés-do-chão de um palácio na Rua das Portas de Santo Antão, uma rua muito movimentada e com séculos de história, cujo topónimo provém da proximidade do convento, igreja e hospital dedicado ao santo, fundado em 1400 pelos Agostinhos no Largo da Anunciada. Uma rua com uma oferta de restauração e divertimentos bastante diversificada, nomeadamente o Coliseu dos Recreios (1890), o Ateneu Comercial de Lisboa (1895), a Sociedade de Geografia (1897), o Teatro Politeama (1913), a Casa do Alentejo (1923), o Cinema Odéon (1927), o Cinema Condes (1952), o Restaurante Gambrinus (1964), o Palace Club (1917), o Magestic Club (1917), o Bristol Club (1918) e o Arcádia (década de 40), entre outros.
Elisabete Serol
DGPC, 2016
Diploma de Classificação
Portaria n.º 236/2019, DR, 2.ª série, n.º 70, de 9-04-2019 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 31-01-2019 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 83/2018, DR, 2.ª série, n.º 106, de 4-06-2018 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 20-02-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 17-01-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 17-12-2016 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 76/2016, DR, 2.ª série, n.º 39, de 25-02-2016 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 8-02-2016 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 29-12-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação
Requerimento de classificação de 25-10-2012 de particular