Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A Escola EB1 Raul Lino, antiga Escola Primária n.º 157, situa-se na Calçada da Tapada, freguesia de Alcântara, em Lisboa.
Construída em 1915, de acordo com um projeto do arquiteto Raul Lino, destinava-se originalmente a um universo escolar de 800 alunos, constituindo um programa muito ambicioso para a época, até pelo momento particularmente delicado - face ao decorrer da Primeira Guerra Mundial - em que foi construída.
O edifício apresenta-se recuado face à rua, como forma de beneficiar do ambiente natural da envolvente, uma vez que se encontra inserido em plena Tapada da Ajuda.
Raul Lino, que à época já tinha projetado várias escolas primárias, nomeadamente quatro dos doze jardins-escola João de Deus que veio a realizar, procurou conceber um edifício atraente para as crianças, e, como tal, desenhá-lo com uma fisionomia e proporções que se assemelhassem, de algum modo, a uma moradia. Assim, pese embora o edifício se apresente grande e compacto, face ao exigente programa e a razões de economia, tal impressão é atenuada pela diversificação de volumes subsidiários (volumes da entrada e da sala de professores e fachada curva da cantina), pela variação de vãos (desenho, dimensão e localização) e pela profusão de pormenores decorativos (painéis de azulejos, vergas em tijolo, cantarias nos vãos e balaustradas em vão de sacada). Ao nível do interior houve um enorme cuidado em tornar a escola eficiente (para o ensino) e apelativa (para as crianças), nomeadamente em termos de diversificação do currículo/programa, dimensionamento dos espaços, materiais de acabamento, tratamento da luz natural e nível artístico do programa decorativo. A planta em U permite a fácil iluminação natural, não apenas das salas de aula, mas especialmente dos generosos espaços de distribuição que podem funcionar como recreio alternativo aos espaços exteriores. O interior é particularmente valorizado por um completo programa decorativo, nomeadamente nas enormes sancas dos espaços de distribuição, da autoria do pintor António Soares (realizadas em 1918), sob o tema "A Indústria de Alcântara", pelos azulejos decorativos de Raul Lino, especialmente no espaço do refeitório, e pelas sancas das salas de aula, com pinturas atribuídas a Raul Lino, Alice Rey Colaço, Fred Abecassis e Conceição Silva, as quais, em suaves paletas de cores, representam cenas rurais com animais e plantas, com o objetivo de alcançarem "motivos de um efeito alegre mas sossegado", conforme refere Raul Lino.
A escola foi alvo de várias campanhas de obras, nomeadamente de simplificação formal e decorativa, de ampliação, no início dos anos cinquenta do século XX, de acordo com um projeto do arquiteto Alberto Ayres Braga de Sousa, em que se procedeu à construção de um corpo de três pisos sobre o recreio coberto original e à adaptação da antiga cozinha a ginásio, e, já no século XXI, quando se construiu a nova cantina, a tardoz do edifício principal, se reformularam as instalações sanitárias e se reordenou o recreio com a colocação de novos pavimentos em betuminoso e borracha.
História
Construída numa época em que um escol de intelectuais e políticos se preocupavam com a enorme taxa de analfabetismo do país, esta escola, que resultou de uma iniciativa do governo central, apresenta um programa e um currículo híbrido que, sem deixar de privilegiar o espaço da sala de aula (sistema pedagógico que privilegiava o rácio alunos / professor, num ensino expositivo e nivelador), que dominou o panorama escolar português até à Revolução de 25 de Abril, introduzia espaços como a sala-museu, a sala de leitura, a cantina / cozinha e a sala de professores, que procuravam, na sua diversidade e complementaridade, dar resposta a um ensino progressista (o denominado Movimento Escola Nova), centrado nas especificidades e interesses dos alunos enquanto seres individuais, assumindo que a escola devia ser um lugar feliz para crianças felizes.
Paulo Duarte
DGPC,2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 548/2023, DR, 2.ª série, n.º 201, de 17-10-2023 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 25-05-2023 da subdiretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 131/2022, DR, 2.ª série, n.º 129, de 6-07-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 8-06-2022 do diretor-geral da DGPC
Proposta favorável de 13-04-2022 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 25-03-2019 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Declaração de Retificação n.º 164/2018, DR, 2.ª série, n.º 44, de 2-03-2018 (retificou a designação) (ver Declaração)
Anúncio n.º 1/2018, DR, 2.ª série, n.º 2, de 3-01-2018 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 19-04-2017 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 9-01-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
(Aguarda alteração da categoria de classificação de IIM para MIM ou IM para se registar a classificação)
Edital n.º 21/2015 de 6-05-2015 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 1108 de 14-05-2015
Deliberação de 29-04-2015 da CM de Lisboa
Edital n.º 118/2014 de 22-09-2014 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 1076 de 2-10-2014
Despacho de 26-08-2013 da Vereadora da Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do processo de classificação como de IM