Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Paço de Ançariz, localizado em Escudeiros, em Braga, implanta-se na encosta do Monte de Pedenice, destacando-se na paisagem rural envolvente. O imponente edifício é rodeado por uma quinta, que integra um extenso jardim, lagares, a casa dos caseiros, hortas, vinha, pomares e estruturas hidráulicas, como tanques e chafarizes.
A casa é composta por dois corpos retangulares justapostos, que formam uma espécie de Z. O corpo principal, à direita, é antecedido por jardim de buxo, apresentando na fachada principal apresenta uma escadaria dupla de granito, que tapa o piso térreo e permite o acesso ao andar nobre, marcado pela abertura de janelas de sacada com moldura de pedra encimada por friso. Sobre a entrada principal está colocado o brasão dos Costa Vasconcelos, colocado em 1662 pelo então proprietário da casa.
O edifício secundário, à esquerda, divide-se em dois registos, com portas no andar térreo e janelas no superior. No interior da casa principal destacam-se os três salões, um dos quais com teto em caixotões de madeira.
A casa possui, também, uma capela privativa, com portal em arco rematado por frontão quebrado com nicho, e cornija fechada por cruz de granito. No interior, um espaço pequeno de nave única precedido por coro-alto em madeira policromada e coberto por teto de madeira, destaca-se o retábulo-mor maneirista, de talha dourada e policromada, disposto sobre balcão.
História
O Paço de Ançariz terá sido fundado ainda no século XV, já que vários documentos atestam que em 1500 era utilizado como residência de férias dos Arcebispos de Braga.
No ano de 1508, o arcebispo D. Diogo de Sousa trocou os terrenos da Veiga do Penso, onde se implanta o paço, por um terreno nos, então, arrabaldes bracarenses, onde atualmente se implanta o Campo da Vinha, para encetar o seu plano de ampliação da cidade; a troca seria feita com o alcaide-mor de Braga, Afonso Costa.
Foi um seu descendente, Manuel da Costa Vasconcelos, fidalgo-cavaleiro da Casa Real, que em 1662 colocou o seu brasão de armas sobre a porta principal do paço. Em meados do século XIX, a quinta foi vendida a José Rodrigues Marques e sua mulher, mantendo-se na posse dos seus herdeiros até ao presente.
O Paço de Ançariz mantém a função de espaço de recreio que tinha quando da sua fundação, conservando também o carácter agrícola da quinta envolvente.
O imóvel está em vias de classificação por ser um testemunho histórico, arquitectónico e artístico da tipologia de casas nobres rurais minhotas.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 623/2020, DR, 2.ª série, n.º 203, de 19-10-2020 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 12-02-2020 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 126/2019, DR, 2.ª série, n.º 125, de 3-07-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 6-05-2019 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 13-02-2019 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 20-12-2017 da DRC do Norte para a classificação como MIP
Anúncio n.º 69/2017, DR, 2.ª série, n.º 90, de 10-05-2017 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 11-01-2017 da diretora-geral da DGPC
Em 16-12-2016 a DRC do Norte informa sobre as intervenções no imóvel e volta a propor a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Despacho de 22-11-2016 da diretora-geral da DGPC a devolver o processo à DRC do Norte para informação sobre intervenção recente no imóvel
Proposta de 20-07-2016 da DRC do Norte para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Pedido de parecer de 5-05-2016 da CM de Braga sobre a classificação como de IM
Deliberação de 1-02-2016 da CM de Braga a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível