Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada numa colina, na zona de confluência do Bairro de Alcântara com os Prazeres, imediatamente a Sul do cemitério, a Vila do Tijolo insere-se numa rua onde subsistem outras antigas vilas operárias como por exemplo a Vila Maia, situada a Oeste.
A construção deste imóvel inicia-se em 1891 tendo a obra ficado concluída em 1893.
Com forte presença urbana neste arruamento dada a sua altura de três pisos e uma frente de cerca de 26 metros de longo, este imóvel destaca-se, também, pelo tipo de revestimento da fachada em tijolo que, juntamente com a cobertura em telha Marselha lhe confere uma interessante homogeneidade. Ao nível do telhado nota-se ainda uma pequena trapeira colocada ao centro. Os pisos superiores possuem sete fogos, todos eles de reduzida dimensão, sendo mista a ocupação do piso inferior com habitação e comércio. Refira-se que no tardoz existe mais um piso em semi-cave. O acesso aos fogos do piso térreo é feito através da Rua Possidónio da Silva enquanto os pisos superiores têm acesso pelo nº 33, através de galerias de feição art-déco que se distribuem ao longo da fachada tardoz, permitindo assim melhorar a circulação num espaço com grande densidade de moradores, solução esta bastante inovadora em temos arquitetónicos e que só mais tarde se irá vulgarizar .
O grande destaque vai para a fachada deste edifício revestido a tijolo maciço vermelho compondo desenhos geométricos relevados, variações do tema do losango, que tomam diferentes feições consoante o local onde são colocados, nomeadamente guarnições, vãos, faixas separadoras dos pisos etc., imprimindo assim um interessante efeito pelos jogos de luz e sombra criados. Os vãos das sete portas colocadas ao nível da rua destacam-se pelos arcos de tijolo duplo surgindo separados por círculos igualmente em tijolo e preenchidos por delicado elemento decorativo no seu interior. Os dois pisos destinados a habitação exibem vãos com tratamento diferenciado tanto ao nível da forma, como dos pormenores decorativos, resultando assim num conjunto de grande qualidade estética. Na fachada traseira observa-se o tijolo aparente apenas nas guarnições dos vãos das portas e janelas. Depreende-se assim que pela importância que é dada à técnica construtiva, o projeto desta interessante vila operária funcionaria como marca distintiva da Fábrica à qual se encontrava ligada, uma espécie de ex-libris e, de alguma forma também, de mostruário dos seus produtos.
História
A construção da Vila do Tijolo, em 1893, deve-se à iniciativa de José Joaquim de Almeida Junça, destinando-se ao alojamento dos operários da sua fábrica de cerâmica fundada em 1882, fábrica esta que se encontrava implantada no terreno fronteiro. Esta artéria era então designada como rua da Fonte Santa dado aí existir uma famosa nascente de água. Por esta mesma razão a unidade fabril era também conhecida como Fábrica da Fonte Santa.
Destinada ao fabrico de telha e tijolo empregava cerca de 50 operários e, a sua produção, importante para a época, contava já com um motor a vapor, algo raro no período em que iniciou a laboração.
O edifício de um interesse histórico e arquitetónico incontestado, esteve no entanto por diversas vezes ameaçado de demolição, desde os anos 40 do século XX pela mão dos proprietários, até aos diferentes planos urbanísticos previstos para o local que, felizmente, nunca se concretizaram. Graças ao trabalho de investigadores e de um importante movimento de cidadãos, este relevante património da cidade de Lisboa ainda se mantém de pé mas a necessitar de obras urgentes de reabilitação.
Maria Ramalho/DGPC/2017
Diploma de Classificação
Edital n.º 4/2018, de 29-01-2018 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal N.º 150 de 1-02-2018
Deliberação de 20-12-2017 da CM de Lisboa a aprovar a classificação como MIM
Edital n.º 24/2017, de 24-02-2017 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal N.º 1202 de 2-03-2017
Despacho de 1-02-2017 do Diretor Municipal de Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível