Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Cineteatro de Galamares encontra-se implantado numa pequena artéria cujo nome se relaciona diretamente com o próprio edifício: "Rua do Salão".
Galamares é uma pequena localidade situada no sopé Norte da Serra de Sintra, uma aprazível região que ainda conserva algum do seu caráter rural. O imóvel apresenta uma volumetria paralelepipédica de dois pisos e cobertura de duas águas, caraterizando-se, ao nível dos exteriores, por uma arquitetura bastante despojada com vãos de pequenas dimensões, embasamento de pedra à vista que contrastam com os revestimentos lisos e pintados a rosa, surgindo os cunhais marcados a branco.
No interior, pelo contrário, o edifício revela uma decoração exuberante, ostentando uma profusão de pinturas murais e baixos-relevos estucados. Estes elementos surgem tanto no teto, como no palco ou nas paredes, aparecendo os motivos com emolduramentos pintados a ouro velho. O programa decorativo, tipicamente romântico, alude às paisagens da Serra de Sintra ostentando cenas bucólicas, motivos vegetalistas, arquiteturas rurais e palácios, para além de diversos instrumentos musicais. Destaque para o pano da boca de cena com uma vista do palácio de Monserrate tendo, em segundo plano o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros. Os autores da decoração do cineteatro foram António Graça, Júlio Fonseca e Garibaldi Martins contratados por Frederick Lucas Cook, 2º Visconde de Monserrate e mecenas do projeto, compreendendo-se assim porque surge a imagem do palácio de Monserrate em primeiro plano na boca de cena.
Depois de uma profunda intervenção de reabilitação o salão dispõe hoje de um amplo espaço versátil com uma plateia, um balcão e um camarote com balaustrada bidimensional simulada onde atualmente se encontra um pequeno núcleo museológico. O palco, virado a Sul, foi integralmente restaurado, sendo antecedido por fosso de orquestra delimitado por balaustrada de mármore fingido. A emoldurar o palco surgem duas pilastras igualmente simuladas de fustes lisos e capitéis fitomórficos e, de cada lado, foram pintadas falsas portas encimadas por bandeiras decoradas. No salão, por sua vez, observam-se três alçados com portas de duplo batente em trompe l'oeil, enquadradas por damasco verde com motivos geométricos-vegetalistas e rodapés apainelados até meia altura. As portas apresentam também bandeiras simuladas com paisagens e arquiteturas monumentais, podendo dizer-se que, de algum modo, o interior deste cineteatro pretende simular um salão burguês da época.
História
Projetado e inaugurado presumivelmente em 1916, por iniciativa do político e empresário inglês Frederick Cook, filho do proprietário da Quinta e Palácio de Monserrate, o cineteatro de Galamares foi, durante anos, um pólo de dinamização cultural da região, sobretudo durante o período de verão, com a apresentação de inúmeros espetáculos desde teatro, cinema, récitas, dança ou organização de bailes, destacando-se, entre eles, a apresentação de Viana da Motta a 15 de Setembro de 1923. Importa ainda destacar o papel que Guilherme Oram, administrador das propriedades do Visconde de Monserrate e grande amante de teatro, teve na fundação deste espaço.
Fruto de um certo abandono ocorrido após a morte, em 1960, de um dos seus principais animadores, Eduardo Frutuoso Gaio, o espaço deixará praticamente de ter atividade durante os anos setenta e oitenta do século XX. Apenas nos finais dos anos 90, com o renascimento do Grupo Desportivo e Cultural de Galamares e a sua fixação neste local, é que serão retomadas as atividades, bem como a vontade de recuperar este valioso património. Após a aquisição do imóvel pela autarquia e a implementação de um vasto programa de reabilitação e restauro pela "Escola Prática de Recuperação do Património de Sintra", foi finalmente reaberto o cineteatro a 24 de maio de 2012, continuando, desde essa data, a ser utilizado para fins culturais ou associativos.
Maria Ramalho/DGPC/2018
Diploma de Classificação
Em 17-12-2018 foi dado conhecimento do despacho à CM de Sintra
Despacho de concordância de 7-12-2018 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 29-11-2018 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a não atribuição de uma classificação de âmbito nacional
Aviso n.º 16148/2018, DR, 2.ª série, n.º 215, de 8-11-2018 (ver Aviso)
Despacho de 13-09-2018 do presidente da CM de Sintra a determinar a classificação como MIM
Aviso n.º 5595/2018, DR, 2.ª série, n.º 80, de 24-04-2018 (ver Aviso)
Despacho de 6-04-2018 do presidente da CM de Sintra a determinar a abertura do procedimento de classificação como MIM