Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Palácio Fialho situa-se na Quinta do Alto, localizada na colina da Atalaia, em Faro. A quinta foi adquirida em 1911 por João António Júdice Fialho para aí edificar uma residência para a sua família. O projeto da imponente habitação foi executado em 1913, e a construção decorreu até 1925. Atualmente, o edifício tem funções educativas, estando aí instalado o Colégio de Nossa Senhora do Alto.
De planta retangular, com reentrância em U na fachada posterior, o edifício ergue-se no topo da colina rodeado por um jardim de estilo francês. Inspirado na arquitetura palaciana francesa oitocentista, o Palácio Fialho divide-se em quatro pisos, incluindo cave e mansarda, com quatro fachadas imponentes, simétricas, marcadas pela abertura regular de grandes janelas nos pisos térreo e superior, e de menores dimensões na cave e na mansarda. A fachada principal, voltada a Este, é precedida por escadaria monumental, destacando-se a entrada principal da casa, rasgada ao centro, com majestoso portal de gosto clássico ladeado por colunas jónicas. No piso superior, a janela central, aberta sobre a porta, é rematada com medalhão e enquadrada por frontão triangular assente sobre colunas coríntias. Nas fachadas laterais evidenciam-se as varandas pétreas do piso superior, assentes sobre requintadas mísulas, e dois grandes terraços com balaustrada, acessíveis por escadaria que sobe do jardim. A mansarda, hoje coberta por chapas metálicas, era originalmente forrada por placas de ardósia em forma de escama de peixe.
O interior do palácio mantém ainda muito do requintado programa decorativo que o proprietário patrocinou quando da construção do edifício. Para além do grande átrio central, em mármore, que marca distintivamente a entrada da casa com a sua monumental escadaria, destacam-se os tetos pintados, as madeiras exóticas que pavimentam as salas, os ornamentos em estuque, da autoria de Benvindo Ceia e, numa nota de modernidade, o elevador da casa e o monta-cargas que liga a cozinha, na cave, e uma das copas do piso térreo, sendo estes mecanismos os primeiros do seu género na região do Algarve.
História
João António Júdice Fialho foi, ao seu tempo, o maior industrial conserveiro do Algarve, sendo conhecido não apenas como empresário de sucesso mas também como homem culto, viajado, filantropo e amante das artes. Para desenhar a sumptuosa residência que pretendia edificar na Quinta do Alto, Júdice Fialho contratou Manuel Joaquim Norte Júnior em 1913, o arquiteto que no ano anterior havia desenhado o palacete de Manuel Belmarço, no centro de Faro.
O programa implantava-se como uma grande unidade palaciana, integrando para além da casa principal outros espaços, como duas casas de porteiros, uma casa de máquinas geradoras de eletricidade, reservatórios de água e espaços exteriores de jardim com painéis de azulejos e fontes. Neste projeto, Norte Júnior abandonou o estilo eclético dos palacetes urbanos implantados no centro da cidade em lotes relativamente pequenos, que durante duas décadas executou em Lisboa, prescindindo do efusivo programa ornamental exterior, dos elementos Arte Nova em ferro forjado ou das assimetrias de volumes e elementos estruturais que lhe são tão características, optando por um desenho grandioso mas sóbrio, de gosto clássico, que aplica exemplarmente as ordens arquitetónicas, reservando os pormenores decorativos para os espaços interiores.
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-FR/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 21-11-2012 da diretora-geral da DGPC
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de concordância de 16-08-2008 da dusdirectora do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 11-06-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 23-11-2007 da DRC do Algarve para a classificação como IIP
Edital N.º 700/04 de 17-12-2004 da CM de Faro
Despacho de abertura de 7-09-2004 do presidente do IPPAR
Proposta de 21-07-2004 da DR de Faro para a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 9-11-1999 da CM de Faro
Número do Processo
Não disponível