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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Convento e Igreja do <i>Corpus Christi</i> (antigos)

Arquitectura Religiosa / Convento

Designação
Designação Atual
Convento e Igreja do <i>Corpus Christi</i> (antigos)
Outras Designações
Convento do Corpus Christi / Convento de Corpus Christi / Igreja de Corpus Christi (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Convento
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A primitiva Igreja do Corpus Christi foi edificada a partir de 1648, sob os auspícios da rainha D. Luísa de Gusmão, em acção de graças após o falhado regicídio de D. João IV, intentado no exacto local da Baixa lisboeta onde se ergue o templo e no decorrer da tradicional procissão do Corpo de Deus, ao qual foi dedicado. O episódio foi rapidamente aproveitado como instrumento de propaganda contra Castela, servindo igualmente para reforçar a tese da protecção divina do reino de Portugal, associada à devoção pelo Santíssimo Sacramento. A capela integrava-se assim num conjunto de obras régias de forte carga ideológica, apresentando-se como um dos primeiros monumentos de celebração do sucesso da Restauração. O convento anexo foi edificado posteriormente, e entregue aos Carmelitas Descalços em 1661, embora as obras se tenham prolongado pelo menos até à primeira década do século seguinte.
Da campanha de obras inicial, concebida por Teodósio de Frias, conhecem-se algumas descrições. Segundo fontes coevas, o templo, de planta quadrada, erguia-se sobre um soco baixo, tendo torre sineira e fachada vazada por pórtico de arcada dupla dando acesso ao portal de feição clássica, enquadrado por duas janelas e encimado por frontão ornado com as armas reais e por um nicho. No interior destacavam-se os alçados marcados por grandes arcos redondos, rematados por cimalha e articulados com as trompas de apoio ao zimbório, as seis tribunas, uma de maiores dimensões, e ainda os mármores de revestimento.
Com o Terramoto de 1755 e o incêndio subsequente, o convento terá sofrido destruição quase total, ficando a igreja muito arruinada, embora possivelmente de pé. A sua reedificação no mesmo local não terá sido decidida de imediato, já que para aí esteve inicialmente prevista a vizinha Igreja de São Nicolau. Quando enfim tomou corpo, a reconstrução, a cargo do arquitecto Remígio Francisco de Abreu, integrou os edifícios na malha ordenada da Baixa Pombalina, e o novo convento, ocupando quase todo o quarteirão, foi parcialmente dividido em lojas e apartamentos para aluguer, destinadas a proporcionar rendimento aos frades.
A igreja oitocentista reproduzirá pelo menos os traços fundamentais do templo original, sendo mesmo possível que tenha incorporado parte da estrutura sobrevivente, suposição permitida pela análise da planta e da sua inserção urbanística, dos alçados internos, com cobertura em cúpula assente igualmente em quatro arcos com cimalha corrida, e de alguns revestimentos marmóreos de embutido largo, muito empregue na arquitectura portuguesa da primeira metade do século XVII (VARELA GOMES, 2001, SOROMENHO, 2004 e RIBEIRO DOS SANTOS, idem). A planta centralizada (quadrado de cantos cortados), que constitui caso único na Baixa Pombalina, conserva o simbolismo de moimento, e até de martyrium, do edifício anterior, evocando o milagre da vitória régia sobre a morte, com uma conotação funerária que fora igualmente aproveitada aquando do sepultamento provisório de D. Luísa de Gusmão, em 1666. O espaço interior esteve dividido em sobrados, sendo hoje possível voltar a admirar a sua grande altura, bem como o esplendor dos mármores brancos, negros e rosa, iluminados pelas oito janelas da cobertura.
A actual frontaria é o resultado de uma série de alterações posteriores à extinção das ordens religiosas e à consequente venda e remodelação do templo e do convento para usos comerciais, nomeadamente o desaparecimento do portal de frontão curvo interrompido da igreja pombalina, de que resta um desenho do século XIX, substituído por três portas de verga recta no piso térreo e igual número de janelas de sacada no segundo andar. As janelas do terceiro andar mantiveram-se, embora com alterações, sendo ainda hoje encimadas pelo frontão contracurvado, único elemento da fachada a recordar a antiga função religiosa, apenas coadjuvado pelo zimbório octogonal que sobressai da regularidade dos telhados pombalinos.
DGPC/2013
Diploma de Classificação
Portaria n.º 628/2013, DR, 2.ª série, n.º 182, de 20-09-2013 (ver Portaria)
Despacho de concordância de 29-08-2013 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 26-08-2013 da Unidade de Coordenação de Classificações da DGPC para alteração da designação para "Convento e Igreja do Corpus Christi (antigos)
Anúncio n.º 2869/2012, DR, 2.ª série, n.º 30, de 10-02-2012 (ver Anúncio)
Despacho de homologação de 12-02-2010 da Ministra da Cultura
Despacho de concordância de 7-11-2007 do director do IGESPAR, I.P.
Parecer de 31-10-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a classificação como IIP
Despacho de abertura de 14-02-2002 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de de 9-01-2002 da DR de Lisboa para a abertura da instrução de processo de classificação do antigo Convento de Corpus Christi
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

ZEP Despacho de 18-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a concordar com o parecer e a devolver o processo à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para apresentar propostas de ZEP individuais, ou conjuntas nos casos em que tal se justifique
Parecer de 10-10-2011 da SPA do Conselho Nacional de Cultura a propor o arquivamento
Proposta de 22-08-2006 da DR de Lisboa para a ZEP conjunta do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente
Afectação 181504
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Localização
Lisboa / Lisboa / Santa Maria Maior
Rua dos Fanqueiros
Lisboa -
Polícia: 113 a 149
Rua de São Nicolau
Lisboa -
Polícia: 2 a 16
Rua dos Douradores
Lisboa -
Polícia: 50 a 94
Rua da Vitória
Lisboa -
Polícia: 1 a 11
LATITUDE
38.711056
LONGITUDE
-9.13635
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1648
1648, sob os auspícios da rainha D.
1661
1661, embora as obras se tenham prolongado pelo menos até à primeira década do século seguinte.Da campanha de obras i...
1666
1666.
1755
1755 e o incêndio subsequente, o convento terá sofrido destruição quase total, ficando a igreja muito arruinada, embo...
2001
2001, SOROMENHO, 2004 e RIBEIRO DOS SANTOS, idem).
2002
2002 do vice-presidente do IPPAR Proposta de de 9-01-2002 da DR de Lisboa para a abertura da instrução de processo de...
2004
2004 e RIBEIRO DOS SANTOS, idem).
2007
2007 do director do IGESPAR, I.P.
2010
2010 da Ministra da Cultura Despacho de concordância de 7-11-2007 do director do IGESPAR, I.P.
2012
2012, DR, 2.ª série, n.º 30, de 10-02-2012 (ver Anúncio)Despacho de homologação de 12-02-2010 da Ministra da Cultura ...
2013
2013, DR, 2.ª série, n.º 182, de 20-09-2013 (ver Portaria)Despacho de concordância de 29-08-2013 da diretora-geral da...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O Convento de Corpus Christi: um caso de estudo", Monumentos, n.º 21, pp. 116-131 SOROMENHO, Miguel, SANTOS, Maria Helena Ribeiro dos Edição 2004 Lisboa
Arquitectura, Religião e Política em Portugal no século XVII - A Planta Centralizada GOMES, Paulo Varela Edição 2001 Porto
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa ATAÍDE, M. Maia Edição 1988 Lisboa
Peregrinações em Lisboa ARAÚJO, Norberto de Edição 1939 Lisboa
Conventos de Lisboa CAEIRO, Baltazar Edição 1989 Lisboa
Mappa de Portugal CASTRO, João Baptista de Edição 1763 Lisboa
História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Vol. II Edição 1804 Lisboa
Dicionário da História de Lisboa Edição 1994 Lisboa

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