Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado na Avenida Saraiva de Carvalho, frente à foz do Rio Mondego, o Edifício dos Paços do Concelho da Figueira da Foz é um imóvel de planta retangular que mantém, grosso modo, o traçado de gosto eclético original.
A fachada principal é formada por cinco corpos, de dois andares cada um, à exceção dos das extremidades, com um piso mais. Estes e o corpo central encontram-se avançados em relação aos intermédios, destacando-se os cunhais em aparelho rusticado. Os onze vãos de cada um dos pisos são retangulares, excetuando os do corpo central, de volta perfeita.
A entrada, revestida no primeiro registo por cantaria rusticada, é marcada pela abertura de três portas, a que correspondem outras tantas no piso seguinte, com a do meio a abrir para uma varanda com balaustres. Este corpo é coroado por corpo uma platibanda cega, interrompida por um corpo retangular, rematado por frontão triangular, onde se exibem as armas da cidade.
A frontaria posterior é rasgada por onze vãos em cada um dos pisos, com arco central. A fachada lateral esquerda encontra-se seccionada por pilastras que definem três corpos abertos por vãos retos nas extremidades e um de volta perfeita ao centro, sendo rematada por frontão triangular, exibindo um relógio no tímpano.
No interior, destaca-se o Salão Nobre, coberto por tetos ornamentados com estuque, e vários frisos e sobreportas também em estuque, com simbologia relacionada com o município. O mobiliário para as sessões foi concebido em conjunto com o edifício.
O espaço exibe, ainda, uma série de peças de outras proveniências, que foram ali colocadas com o intuito de enobrecer a sala, como uma tela de Pedro Alexandrino representando a Aparição da Virgem do Carmelo a Simão Stock, o retrato de Manuel Fernandes Tomás, executado por Gilberto Renda, e o retrato do arqueólogo Dr. Santos Rocha.
História
No último quartel do século XIX, a maioria dos serviços camarários da Figueira da Foz estavam distribuídos por diversos imóveis, espalhados pela cidade, denotando-se então a necessidade de construir um edifício que albergasse todas as funcionalidades necessárias.
Assim, em Julho de 1893 a Câmara abriu concurso para os novos Paços do Concelho, tendo recebido sete propostas. Uma delas foi imediatamente afastada, não chegando sequer a concurso, quatro foram excluídas, e das restantes três, uma das quais da autoria de Ventura Terra, foi selecionado o projeto da dupla de arquitetos italianos Cesare Ianz e F. Giuseppe Fiorentini. Coube a Ianz, autor da fachada do Coliseu de Lisboa ou da reconstrução do Forte da Cruz no Estoril, entre outros, a direção da obra.
O projeto foi entregue na sua forma final apenas em 1894 apresentando muitas alterações relativamente à primeira versão, entre as quais se destaca o revestimento a cantaria das fachadas, apenas cumprido na principal (Cândido: 2001).
O programa do novo edifício previa a instalação das diferentes repartições da câmara e do Museu municipal, ficando no piso térreo o Tribunal e o Cartório, no primeiro andar o Salão Nobre e as salas para o Presidente e Vereadores, bem como o Museu, a Biblioteca ou o Arquivo, e no segundo andar a Escola Industrial, e outros serviços municipais.
Em Maio desse ano iniciaram-se oficialmente as obras de construção, concluídas no final de 1897. O programa decorativo interior é da autoria de Ernesto Korrodi, iniciando-se em 1909.
O edifício foi classificado como de interesse municipal em 2005.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018