Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada no lugar da Quintã, pertencente à freguesia de Soalhães, esta casa solarenga foi edificada no século XVIII numa encosta da Serra da Aboboreira, integrando uma propriedade agrícola com cultivo de vinha e área de mata sobranceira à ribeira do Juncal. O edifício é designado localmente por "Casa grande de Quintã", numa alusão à imponência que apresenta na envolvente paisagística.
A casa, de planta quadrangular, dispõe-se em torno de um pátio interior, dividindo-se em dois pisos. A fachada principal, virada a sudoeste, é marcada por grande escadaria de aparato de acesso ao andar nobre, com uma arcada interior que dá entrada no piso térreo. No andar superior rasga-se o portal principal, ao centro, e a partir deste, abrem-se seis janelas disposta simetricamente, seis para cada lado, as centrais de peito, as duas das extremidades de sacada com guarda de ferro. A estas correspondem, no andar inferior, duas portas. Na fachada lateral esquerda ergue-se uma torre com remate piramidal, que se eleva dois andares em relação à casa.
O interior obedece à divisão tipificada da arquitetura solarenga setecentista; o piso térreo reserva-se às áreas de serviço da casa, o piso superior, considerado o "andar nobre", alberga os espaços sociais e privados dos habitantes. Apesar de estar atualmente adaptada a funções turísticas, a casa mantém as divisões primitivas, apresentando salas cobertas por tetos de masseira com aplicações de talha, paredes revestidas a tecido, ou molduras e sanefas de madeira decorando os vãos de entrada.
No referido pátio interior ergue-se um chafariz de taça com tanque circular polilobado, antecedido por degraus e rematado por pináculos.
À direita do edifício foi erigida a capela de planta retangular, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. O interior é de nave única de teto abobadado em madeira, com coro-alto e retábulo neoclássico dourado e branco. O coro tem acesso ao interior da casa, sendo originalmente o local onde a família proprietária assistia aos serviços litúrgicos.
A quinta, delimitada por cerca murada de pedra, integra ainda os edifícios do pombal e do alambique, um celeiro e armazéns, as ruínas de um edifício localizado à entrada do conjunto, um jardim de buxo em composição geométrica e uma fonte monumental.
História
O lugar da Quintã de Soalhães está registado documentalmente desde o reinado de D. Afonso III, e sabe-se que em 1504 D. Manuel I confirmou a posse das terras que lhe correspondiam aos, então, proprietários. O solar que hoje se ergue na propriedade foi construído na primeira metade do século XVIII, estando concluído em 1742; seguiu-se-lhe a edificação da capela adjacente, terminada ao longo da década seguinte.
A casa, referida nas monografias regionais como a mais "notável pela grandeza e architectura" do concelho de Marco de Canaveses (Leal: 1875), é atualmente uma unidade de turismo rural.
Catarina Oliveira
DGPC, 2016
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 131/2016, DR, 2.ª série, n.º 96, de 18-05-2016 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 13-04-2016 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 29-03-2006 da DRC do Norte para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Pedido de parecer de 13-01-2016 da CM de Marco de Canavezes sobre a eventual classificação como de IM
Deliberação de 23-12-2015 da CM de Marco de Canavezes a aprovar a classificação como de IM, após requerimento de 28-10-2015 do proprietário
Número do Processo
Não disponível