Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Implantado no centro da Vila da Ponte, junto do pelourinho, o Solar dos Araújo Coutinho está integrado numa quinta murada, de que fazem também parte vários edifícios de apoio agrícola.
A casa, edificada no século XVII, desenvolve-se numa planta em L, com fachada de dois pisos que apresenta um programa perfeitamente harmónico; marcado ao centro pela disposição da porta principal, com lintel de pedra, encimado por duas janelas de sacada geminadas com varanda comum, em pedra e ferro forjado, o frontispício ostenta a cada lado uma fenestração no andar térreo e duas no superior, rasgadas de forma simétrica. O conjunto é rematado por frontão curvo com brasão de armas dos Coutinho.
O espaço interior mantém a distribuição seiscentista original, destacando-se o átrio principal, com escadaria de dois lanços, bem como os painéis de azulejos de padrão, painéis de brocados e pinturas murais que revestem alguns espaços do andar nobre.
No perímetro da quinta, que se estende no espaço posterior do solar, existe um jardim, com arbustos, árvores ornamentais, mesas e bancos de pedra. Em torno distribuem-se as casas de caseiro e os espaços de apoio agrícola, como lagares, eiras, bem como uma rede de canais hidráulicos em pedra, com tanques e nora, para irrigação da propriedade.
História
O Solar dos Araújo Coutinho terá sido edificado no século XVII, apresentando "uma tipologia híbrida, muito próxima do universo vernacular em que se insere, mas sujeita a um esforço de nobilitação que se deve mais à qualidade construtiva e à escala, do que à utilização de gramática erudita saída da tratadística." (Proposta de reclassificação, DRCN: 2012). O edifício foi, pressupostamente, erigido sobre as ruínas de um edifício medieval, pertencente aos Condes da Lapa.
Embora a propriedade tivesse mantido a atividade agrícola, a estrutura do solar foi entrando em decadência ao longo do último quartel do século XX. No ano de 2004, perante o avançado estado de ruína, o proprietário encetou uma profunda obra de recuperação do espaço, que manteve a traça original, respeitando as suas características solarengas de cariz vernacular.
Em 2008 a Câmara Municipal de Sernancelhe classificou o imóvel como de interesse municipal, atendendo ao seu valor arquitetónico como exemplar representativo da casa nobre beirã. No ano de 2013, o Solar dos Araújo Coutinho foi reclassificado como monumento de interesse público, pelo facto de conservar um elevado grau de autenticidade, constituindo "exemplo de um dos modelos de arquitetura rural tradicional que marcaram o ordenamento do território pré-industrial".
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
Portaria n.º 262/2013, DR, 2.ª série, n.º 90, de 10-05-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13811/2012, DR, 2.ª série, n.º 248, de 24-12-2012 (ver Anúncio)
Parecer de 17-12-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 11-1-2005 do presidente do IPPAR
Número do Processo
Não disponível