Nota Histórico-Artistica
Sítio
O cromeleque do Xerez localizava-se, originalmente, a aproximadamente de 5 km a Sul de Monsaraz, em frente ao monte do Xerez, no centro de um pequeno vale, limitado por duas linhas de água, muito próximo do rio Guadiana e a cerca de 300 m da anta do Xerez de Baixo.
Identificado em 1969, este cromeleque apresenta uma planta algo singular no denominado "universo megalítico eborense".
De facto, a planta deste recinto é problemática, uma vez que os menires, com exceção do central, foram identificados tombados e deslocados da sua posição original. Assim, a morfologia subquadrangular ou retangular com menir central de grandes dimensões (cerca de 3,60 m de altura) que o recinto atualmente apresenta resulta de uma interpretação de alguns dos investigadores que estudaram o sítio.
Os cinquenta e cinco menires que atualmente constituem este monumento encontram-se bastante fraturados e foram talhados em diferentes tipos de granitos de proveniência local, apresentando morfologias muito variadas (ovoides, ligeiramente achatados, cilíndricas, subquadrangulares, cónicas ou poliédricas) e comprimentos que oscilam entre 0,37 m e 2,10 m, com predomínio para os elementos de pequena dimensão (altura inferior a 1,20 m). Um conjunto de sete menires, no qual se inclui o elemento central, foram decorados com diferentes motivos, nomeadamente covinhas, báculos e formas geométricas circulares, com fortes semelhanças aos motivos identificados noutros monumentos do mesmo tipo na região.
História
O monumento foi descoberto em 1969 tendo sido sujeito a uma intervenção que visou a sua reconstituição original. No entanto, esta intervenção não terá seguido critérios propriamente científicos, baseando-se o autor - José Pires Gonçalves -, no pressuposto de que as "covinhas" presentes num dos menires representariam a sua disposição primitiva.
Actualmente, e na sequência da criação da barragem do Alqueva que causou a inundação dos terrenos da área arqueológica, o cromeleque foi deslocado para outra zona do concelho de Monsaraz, próximo do Convento da Orada (aldeia do Telheiro) um imóvel igualmente classificado. Refira-se que em 1998, no âmbito da minimização de impactes patrimoniais decorrentes da construção da Barragem do Alqueva, Mário Varela Gomes procedeu à escavação da área de implantação do cromeleque, tendo identificando um conjunto diversificado de materiais arqueológicos muito fragmentados, nomeadamente artefactos líticos (trapézios, furadores, lamelas e lascas em sílex, xisto silicioso, quartzo e quartzito), percutores, moventes, dormentes e alguns fragmentos de recipientes cerâmicos como taças decoradas com impressões.
A complexidade arquitetónica do recinto, as decorações dos menires e os materiais arqueológicos recolhidos, colocam a hipótese das primeiras fases de construção se enquadrarem no Neolítico antigo e médio, com remodelações no Neolítico final (colocação do grande menir central) e eventuais reutilizações ao longo do Calcolítico.
Sílvia Leite/DIDA-IGESPAR/2009, atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2019.
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Número do Processo
Este conjunto megalítico situa-se a c. de 300 m a Norte da Herdade do Xerez, à qual se acede pela EN 256 que parte de Reguengos de Monsaraz para Mourão.