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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Estação arqueológica situada na Herdade da Sala (Gruta do Escoural)

Arqueologia / Gruta - Itinerários Arqueológicos do Alentejo E Algarve

Designação
Designação Atual
Estação arqueológica situada na Herdade da Sala (Gruta do Escoural)
Outras Designações
Tipologia
Gruta - Itinerários Arqueológicos do Alentejo E Algarve
Itinerário Temático
Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O sítio arqueológico do Escoural integra um santuário rupestre ao ar livre datado do neolítico final, um povoado fortificado da Idade do Cobre, um tholos ou sepulcro megalítico e uma gruta. Embora o processo de classificação tenha sido desenvolvido com a designação de estação arqueológica, a gruta é de facto o seu ponto fulcral, e o único elemento classificado do conjunto (o Tholos do Escoural encontra-se em vias de classificação).
A Gruta do Escoural constitui uma cavidade natural formada num afloramento granítico implantado numa vasta faixa de calcários, numa zona de verdadeira encruzilhada localizada entre as bacias hidrográficas do Tejo e do Sado e a peneplanície alentejana. Encontrando-se parcialmente selada por um espesso manto estalagmítico, é constituída por várias salas e galerias que atestam, grosso modo, cerca de 50 000 anos de História, ilustrados pelas representações gráficas realizadas no seu interior.
A primeira ocupação remonta ao Paleolítico Médio, quando grupos de caçadores-recolectores neanderthalenses utilizaram a Gruta como abrigo temporário durante a prática da caça, cujo alvo principal seria, entre outros, o auroque, o veado e o cavalo, a julgar pelos vestígios osteológicos aí encontrados. Durante o Paleolítico Superior (35 000-8 000 a.C.), o espaço da Gruta sofreu um reaproveitamento, surgindo, então, um santuário rupestre concebido por grupos anatomicamente considerados modernos. Data precisamente desta época a utilização das paredes do seu interior como suporte de realização de diversos motivos artísticos, inseridos no vasto universo da denominada "Arte Pré-histórica".
No epicentro destas representatividades encontra-se sempre o elemento faunístico, com especial destaque para os equídeos e os bovídeos, geralmente pintados a negro. Está ainda presente um outro conjunto de componentes realizado a encarnado, com uma carga simbólica que muito dificilmente poderemos interpretar, pelo facto de se conectarem, muito provavelmente, a uma imagética e espiritualidade muito próprias, das quais se perderam, há muito, os registos.
Foi, contudo, somente com a emergência do Neolítico (5 000 a.C.-3 000 a.C.), que a Gruta foi transformada em cemitério das comunidades de agricultores e pastores localizadas nas suas imediações. O ritual funerário é composto de deposição, à superfície, do morto no seu interior, acompanhado de espólio constituído por diversos artefactos, tais como vasos cerâmicos, machados e enxós em pedra polida, lâminas e lamelas em sílex, além de diferentes tipos de adornos realizados em osso e concha.
Terão sido estes mesmos grupos populacionais que, aproveitando as lajes calcárias do exterior da Gruta, gravaram diversos motivos esquemáticos e animais estilizados, formando um santuário rupestre ao ar livre no cerro que se lhe sobrepõe.
Quando, no final do Neolítico, a Gruta foi encerrada, o seu espaço começou a ser habitado por comunidades do Calcolítico (2 000 a.C.), construindo-se um povoado fortificado, assim como um tholos megalítico de falsa cúpula, situado a uma distância de cerca de 600 metros, caracterizado por câmara circular, corredor e átrio de acesso ao seu interior.
Os diferentes espólios encontrados, quer em contexto habitacional, quer funerário, parecem evidenciar a prática agrícola, pastorícia e mineira destas populações.
Tendo sido descoberta ocasionalmente a 17 de Abril de 1963, deu-se de imediato início a uma campanha de escavações da responsabilidade do Museu Nacional de Arqueologia, ao mesmo tempo que o sítio era classificado como "Monumento Nacional" em 25 de Outubro do mesmo ano, e adquirido pelo Estado Português em 1998.
AMartins / FMM, IGESPAR, I.P., 11.08.2011
Diploma de Classificação
Decreto n.º 45 327, DG, I Série, n.º 251, de 25-10-1963 (ver Decreto)
Número do Processo
Lugar da Fonte Nova. O acesso à Gruta faz-se pela EN 370 que liga a povoação de Santiago do Escoural, da qual dista cerca de 2 km, ao entroncamento com a EN 114 (Montemor-o-Novo-Évora).
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Évora / Montemor-o-Novo / Santiago do Escoural
Herdade da Sala, Lugar da Fonte Nova
Santiago do Escoural -
Polícia:
LATITUDE
38.543481
LONGITUDE
-8.137636
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1963
1963 (ver Decreto) O sítio arqueológico do Escoural integra um santuário rupestre ao ar livre datado do neolítico fin...
1998
1998.
2011
2011
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Gruta do Escoural: Necrópole Neolítica e Arte Rupestre Paleolítica ARAÚJO, Ana Cristina, LEJEUNE, Marylise Edição 1995 Lisboa
Descobertas de arte rupestre na Gruta do Escoural MONTEIRO, Jorge Pinho, GOMES, Mário Varela, SANTOS, Manuel Farinha dos Edição
Gruta do Escoural. Arte Parietal GOMES, Mário Varela Edição Lisboa
A ceramica cardial da Gruta do Escoural I SANTOS, Manuel Farinha dos Edição
Manifestações neoliticas no contexto dos testemunhos pre-historicos do Outeiro da Herdade da Sala (Escoural, Montemor-o-Novo, Portugal) SANTOS, Manuel Farinha dos Edição
Escoural - Uma gruta pré-histórica no Alentejo SILVA, António Carlos Edição 2011
"Recherche à la grotte d'Escoural: apports pour la conservation des tracés préhistoriques", Revista Património - Estudos, nº8, pp.130-137 MALAURENT, Philippe, BRUNET, Jacques Edição 2005 Lisboa

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