Nota Histórico-Artistica
Com vestígios de ocupação humana que remontam ao Paleolítico - a exemplo da "Estação arqueológica do Casal do Monte" -, o actual município de Loures mereceu sempre uma atenção especial por parte dos pioneiros da Arqueologia portuguesa (RAPOSO, L., 1993, p. 149), designadamente de figuras de proa da Commissão dos Serviços Geológicos, criada em meados de oitocentos. Além disso, a procura deste território por parte de diferentes comunidades ao longo de milénios seria facilmente explicada pela diversidade dos recursos cinegéticos que oferecia.
O interesse pelos vestígios arqueológicas deste termo seria, ademais, retomado, já na década de sessenta de novecentos, em grande parte na sequência dos trabalhos entretanto desenvolvidos pela investigadora alemã Vera Leisner, quem, a par de Georg Leiner, chegou ao nosso país em plena II Guerra Mundial. Os trabalhos então conduzidos no terreno foram essencialmente da responsabilidade (sobretudo a partir de 1940) do geólogo, paleontólogo e arqueólogo de nacionalidade francesa, mas de origem russa, Georges Zbyszewski (1909-1999), no quadro de actividades realizadas no âmbito de uma das sub-direcções gerais da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos, os "Serviços Geológicos de Portugal", designadamente no que respeitava ao reconhecimento e caracterização das formações quaternárias no actual território português (RIBEIRO, J. P. C., 1990, pp. 39-40), efectuados de par com os pré-historiadores Octávio da Veiga Ferreira (1917-1997) e José Camarate Andrade França (1923-1963) (Cf. FERREIRA, O. da V., LEISNER, V. e ZBYSZEWSKI, G., 1969).
Essencialmente estudado já em 1961, o "Monumento Megalítico de Casaínhos" foi erguido em pleno Neo-Calcolítico estabelecido para esta região do actual território português, num momento em que se registava uma actividade agrícola perfeitamente implantada (JORGE, S. O., 1990, p. 183), e se assistia "[...] à proliferação de ocupações concentradas em povoados de altura, com excelentes condições de defesa, aliás na tradição do Neolítico final da região [Estremadura]." (Id., Ibid., p. 183).
Dispondo de câmara funerária de planta poligonal, de cujos primitivos esteios remanescem apenas dois in situ, o dólmen (ou "anta", como será mais conhecido entre as populações locais) possui corredor de acesso com nicho lateral, tendo fornecido, para além de vestígios osteológicos dos inumados no seu interior, abundante material associado, com destaque para os líticos (a exemplo de uma ponta de seta em sílex) e pequenas contas de colar executadas em xisto e calcário, a par dos sempre presentes fragmentos cerâmicos.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Edital de 29-10-1973 da CM de Loures
Despacho de homologação de 27-10-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 16-10-1970 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como MN
Número do Processo
Não disponível