Nota Histórico-Artistica
O sítio arqueológico da uilla romana de Pisões situa-se na Herdade da Almagrassa, a cerca de 10 km a Sudoeste da cidade de Beja.
Acidentalmente descoberta em 1967 durante a realização de alguns trabalhos agrícolas, deu-se de imediato início à sua investigação arqueológica, sendo classificado como "Imóvel de Interesse Público" (IIP), em 1970.
Ocupada no período romano entre os séculos I a.C. e IV d.C., principalmente devido à riqueza cinegética da região, viabilizadora de uma acentuada exploração agrícola, pecuária e mineira, cujos produtos se destinariam ao abastecimento de diversos mercados, a uilla encontra-se parcialmente escavada, sobretudo na área correspondente à residência dos proprietários. Apresentando mais de quarenta divisões centradas num peristilo, acedia-se a este edifício através de um longo corredor. Estes compartimentos eram essencialmente caracterizados pela sua riqueza decorativa, designadamente na denominada pars urbana, cuja fachada porticada virada a sul abriria para um tanque de dimensões assinaláveis, o natatio.
A proximidade da barragem de Pisões em articulação com o conjunto edificado da uilla, teria como principal finalidade abastecer de água os tanques, piscina e termas existentes na propriedade. Na verdade, o edifício termal constitui um dos mais relevantes exemplares de termas privadas romanas encontrados no actual território português, tendo sido construído em duas fases, certamente de modo a concretizar a edificação de todas as estruturas a ele inerentes: o apodyterium (onde os frequentadores se untavam e praticavam exercícios físicos); o laconicum (sauna); o strigilus (onde procediam à raspagem da gordura dos seus corpos); o alveus do caldarium (onde tomavam banho num tanque de água quente) e, finalmente, as zonas do tepidarium e do frigidarium.
A par da pars urbana, encontravam-se a pars rustica e a pars fructuaria, abrangendo as estruturas habitacionais dos serviçais, armazéns, lagares, celeiros e de transformação dos produtos agrícolas e frutíferos.
No entanto, este sítio arqueológico será, provavelmente, mais conhecido pelo conjunto de mosaicos encontrados, verdadeiramente assinalável no panorama nacional, tanto pelo eclectismo e riqueza da sua iconologia, apresentando composições geométricas e naturalistas, como pela qualidade da sua execução, desde os mais antigos, monocromáticos, até aos mais recentes, já policromados.
No âmbito do programa de valorização em curso pelo IPPAR, procedeu-se à requalificação da vedação da área arqueológica e iniciaram-se trabalhos de conservação e restauro da pintura mural e mosaicos, prevendo-se igualmente o restauro da piscina.
Por outro lado, decorrem negociações com vista à celebração de um acordo entre o IPPAR e a Universidade de Évora relativamente à gestão dos terrenos anexos ao sítio arqueológico, bem como à assinatura de um outro de comodato com a CP para instalação da casa do guarda num antigo edifício de cheminot, no âmbito da filosofia de intervenção nos monumentos arqueológicos visitáveis, tendente a criar infra-estruturas imprescindíveis à valorização estética da sua envolvente. Entretanto, já foi inaugurado o Centro Interpretativo e de Acolhimento de visitantes, assim como a instalação de sinalética e a valorização do percurso de visita e arranjo paisagístico.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (ver Decreto)
Número do Processo
Situa-se nas proximidades de Beja, na saída para Aljustrel pela EN 18.