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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Penas Róias

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Penas Róias
Outras Designações
Castelo de Penas Róias (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Apesar do ruinoso estado actual, o castelo de Penas Róias foi uma mais importantes fortaleza medieval de Trás-os-Montes e o papel que desempenhou no século XII (período de afirmação do nascente reino de Portugal perante o Islão mas também face ao seu vizinho leonês) foi fundamental na defesa desta zona raiana. Desconhecemos ainda as origens da sua ocupação e consequente tutela sobre o território envolvente. No local foram identificados numerosos materiais proto-históricos, que poderão ter correspondência com um eventual povoado fortificado (que, por sua vez, parece alargar-se a zonas vizinhas, como a área do Valado, no sopé da encosta onde o castelo se implanta, e o abrigo rupestre da Fraga da Letra) (ipa, on-line, em 31/3/2005). Após esta ocupação (que se pressupõe ter sido relativamente densa), assiste-se a um vazio romano, sintoma de que o local não foi atractivo nesse novo quadro organizativo, ao contrário de muitos outros povoados fortificados proto-históricos, que sabemos terem sido romanizados.
A Alta Idade Média continua o vazio e só voltaremos a encontrar referências ao local e vestígios materiais de ocupação no século XII, ou um pouco antes. Em 1145, sabemos que Penas Róias foi doada aos Templários por Fernão Mendes de Bragança, ao tempo tenens da Terra de Bragança, circunscrição na qual a localidade estava inserida. Este facto sugere que, por essa altura, já existiria um reduto defensivo de alguma importância, pois, de outra forma, não se justificaria a doação aos Templários. A ser assim, poderá ganhar nova relevância os vestígios de torreões de planta circular, que ainda se encontram nos vértices do castelo. Estes elementos não são comuns na nossa arquitectura militar medieval setentrional (que optou, na maioria dos casos, por torres de planta quadrangular) e podem estar associados a uma fase construtiva mais ligada à realidade leonesa (lembramos que os castelos da margem direita do rio Côa optaram sistematicamente por esta solução). Os estudos mais recentes de Mário Barroca, apesar de sugerirem uma anterioridade dos torreões circulares de Penas Róias em relação à obra templária (BARROCA, 2000, CD-ROM), não os ligam à arquitectura leonesa, mas sim a uma superior qualidade construtiva, uma vez que só as plantas quadrangulares e rectangulares dispensavam a actividade de um verdadeiro arquitecto (BARROCA, 2003, p.109).
A construção templária está confirmada por uma epígrafe datada de 1172 - e não 1166, como tradicionalmente se supõe (GOMES, 2003, p.133). Integrada na torre de menagem, encontra-se em muito mau estado e as regras inferiores apresentam inúmeros problemas de leitura, mas é ainda possível reconhecer a data que pretende comemorar: Era 1210 (ano de 1172) ou Era 1219 (ano de 1182) (BARROCA, 2000, pp.376-378). Francisco Manuel ALVES, 1940 e Cordeiro de SOUSA, 1948, pretenderam ver nela o nome do mestre templário Gualdim Pais, mas tal não é inteiramente verificável. Do que não parecem restar grandes dúvidas é de que a campanha contou com o seu patrocínio directo. A torre insere-se num amplo processo de construção de castelos românicos templários no país, todos comemorados por epígrafes (Tomar, Longroiva, Almourol, entre outros) e todos empreendidos por Gualdim Pais. De planta quadrangular inserida no centro do pátio muralhado, é o único elemento monumental remanescente, e possuía, pelo menos, três pisos, sendo o acesso ao interior efectuado por porta elevada, feito através de escada amovível.
Penas Róias teve muralha, ainda desenhada por Duarte d'Armas no início do século XVI. Nessa altura, há muito os Templários haviam trocado a fortaleza por territórios mais a Sul, na Beira Interior (Idanha-a-Velha, em 1197, e uma parcela junto a Vila Velha de Ródão, em 1199), mas o castelo dominava ainda um pequeno povoado, ligeiramente afastado dele. Dois séculos e meio depois, todavia, o panorama era já desastroso, não restando qualquer parede da muralha exterior do recinto (cf. GOMES, 2003, p.135).
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 34 452, DG, I Série, n.º 59, de 20-03-1945 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12220649
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Bragança / Mogadouro / Penas Roias
- -
Penas Roias -
Polícia:
LATITUDE
41.392275
LONGITUDE
-6.654304
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1145
1145, sabemos que Penas Róias foi doada aos Templários por Fernão Mendes de Bragança, ao tempo tenens da Terra de Bra...
1166
1166, como tradicionalmente se supõe (GOMES, 2003, p.133).
1172
1172 - e não 1166, como tradicionalmente se supõe (GOMES, 2003, p.133). I
1182
1182) (BARROCA, 2000, pp.376-378).
1197
1197, e uma parcela junto a Vila Velha de Ródão, em 1199), mas o castelo dominava ainda um pequeno povoado, ligeirame...
1199
1199), mas o castelo dominava ainda um pequeno povoado, ligeiramente afastado dele.
1210
1210 (ano de 1172) ou Era 1219 (ano de 1182) (BARROCA, 2000, pp.376-378).
1219
1219 (ano de 1182) (BARROCA, 2000, pp.376-378).
1940
1940 e Cordeiro de SOUSA, 1948, pretenderam ver nela o nome do mestre templário Gualdim Pais, mas tal não é inteirame...
1945
1945 (ver Decreto) Apesar do ruinoso estado actual, o castelo de Penas Róias foi uma mais importantes fortaleza medie...
1948
1948, pretenderam ver nela o nome do mestre templário Gualdim Pais, mas tal não é inteiramente verificável. Do
2000
2000, CD-ROM), não os ligam à arquitectura leonesa, mas sim a uma superior qualidade construtiva, uma vez que só as p...
2003
2003, p.109).A construção templária está confirmada por uma epígrafe datada de 1172 - e não 1166, como tradicionalmen...
2005
2005).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Castelos da Raia Vol. II:Trás-os-Montes GOMES, Rita Costa Edição 2003 Lisboa
"O Abrigo do Buraco da Pala (Mirandela) no contexto da Pre-Historia Recente de Tras-osMontes e Alto Douro", Trabalhos de Antropologia e Etnologia SANCHES, Maria de Jesus Edição 1997 Porto
Pré-História recente no Planalto Mirandês (Leste de Trás-os-Montes) SANCHES, Maria de Jesus Edição 1992 Porto
"Pinturas esquemáticas de Penas Róias", Arqueologia, nº3, pp.43-48 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, MOURINHO, António Maria Edição 1981 Porto
Apontamentos arqueológicos LOPO, Albino dos Santos Pereira Edição 1987 Lisboa
Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental, 6 vols., Dissertação de Doutoramento apresentada à Universidade do Minho LEMOS, Francisco Sande Edição 1993 Braga
"O castelo de Algoso. Do domínio régio ao senhorio hospitalário", Património - Estudos, nº7, pp.178-191 TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes Edição 2004 Lisboa
O Leste do Território Bracarense NETO, Joaquim Maria Edição 1975 Torres Vedras
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: arqueologia, etnografia e arte ALVES, Francisco Manuel Edição 1934 Porto
"O castelo de Penas Róias, fundado pelos Templários nos inícios da nacionalidade portuguesa", Anais da Academia Portuguesa de História, vol. 3, pp.55-61 ALVES, Francisco Manuel Edição 1940 Lisboa
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
"A Ordem do Templo e a arquitectura militar portuguesa do século XII", Portugália, vol. XVII-XVIII, pp.171-209 BARROCA, Mário Jorge Edição 1997 Porto
"Castelo de Penas Róias", Do Douro Internacional ao Côa. As raízes de uma fronteira, CD-ROM BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Porto
"Da Reconquista a D. Dinis", Nova História Militar de Portugal, vol. I, pp.21-161 BARROCA, Mário Jorge Edição 2003 Lisboa
"Catálogo dos monumentos e sítios arqueológicos do Planalto Mirandês (Pré-História)", Brigantia, vol. 13, nº3/4, pp.193-233 MARCOS, Domingos dos Santos Edição 1993 Bragança
Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes VERDELHO, Pedro Edição 2000 Chaves
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
"Inscrições dos séculos VII a XII existentes em Portugal", Ethnos, vol. III SOUSA, J. M. Cordeiro de Edição 1948 Lisboa

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