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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Flor da Rosa (ruínas), compreendendo o túmulo de D. Álvaro Gonçalves Pereira

Arquitectura Religiosa / Mosteiro

Designação
Designação Atual
Igreja da Flor da Rosa (ruínas), compreendendo o túmulo de D. Álvaro Gonçalves Pereira
Outras Designações
Mosteiro de Flor da Rosa / Igreja de Flor da Rosa / Paço de Flor da Rosa / Pousada da Flor da Rosa (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Mosteiro
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Este mosteiro hospitalário é um dos mais importantes monumentos góticos nacionais e foi já considerado a "mais importante igreja-fortaleza portuguesa" (PEREIRA, 1995, vol. I, p.389), tipologia assim designada por Mário Chicó para catalogar os templos trecentistas constituídos por "torres cruciformes" (CHICÓ, 1954, p.115). Não é só ao nível das características planimétricas e volumétricas que Flor da Rosa é importante; ele possui uma imensa carga simbólica, na medida em que foi concebido como igreja, mosteiro e paço, sede da Ordem do Hospital no nosso país, no seu percurso em direcção ao Sul.
O início da construção situa-se por volta de 1340, altura em que o então grão-prior do Hospital, D. Álvaro Gonçalves Pereira, determinou o arranque do estaleiro, eventualmente aproveitando as instalações de um anterior cenóbio no local (PEREIRA, 1995, p.389). A igreja é a mais importante peça, ocupando a metade nascente do monumento. Ela dispõe-se lateralmente em relação à fachada principal e tem acesso através de um átrio de abóbada abatida estrelada, reconstruída pela DGEMN na década de 40 do século XX. O templo apresenta planta em cruz grega, de braços desiguais (com capela-mor pouco profunda contrastante com o grande desenvolvimento dos braços do transepto), e impõe-se pela sua verticalidade, que é sublinhada pela robustez, despojamento e carácter maciço das paredes. O cruzeiro, coberto por abóbada de cruzaria de ogivas, é à mesma altura dos restantes espaços, o que reforça a unidade espacial da igreja.
Durante as épocas moderna e contemporânea, o conjunto perdeu uma significativa parte das suas características originais. Ainda assim, a reconstituição de alçados e de volumes executada por Jorge Rodrigues e Paulo Pereira prova como Flor da Rosa, mais que um mosteiro ou um paço, era "um autêntico castelo com altas torres ameadas coroadas por adarves e providas de dispositivos de protecção militar" (RODRIGUES e PEREIRA, 1986, p.83). Para a realização de uma obra assim singular, sem referentes no panorama gótico nacional, muito terão contribuído as determinantes cistercienses e mendicantes, no fundo realidades construtivas bem definidas cujos modelos foram tantas vezes seguidos durante a Baixa Idade Média. É à luz das determinantes cistercienses que se explicam a cabeceira quadrangular e a quase total ausência de decoração do interior, agravada pela inexistência de colunas ou de capitéis (IDEM, p.89).
O claustro foi substancialmente transformado no século XVI. Do período original, conserva ainda partes significativas, embora algo descontínuas (visíveis em alguns vãos desenhados mas nunca abertos), o que levou RODRIGUES e PEREIRA, 1987, p.194 a identificarem hesitações no programa. Uma das características mais importantes da quadra é a existência de pontos de apoio de uma galeria superior, em madeira, que, por sua vez, dava acesso a algumas dependências elevadas das alas monacais que rodeavam o claustro. Ao que tudo indica, este espaço não foi integralmente construído no século XIV e são vários os vestígios de uma posterior tentativa de "cobertura das alas (...) e de sustentação da galeria", obras provavelmente levadas a cabo no século XV (IDEM, pp.196-197).
As primeiras décadas do século XVI marcam uma importante fase na vida do Mosteiro. Para além da reformulação e conclusão das obras do claustro, realizaram-se numerosas outras no paço e na igreja, incluindo o túmulo de D. Diogo de Almeida. O facto de se cruzarem vocabulários artísticos manuelinos, mudéjares e renascentistas, faz supor da existência de várias campanhas, ao longo de praticamente toda a primeira metade do século.
Arruinado o paço em 1615, conforme nos descreve Pedro Nunes Tinoco, uma parte importante da igreja desabou em 1897. Entre os anos 40 e 60 do século XX, o monumento foi integralmente restaurado pela DGEMN e adquiriu a forma actual na década 90, altura em que o conjunto foi transformado em pousada, por projecto do Arq. Carrilho da Graça.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 524/97, DR, I Série-B, n.º 167, de 22-07-1997 (sem restrições) (ver Portaria)
Afectação 9913829
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Portalegre / Crato / Crato e Mártires, Flor da Rosa e Vale do Peso
- -
Crato -
Polícia:
LATITUDE
39.30672
LONGITUDE
-7.648
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1340
1340, altura em que o então grão-prior do Hospital, D. Á
1615
1615, conforme nos descreve Pedro Nunes Tinoco, uma parte importante da igreja desabou em 1897.
1897
1897.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Este mosteiro hospitalário é um dos mais importantes monumentos gótico...
1954
1954, p.115).
1986
1986, p.83).
1987
1987, p.194 a identificarem hesitações no programa. U
1995
1995, vol.
8
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
D. Nuno Álvares Pereira e o Mosteiro Fortaleza de Flor da Rosa SALVADO, António Edição 1987 Castelo Branco
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico) DIAS, Pedro Edição 1986 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Paços Medievais Portugueses SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1995 Lisboa
"A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
"O Mosteiro de Flor da Rosa", História, nº22/23, pp.81-91 PEREIRA, Paulo, RODRIGUES, Jorge Edição 1980 Lisboa
Flor da Rosa e o Mosteiro. Catálogo da exposição PEREIRA, Paulo, RODRIGUES, Jorge Edição Crato
Santa Maria da Flor da Rosa. Um estudo de História de Arte PEREIRA, Paulo, RODRIGUES, Jorge Edição 1986 Crato
O Mosteiro da Flor da Rosa PEREIRA, Paulo, RODRIGUES, Jorge Edição 2008 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre) KEIL, Luís Edição 1943 Lisboa
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
A Flor da Rosa JORGE, João Miguel Fernandes Edição 2000 Lisboa
"O Mosteiro da Flor da Rosa", Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila do Conde, nov. sér., vol. 14 NEVES, Joaquim Pacheco Edição 1994 Vila do Conde
Amieira do antigo Priorado do Crato. Subsídios para uma monografia (1936) SOUSA, Tude Martins de, RASQUILHO, Francisco Vieira Edição 1982 Lisboa
"Algumas vilas, igrejas e castelos do antigo Priorado do Crato (Crato; Flor da Rosa; Amieira)", Arqueologia e História, vol. 8 SOUSA, Tude Martins de Edição 1930 Lisboa
Pousada de Flor da Rosa Edição 1995 Lisboa
Mosteiro de Flor da Rosa Edição 2009 Lisboa

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