São Martinho de Mouros é uma das mais originais igrejas românicas portuguesas, pelas soluções construtivas empregues que lhe conferem um estatuto único na produção arquitectónica nacional dos séculos XII e XIII.
O tratamento da fachada principal, e genericamente do sector ocidental do templo, é a marca diferenciada do projecto. A frontaria integra uma verdadeira torre defensiva de dois andares, adelgaçada no registo superior e dotada de banda lombarda a suportar cornija que antecede a área sineira, esta ainda mais estreita que a restante estrutura. O portal axial é de arco apontado, aberto na caixa murária e composto por quatro arquivoltas, sendo a exterior uma moldura de enxaquetados. O projecto original incluía um desaparecido alpendre, de que restam as mísulas de suporte do telhado. No interior, esta torre é suportada por três altos e apertados arcos de volta perfeita, de perfil harmónico, que parecem dotar o corpo do templo de três naves, o que não corresponde à realidade. Têm correspondência com contrafortes laterais, facto que sublinha a robustez do plano. É possível que o espaço formado pela torre, verdadeiro narthex, fosse inicialmente sobradado, o que diferenciaria funcionalmente os compartimentos inferior e superior, mas nada se pode adiantar.
As restantes parcelas do monumento obedecem a uma concepção volumétrica mais comum no nosso românico, com nave única relativamente estreita e capela-mor quadrangular, mais baixa que o corpo e acessível por arco triunfal apontado. Aqui existe uma inscrição de 1217, ano que poderá corresponder à conclusão das obras.
Na viragem para o século XVI, o interior do monumento foi enriquecido com séries de pintura mural, de que se conservam importantes vestígios a ladear o arco triunfal, concretamente a representação de São Martinho, com os seus atributos e a mão direita abençoando. Novas obras tiveram lugar nos séculos XVII e XVIII, em particular a feitura do retábulo-mor, de talha dourada com segmentação interna em colunas torsas.
No século XX, a igreja foi um dos muitos monumentos restaurados pela DGEMN. O essencial dos trabalhos ocorreu na década de 40 (com novas empreitadas nas de 60 e 70) e pautou-se pela reconstrução de inúmeros elementos, como cachorros, silhares, tectos e estruturas de acesso à torre, adulterações que correspondem, hoje, à imagem que temos do monumento: uma igreja dos séculos XII-XIII, remodelada no XX.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8 175, DG, I Série, n.º 110, de 3-06-1922 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional
ZEP
n/a
Afectação
9823125
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Resende / São Martinho de Mouros
EN 222
Lugar de Sub-Adro -
Polícia:
LATITUDE
41.101855
LONGITUDE
-7.898518
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1217
1217, ano que poderá corresponder à conclusão das obras.Na viragem para o século XVI, o interior do monumento foi enr...
1922
1922 (ver Decreto) São Martinho de Mouros é uma das mais originais igrejas românicas portuguesas, pelas soluções cons...
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