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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Marialva, incluindo não só a torre de menagem como todas as muralhas, portas e demais vestígios existentes

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Marialva, incluindo não só a torre de menagem como todas as muralhas, portas e demais vestígios existentes
Outras Designações
Castelo e cerca urbana de Marialva (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Apesar de hoje praticamente abandonada, a vila de Marialva conheceu um período de franco apogeu nos séculos XII e XIII. Situado na linha de fronteira anterior ao tratado de Alcanices (1297), a povoação constitui uma das mais singulares ruínas de estruturas militares medievais portuguesas, mantendo a sua fisionomia praticamente intacta, quer na fortaleza, quer na povoação que se desenvolveu em seu redor.
A história do castelo parece remontar ao século XI, altura em que o local era denominado por Castro de São Justo e foi conquistado por D. Fernando, o Magno, na sua emblemática conquista das Beiras (BARROCA, 2000, p.28). No século XII, ou talvez um pouco antes, a integração na coroa portuguesa terá determinado a mudança toponímica, mas não existem, para já, conclusões objectivas sobre este facto.
O castelo dominante, no alto de um íngreme penhasco, é o monumento mais importante do conjunto urbano, tutelando, ainda hoje, a paisagem. Nas suas pequenas dimensões, ele "reúne as principais características do castelo românico", na medida em que possui uma torre de menagem isolada, no centro de um pátio relativamente reduzido, e entrada principal pelo lado poente (BARROCA, 2000, p.220). Por estes dados, a fortaleza datará, com grande probabilidade do século XII, ou já da viragem para o século XIII, quando D. Sancho I promoveu parte importante do povoamento da região.
Castelo românico, pequeno, inacessível, à sua sombra nasceu uma povoação medieval de grande importância no contexto regional. Em 1286, D. Dinis estabeleceu em Marialva uma das muitas feiras criadas no seu reinado, cujas medidas da vara, do côvado e do palmo estão ainda inscritas nos pés-direitos da Porta do Anjo (virada a Sudeste), a principal entrada na vila muralhada (GOMES, 1996, p.123). Deverá datar deste período a configuração oval das muralhas que circundam a vila, protótipo do perímetro citadino gótico das vilas fortificadas nacionais da Baixa Idade Média. Apesar de muito arruinadas, mantêm o seu traçado original e é ainda possível distinguir as três portas originais (do Anjo, a SE.; do Monte, a N. e de Santa Maria a E.), o postigo (virado a S.) e três das muitas torres que, certamente, a defendiam (do Relógio, a O., de planta rectangular e com três pisos; do Monte e da Relação, ambas a N.).
Dentro do perímetro urbano, as ruas são irregulares e o espaço intra-muralhas apresenta, na actualidade, numerosos espaços vazios que, com certeza, na origem estariam ocupados por habitações. Em todo o caso, e para além de algumas casas de ascendência medieval, o conjunto integra o largo principal, imediatamente abaixo da cidadela do castelo, onde permanece o pelourinho e a Casa da Câmara, símbolos da ancestral autonomia concelhia de que a localidade desfrutou.
Em 1440, a alcaidaria da vila passou a Condado, ligado à família Coutinho, consumando-se, desta forma, uma progressiva história de desenvolvimento de Marialva. Infelizmente, os séculos seguintes haveriam de ditar a sua decadência. Agraciada com novo foral por D. Manuel e, provavelmente, sujeita a reformas por iniciativa do infante D. Fernando, irmão de D. João III, e alcaide-mor de Marialva (IDEM, p.123), a velha fortaleza perdia importância e a localidade era abandonada, à medida que as novas exigências da guerra passavam ao lado de um castelo obsoleto. Pelos meados do século XVII, a fortificação foi ainda utilizada, em plena guerra peninsular, mas um século depois estava já irremediavelmente abandonada e a vila reduzida a oito vizinhos (Memórias Paroquiais de 1758, cit. IDEM, p.123).
No século XX, quando se deu a grande vaga restauracionista no país, Marialva era pouco mais que uma ruína. Nos anos 40 procedeu-se à reconstrução quase integral da torre de menagem, bem como de numerosos troços de muralha que ameaçavam desaparecer. Na actualidade, Marialva é uma das Aldeias Históricas da Beira, facto que permitiu o restauro de grande parte da vila e um primeiro desenvolvimento turístico.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Novo edital de 6-07-1976 da CM de Meda
Novo edital de 17-08-1973 da CM de Meda
Edital de 22-05-1973 da CM de Meda
Despacho de homologação de 3-05-1973 do Secretário de Estado da Instrução e Cultura
Parecer de 27-04-1973 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como MN do Castelo de Marialva, incluindo não só a torre de menagem como todas as muralhas, portas e demais vestígios existentes
Proposta de classificação de 19-02-1973 da DGAC
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9914631
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Localização
Guarda / Mêda / Marialva
-- -
Marialva -
Polícia:
LATITUDE
40.913529
LONGITUDE
-7.231746
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1286
1286, D.
1297
1297), a povoação constitui uma das mais singulares ruínas de estruturas militares medievais portuguesas, mantendo a ...
1440
1440, a alcaidaria da vila passou a Condado, ligado à família Coutinho, consumando-se, desta forma, uma progressiva h...
1758
1758, cit.
1973
1973 da CM de Meda Edital de 22-05-1973 da CM de Meda Despacho de homologação de 3-05-1973 do Secretário de Estado da...
1976
1976 da CM de Meda Novo edital de 17-08-1973 da CM de Meda Edital de 22-05-1973 da CM de Meda Despacho de homologação...
1978
1978 (ver Decreto) Novo edital de 6-07-1976 da CM de Meda Novo edital de 17-08-1973 da CM de Meda Edital de 22-05-197...
1996
1996, p.123).
2000
2000, p.28).
146
IMAGENS
12
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Sinais do passado em Marialva, concelho da Meda", Douro. Estudos e Documentos, vol. V, nº10, pp.173-218 ALMEIDA, Carlos Alberto Brochado de, ANTUNES, João Manuel Viana, FARIA, Pedro Baère de Edição 2000 Porto
Roman Portugal ALARCÃO, Jorge Manuel N. L. Edição 1988 Warminster
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
Castelos da Raia Vol. I: Beira, 2ªed. GOMES, Rita Costa Edição 2002 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
Retrospectiva histórica de Marialva, Longroiva e concelho de Meda RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1976 Marialva
Terras da Meda: natureza, cultura e património RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 2002 Mêda
"Do Castelo da Reconquista ao Castelo Românico (Sec. IX a XII)", Portugália, nova série, vols. XI-XII, pp.89-136 BARROCA, Mário Jorge Edição 1991 Porto
"Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior", Beira Interior - História e Património, pp.215-238 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guarda
Três Jóias Esquecidas, Marialva, Linhares e Castelo Mendo NEVES, Vítor Pereira Edição 1993 Castelo Branco
As aldeias históricas : conjuntos históricos a valorizar NEVES, Vítor Pereira Edição 1996 Lisboa
Vila de Meda e seu concelho SIÃO, José Edição 1996 Meda

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