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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Tiago

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Tiago
Outras Designações
Igreja de Santiago / Igreja Paroquial de Santiago (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A cronologia da construção românica da igreja de Santiago de Coimbra é, ainda hoje, objecto de discussão. O templo foi solenemente sagrado em 1206, mas parece certo que as obras se prolongaram para cá dessa data, como realçou Gerhard Graf a propósito dos elementos estilisticamente tardios da rosácea e de alguns capitéis das janelas da fachada principal (GRAF, 1986, vol. 1, pp.191-192). Mais difícil de definir é a data de arranque deste projecto. Depois de Manuel Monteiro ter avançado várias datas, as conclusões de Manuel Luís Real apontam para o terceiro quartel do século XII (REAL, 1974).
Em termos decorativos, a igreja de Santiago constitui um exemplo fiel do Românico coimbrão na sequência da construção da Sé Velha de Coimbra. Aqui encontram-se os mesmos modelos escultóricos e temáticos que caracterizam a maior obra românica da cidade, como os animais afrontados, as aves debicantes, etc. No entanto, a forçada paralisação das obras em finais do século XII (REAL, 1986, 57) determinou a alteração do projecto original e até a substituição dos artistas.
É desta forma que a igreja de Santiago encerra, pelo menos duas fases construtivas distintas (que António Nogueira Gonçalves considerou três, vislumbrando uma campanha mais na cabeceira (GONÇALVES, republ. 1980, p.78)). O portal Sul, com as suas três arquivoltas sem decoração, sublinhadas exteriormente por uma moldura de videira, constitui um bom exemplo das opções do Românico coimbrão de finais do século XII. A composição dos capitéis aprofunda os motivos vegetalistas ensaiados anteriormente na Sé Velha, assim como a decoração dos fustes das colunas, profusamente ornamentados com motivos geométricos e florais.
Diferente é o caso do portal principal, construído em época mais tardia, e composto por quatro arquivoltas. Como acentuou Manuel Luís Real, coexistem nesta parte do edifício verdadeiras obras primas da escultura românica coimbrã e capitéis de muito menor qualidade, fruto certamente de artistas de inferior formação (REAL, 1986, p.57). Por seu lado, Gerhard Graf realçou as ligações estilísticas dos fustes das colunas deste portal com a realização das janelas da Fachada das Platerías da Catedral de Santiago de Compostela (GRAF, 1986, vol. 1, p.190).
Um dos grandes motivos para a indecisão que hoje se sente em relação à cronologia desta igreja, e à originalidade de muitas das suas partes, consiste nos vários acrescentos que foram feitos ao longo dos tempos e no radical processo de restauro a que o templo foi sujeito na primeira metade do século XX.
Do século XV data a capela lateral quadrangular, que ainda se mantém do lado Norte, construída em estilo gótico flamejante, com algumas influências mudejares (DIAS, 2003, p.97). No início do século XVI, aqui instalada a Misericórdia da cidade, procedeu-se à construção de um dos mais insólitos templos portugueses de todos os tempos: uma igreja alta sobre a estrutura românica. Esta campanha decorreu em escassos três anos (de 1546 a 1549) e terá tido como arquitecto responsável João de Ruão, documentado em processos relativos à Misericórdia em 1549 (CORREIA, 1943, republ. 1949, p.57). Alguns séculos mais tarde, em 1861, a Câmara decidiu alargar a via pública a nascente da igreja, subtraindo-se, então, uma parte significativa da sua cabeceira. Finalmente, entre 1908 e 1932, num processo bastante moroso, procedeu-se ao restauro do edifício. As obras foram então conduzidas por António Augusto Gonçalves, fiel a um certo entendimento da "unidade de estilo" que preconizava devolver os imóveis à sua pureza original. O resultado foi a demolição de tudo quanto fosse posterior à Idade Média e a refeitura de alguns materiais complementares, tendo por modelo a muito próxima igreja de São Salvador.
Interiormente, a igreja conserva parte da sua estrutura original em três naves, com falso transepto e cabeceira tripartida, com capela-mor de dois andares de arcaturas cegas.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Decreto de 2-07-1908, DG, n.º 150, de 9-07-1908
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 14-10-1950, publicada no DG, II Série, n.º 6, de 8-01-1960 (sem restrições)
Afectação 9913929
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Coimbra / Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu); Santo António dos Olivais
Praça do Comércio
Coimbra -
Polícia:
LATITUDE
40.209496
LONGITUDE
-8.429248
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1206
1206, mas parece certo que as obras se prolongaram para cá dessa data, como realçou Gerhard Graf a propósito dos elem...
1546
1546 a 1549) e terá tido como arquitecto responsável João de Ruão, documentado em processos relativos à Misericórdia ...
1549
1549) e terá tido como arquitecto responsável João de Ruão, documentado em processos relativos à Misericórdia em 1549...
1861
1861, a Câmara decidiu alargar a via pública a nascente da igreja, subtraindo-se, então, uma parte significativa da s...
1908
1908, DG, n.º 150, de 9-07-1908 A cronologia da construção românica da igreja de Santiago de Coimbra é, ainda hoje, o...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)Decreto de 2-07-1908, DG, n.º 150, de 9-07-1908 A cronologia da constru...
1932
1932, num processo bastante moroso, procedeu-se ao restauro do edifício.
1943
1943, republ.
1949
1949, p.57).
1974
1974).Em termos decorativos, a igreja de Santiago constitui um exemplo fiel do Românico coimbrão na sequência da cons...
1980
1980, p.78)).
1986
1986, vol.
2003
2003, p.97).
14
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Novas Hipóteses acerca da Arquitectura Românica de Coimbra GONCALVES, António Nogueira Edição 1938 Coimbra
Inventario Artistico de Portugal - Cidade de Coimbra. GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio Edição 1947 Lisboa
Coimbra - guia para uma visita DIAS, Pedro Edição 2003 Coimbra
"La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal", Portugal roman, vol. I, pp.33-75 REAL, Manuel Luís Edição 1986
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Coimbra e Região BORGES, Nelson Correia Edição 1987 Lisboa
"A igreja de São Tiago de Coimbra. Notícias topográficas e históricas", Mvsev, vol.2 CORREIA, Vergílio Edição 1943
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Relíquias da Architectura Romano-Byzantina em Portugal SIMÔES, Augusto Filipe Edição 1870 Lisboa
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
Património Edificado com Interesse Cultural - Concelho de Coimbra Câmara Municipal de Coimbra - Departamento de Cultura Edição 2009 Coimbra
Igreja de Santiago. Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº28 Edição 1942

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