Nota Histórico-Artistica
Dedicada ao mártir São Sebastião, esta capela rural foi fundada na primeira metade do século XVII, sendo então comenda da Ordem de Cristo. O templo edificado, uma igreja de dimensões reduzidas, apresentava uma estrutura chã de linhas muito sóbrias, adaptando as directrizes artísticas contra-reformistas à implantação rural e isolada deste orago.
A capela, de planta rectangular, possui fachada principal precedida por galilé, vazada em todos os panos por arcada assente em colunelos. O portal principal, de moldura recta, é encimado por janelo que ilumina o coro, em madeira. Do lado esquerdo da fachada, terminada em empena, foi adossada uma sineira.
O espaço interior, de nave única, é coberto por tecto de madeira divido em três panos. Do lado da Epístola encontra-se implantada a capela de São Pedro, instituída em 1644 por Pedro Dias, para sua sepultura e da sua mulher Maria Pedrosa, bem como de seu irmão António de Avis. O espaço da capela é coberto por abóbada de aresta e decorado por lambril de azulejos seiscentistas, tipo tapete. A capela alberga ainda uma pia baptismal e uma pintura a óleo, dedicada a São Pedro, possivelmente também executada quando da instituição.
A capela-mor, precedida por arco triunfal de volta perfeita, desenvolve-se em planimetria quadrada, coberta por abóbada de canhão. O retábulo, de talha dourada policromada, alberga ao centro trono.
Muito alterada por obras de restauro, a capela de São Sebastião apresenta actualmente um modelo construtivo bastante diferente do original.
O primeiro restauro do templo, que visava sobretudo consolidar as estruturas da igreja, à data muito arruinada, foi executado na primeira metade do século XVIII, por iniciativa do Padre Francisco de Sousa da Costa. Na época a igreja possuía duas capelas, a referida capela de São Pedro, e outra, fronteira, dedicada a São Salvador, como relatam as memórias paroquiais de 1758.
Na década de 60 do século XX a igreja voltava a ser restaurada e remodelada, datando possivelmente desta campanha de obras a galilé que precede a fachada, não existente até à década de 40. Nesta remodelação foi também suprimida do espaço da nave a capela do Salvador.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 23 de Março de 2005
Diploma de Classificação
Edital N.º 256/2005 de 27-06-2005 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de encerramento de 27-01-2005 do presidente do IPPAR
Proposta de 19-04-2004 da DR de Lisboa do IPPAR para o encerramento do processo, por não terem sido realizadas as obras indicadas para repor a autenticidade histórica e arquitectónica da capela
Em 30-07-1997 o pároco da Igreja Paroquail de Nossa Senhora da Assunção informou não se opor à classificação
Edital N.º 250/96 de 9-10-1996 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de abertura de 20-08-1996 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 14-08-1996 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Em 1994 a CM de Vila Franca de Xira informou que a capela tinha sido restaurada na década de 60, tendo sido suprimida a capela lateral, de invocação do Salvador, mas propôs a sua classificação
Em 10-09-1993 foi solicitada informação à CM de Vila Franca de Xira sobre se o imóvel ainda existia e qual o seu parecer sobre uma eventual classificação
Despacho de homologação de 20-06-1960
Parecer de 20-06-1960 da 1.ª Subsecção da 6.ª Secção da JNE a propor a classificação como VC
Em 4-07-1958 o SNICPT chamou a atenção para esta capela do século XVII em quase total estado de ruína
Número do Processo
Não disponível