Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Em 1821, o arquiteto da Junta das Águas Livres Honorato José Correia de Macedo e Sá, autor de grande parte dos chafarizes construídos em Lisboa na primeira metade do século XIX, apresentou, para o Chafariz da Junqueira, um projeto de linguagem tardo-barroca, e traça não excessivamente decorativista, que ficou concluído em 1828. O fontanário implanta-se numa reentrância da Rua da Junqueira, diante do edifício da Cordoaria Nacional, sendo composto por uma caixa de água com espaldar retangular ao alto, em pedra de lioz, flanqueada por dois panos murários curvos. A arca, enquadrada por pilastras e pilares toscanos e rematada em elementos curvos e contracurvados, exibe, ao centro, duas molduras sobrepostas, a superior ostentando a inscrição AGOAS LIVRES / ANNO DE 1821. O conjunto é sobrepujado, nas faces anterior e posterior, por frontões de elementos curvos e contracurvados dominados por esfera armilar com as armas reais. O tanque, de planta recortada (contracurva), recebe a água de duas bicas boleadas.
Os muros nas ilhargas do chafariz são percorridos, inferiormente, por embasamento de cantaria ao qual se adossam dois pares de bancos corridos, e superiormente por dupla cornija, sendo delimitados por pilares rematados com vasos tipo Médicis e pináculos piramidais. Originalmente caiados de branco, e ornados, na primeira metade do século XX, por um singelo lambril de azulejo de padrão, encontram-se, atualmente, revestidos por silhares de azulejos de expressão revivalista neorococó, resultantes de uma intervenção datada da década de 1940 e conduzida por Raul Lino, que aproveitou para o efeito os painéis executados por Mário Reis, na Fábrica Viúva Lamego, para o pavilhão de Portugal na Exposición Ibero-Americana de 1929.
História
Embora no início do século XIX Lisboa já contasse com água trazida dos arredores da cidade e distribuída pelo Aqueduto das Águas Livres, esta distribuição continuava a ser feita através dos chafarizes públicos, reforçando a importância que tais equipamentos assumiam na cidade. Na Junqueira, a necessidade de água ia acompanhando a urbanização da via pública principal, dominada por casas senhoriais e respetivos terrenos e por habitação burguesa, para além do pequeno casario de raiz operária, ou ligado à pesca, que ocupava as ruelas e travessas perpendiculares, e ainda alguma ocupação industrial.
O chafariz erguido em 1821-28, a eixo do corpo principal da Fábrica Nacional de Cordoaria, em relação urbanística de evidente intencionalidade, começou a deitar água ainda em 1822, a partir de uma mina localizada na zona do Alto de Santo Amaro, reforçada dez anos mais tarde por um segundo caudal; ao contrário da maioria dos chafarizes lisboetas coevos de expressão monumental, este nunca foi abastecido pelo Aqueduto das Águas Livres. A progressiva modernização do abastecimento de água a Lisboa determinou a sua obsolescência até finais da centúria. Nas primeiras décadas do século XX procedeu-se a um primeiro arranjo urbanístico da envolvente do monumento, renovado pela intervenção de Raul Lino.
Sílvia Leite
DGPC
2023
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 304/2024, DR, 2.ª série, n.º 238, de 9-12-2024 (ver Anúncio)
Despacho de 13-11-2024 do presidente do Património Cultural, I.P. a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 7-02-2023 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Despacho de arquivamento de 14-02-1992
Proposta de arquivamento de 12-12-1991 do IPPC, por nunca ter sido solicitada a classificação do fontanário
Processo iniciado em 1986 no IPPC, na sequência de denúncia de terem sido retirados azulejos
Número do Processo
Não disponível