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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Núcleo de Arte Rupestre da Quinta da Barca - Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa

Arqueologia / Conjunto

Designação
Designação Atual
Núcleo de Arte Rupestre da Quinta da Barca - Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa
Outras Designações
Núcleo de Arte Rupestre da Quinta da Barca (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Conjunto
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Os eventos ocorridos em 1989 (sobretudo com a redacção, por parte de Francisco Sande Lemos, do primeiro relatório de estudo de impacte ambiental da futura barragem) originaram uma profunda polémica, que acabaria por extravasar as fronteiras portuguesas. E foi graças aos trabalhos desenvolvidos no âmbito do projecto de construção deste emprendimento público, junto à foz do Côa, que se levantaram alguns dos vestígios da actividade humana que pudessem ser submergidos, ao abrigo de um protocolo de colaboração estabelecido em 1992 entre o IPPAR e a EDP, com vista ao acompanhamento arqueológico das obras, da responsabilidade de Nelson Rebanda, na qualidade de arqueólogo afecto à Direcção Regional do Porto daquele Instituto, dando-se, então, início ao conhecido "Projecto Arqueológico do Côa", que proporcionaria a rápida identificação das primeiras gravuras rupestres paleolíticas, dessa feita na zona da "Canada do Inferno". Estava, enfim, aberto o caminho a uma das regiões mais profícuas em termos de produção de Arte rupestre, tanto ao nível cronológico, como estilístico e quantitativo. Razões mais do que suficientes para que o Verão de 1995 estabelecesse uma fronteira bastante nítida na política de património conduzida até então entre nós e no estatuto da própria Arqueologia, mormente ao convidarem-se consultores do estudo da Arte do Côa, e ao constituir-se uma comissão científica internacional, na sequência da consulta efectuada à UNESCO (BAPTISTA, A.M., GOMES, M.V., 1995, p. 49). Foi, de facto, graças a uma iniciativa exemplar no panorama internacional, que o Governo decidiu suspender as obras de construcção da barragem, dando primazia à salvaguarda dos sítios arqueológicos registados até então e a todos quantos pudessem vir a ser arrolados no futuro, com base em relatórios circunstanciados da lavra dos mais importantes especialistas na matéria, num culminar de um longo processo que envolveu toda a comunidade nacional e se repercutiu internacionalmente.

No vale do Côa, encontramos, o ar livre, variadas expressões artísticas "pré-históricas" e "históricas", colocando à disposição dos especialistas em Arte rupestre uma multitude documental paulatinamente datada, com base em critérios estilísticos, estratigráficos - através da análise das figuras sobrepostas - e na identificação das espécies animais representadas, nas quais sobressaíam o cavalo, o auroque e a cabra montês. Factores que permitirão afirmar estarmos numa região onde a Arte paleolítica, em especial, foi executada ao longo de vários milénios, desde o "Gravetense" (há cerca de 24 ou 25 mil anos) até ao "Magdalenense" (há 10 ou 12 mil anos) (CARVALHO, A.F., ZILHÃO, J. e AUBRY, Th., 1996, p. 29). Quanto às épocas subsequentes, não foram identificados até ao momento testemunhos mesolíticos, contrariamente aos neolíticos , calcolíticos e da Idade do Ferro, que parecem abundar.

O "Núcleo de Arte Rupestre da Quinta da Barca" situa-se defronte do "Núcleo de Arte Rupestre da Penascosa", embora distribuído ao longo de uma área mais abrangente, desde a margem do Côa até uma cota máxima de sessenta metros, a contar do fundo do vale. Tal como aquele, as gravuras deste Núcleo são datadas do Paleolítico superior, período "[...] marcado pelo desenvolvimento de pontas de projéctil modeladas em matérias duras de origem animal (osso, marfim, haste de cervídeo), pela utilização de objectos de adorno pessoal (dentes de animais e conchas, furados para serem usados como pendentes, por exemplo), e pela arte." (CARVALHO, A.F., ZILHÃO, J., AUBRY, Th., 1996, p. 12), correspondendo, grosso modo, à época da última "Idade do Gelo". Em termos genéricos, estamos perante três agrupamentos de Arte rupestre executada na superfície de painéis de xisto verticais, num total de vinte e cinco, através de pequenos traços perpendiculares às linhas de contorno ("arame farpado"), maioritariamente representando caprídeos, excepção feita à figuração de um equídeo.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Sobre a classificação de todos os núcleos, ver Ficha geral dos Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa
Número do Processo
Não disponível
Proteção
N/A
N/A

ZEP n/a
Afectação 9823123
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Vila Nova de Foz Côa / Chãs
- no vale do rio Côa
- -
Polícia:
LATITUDE
LONGITUDE
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1989
1989 (sobretudo com a redacção, por parte de Francisco Sande Lemos, do primeiro relatório de estudo de impacte ambien...
1992
1992 entre o IPPAR e a EDP, com vista ao acompanhamento arqueológico das obras, da responsabilidade de Nelson Rebanda...
1995
1995 estabelecesse uma fronteira bastante nítida na política de património conduzida até então entre nós e no estatut...
1996
1996, p.
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Arqueologia", Arte Rupestre e Pré-História do Vale do Côa. Trabalhos de 1995-1996 CARVALHO, António Manuel Faustino, ZILHÃO, João, AUBRY, Thierry Jean Edição 1997 Lisboa
Vale do Côa. Arte rupestre e Pré-história CARVALHO, António Manuel Faustino, ZILHÃO, João, AUBRY, Thierry Jean Edição 1996 Vila Nova de Foz Côa
Carta Arqueológica do Concelho de Vila Nova de Foz Côa COIXÃO, António do Nascimento Sá Edição 2000 Vila Nova de Foz Côa
Dossier Côa JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1995 Porto
Arte rupestre paleolitico al aire libre de la cuenca del Duero: Siega Verde y Foz Coa BALBIN, Rodrigo, SANTONJA, Manuel, ALCOLEA, J. J. Edição 1996 Zamora
"Os métodos de "datação directa" aplicados no Côa", Actas do 1º Congresso de Arqueologia Peninsular SOARES, António Manuel Monge Edição 1995 Porto
Os trabalhos arqueológicos e o complexo de Arte Rupestre do Côa REBANDA, Nelson Edição 1995 Lisboa
"Arte rupestre do Vale do Côa. 1. Canada do Inferno. Primeiras impressões", Dossier Côa GOMES, Mário Varela, BAPTISTA, António Martinho Edição 1995 Porto
Identification des processus d' evolution et de conservation des surfaces rocheuses gravées dans la Vallée du Côa a travers l'étude du site de Quinta da Barca Sul AUBRY, Thierry Jean, CALAME, A., CHAUVIÈRE, F.-X.;, DECHANEZ, I., SAMPAIO, Jorge, TYMULA, S. Edição 2001 Lisboa
"The Quaternary Rock Art of the Côa Valley (Portugal)", Les premiers hommes modernes de la Péninsule Ibérique. Actes du Colloque de la Commission VIII de l'UISPP BAPTISTA, António Martinho Edição 2001 Lisboa
No tempo sem tempo. A arte dos caçadores paleolíticos do Vale do Côa. Com uma perspectiva dos ciclos rupestres pós-glaciares BAPTISTA, António Martinho Edição 1999 Vila Nova de Foz Côa
"O sistema de visita e a preservação da arte rupestre em dois sítios de ar livre do Nordeste português: o Vale de Côa e Mazouco", Revista Portuguesa de Arqueologia FERNANDES, António Pedro Batarda Edição 2003 Lisboa

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