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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela de São Frutuoso

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela de São Frutuoso
Outras Designações
Capela de São Salvador de Montélios / Capela de São Frutuoso de Montélios (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A pequena capela de Montélios deve a sua existência a São Frutuoso, bispo de Dume e de Braga durante a época visigótica, que aqui escolheu ser sepultado, na década de 60 do século VII. À sua volta existia um conjunto monástico bem maior, centro religioso da região neste período, mas que terá sucumbido, muito provavelmente no início do século XVI, quando se procederam às obras de reedificação do Mosteiro por parte dos franciscanos.
A capela de planta centralizada, de quatro ábsides iguais articuladas em redor de um cruzeiro quadrangular, é o único elemento de todo o conjunto monástico, datado da Alta Idade Média, que chegou até hoje. Ela constitui um testemunho ímpar em território nacional, sem aparentes semelhanças com outras obras altimedievais próximas, facto que tem levado a interpretações e datações antagónicas para o monumento. Com efeito, se durante algum tempo se pensou estar diante da capela-mausoléu de São Frutuoso, hoje são mais fortes os argumentos que apontam para uma cronologia a rondar os inícios do século X, quando o culto do bispo foi renovado, no âmbito do repovoamento de Afonso III.
A primitiva edificação, de época visigótica, seguiu um modelo orientalizante (ravenaico-bizantino), vigente na capital do reino, Toledo: planta em cruz grega; exterior decorado com arcos cegos, alternadamente de volta perfeita e em mitra; torre quadrangular sobre o cruzeiro, com cobertura em quatro águas.
No século X, reconquistada a região e iniciado o repovoamento, a capela foi objecto de uma reconstrução, que lhe conferiu o aspecto interior que hoje possui. As ábsides, que eram de planta interna quadrangular, passaram a ter a forma semicircular, e à entrada de cada uma construiu-se uma tripla arcada de arco em ferradura, verdadeiraeikonostasis, que compartimenta o espaço de acordo com a liturgia hispânica, então em vigor.
Esta poderá ser uma leitura do conjunto remanescente, mas a verdade é que não existem certezas quanto às suas partes constituintes, em especial a ascendência de tão pequenas ábsides dotadas de falsos deambulatórios (pois no solo ainda existem marcas de bases de colunas). A qualidade e erudição do seu programa arquitectónico, por outro lado, aponta para um só projecto construtivo, concebido e realizado num único momento. Neste sentido, se as semelhanças para com o templo da Gala Placídia de Ravena são ainda decisivas, a identificação de um ajimez e a evidência de a torre cruzeira ter possuído um friso de arquinhos cegos são dados que comprovam a contemporaneidade em relação a uma parte significativa da arquitectura hispânica do século X. O próprio classicismo da construção, visível nos recursos construtivos e decorativos do templo, aponta para uma corrente artística cujas manifestações maiores datam da primeira metade do século X, e cuja implantação foi particularmente importante na faixa ocidental da península.
O debate entre "visigotistas" e "moçarabistas" estendeu-se ao restauro do conjunto. Numa primeira fase, e sob o comando de João de Moura Coutinho, o monumento foi intervencionado tendo como modelo as construções tardo-antigas de Ravena. Para isso, chegaram a reproduzir-se elementos decorativos, iguais a outros aparecidos aquando da desmontagem de numerosas construções adjacentes. No entanto, o arrastamento do processo por parte da DGEMN e, especialmente, o aparecimento do ajimez, determinou a paralisação dos trabalhos e o consequente abandono do projecto. Apesar das posteriores tentativas, o restauro nunca foi concluído, ficando a obra inacabada ao nível das coberturas e de alguns enchimentos das paredes, facto
ainda hoje bem visível para quem visita a capela.
Na sua pequenez, Montélios é um dos mais fascinantes monumentos altimedievais peninsulares, simultaneamente aparentado com obras mediterrânicas dos séculos V-VI e IX-XI. Independentemente dos rumos futuros da historiografia, permanecerá como obra incontornável nos estudos dedicados à Alta Idade Média ocidental.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 33 587, DG, I Série, n.º 63, de 27-03-1944 (ver Decreto)
Número do Processo
São Jerónimo de Real
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 624/2014, DR, 2.ª série, n.º 143, de 28-07-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Parecer favorável de 15-06-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 20-04-2009 da DRC do Norte
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Braga / Braga / Real, Dume e Semelhe
Largo de São Francisco
Real -
Polícia:
LATITUDE
41.560335
LONGITUDE
-8.438841
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1944
1944 (ver Decreto) A pequena capela de Montélios deve a sua existência a São Frutuoso, bispo de Dume e de Braga duran...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
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São Frutuoso de Montelios FONTES, Luís Fernando de Oliveira Edição 1989 Braga
Capela de São Frutuoso de Montélios FONTES, Luís Fernando de Oliveira Edição 2003 Lisboa
"Inventário de sítios e achados arqueológicos do concelho de Braga", Mínia, 3ª sér., nº1, pp.31-88 FONTES, Luís Fernando de Oliveira Edição 1993 Braga
História da Arte em Portugal, vol. 2 (Alta Idade Média) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
Arte visigótica em Portugal ALMEIDA, Fernando de Edição 1962 Lisboa
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"Notas sumárias de ordem histórica sobre a igreja de São Frutuoso", Bracara Augusta, nº22 PINTO, Sérgio Augusto da Silva Edição 1968 Braga
"São Frutuoso de Montélios a igreja mais bizantina da Península", Bracara Augusta, vols. 9-10 PINTO, Sérgio Augusto da Silva Edição 1960 Braga
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A igreja pré-românica de São Pedro de Lourosa, Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Restauro FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2002 Lisboa
"Eclectismo. Classicismo. Regionalismo. Os caminhos da arte cristã no Ocidente peninsular entre Afonso III e al-Mansur", Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII a XIII), pp.293-310 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2005 Palmela
"Reconstituição, reintegração, restauro: os projectos de intervenção na igreja pré-românica de Lourosa (1929-1934)", Revista Estudos / Património, nº9, pp.150-158 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Lisboa
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A arte da alta Idade Média no distrito de Braga FEIO, Alberto Edição 1954 Braga
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto
Dispersos, inéditos e cartas MONTEIRO, Manuel Edição 1980 Braga
Iglesias mozárabes GÓMEZ-MORENO, Manoel Edição 1919 Madrid
A igreja de São Frutuoso de Montélios PINTO, Miguel Carrilho da Silva Edição 1983 Braga
"As fases do restauro da capela de S. Frutuoso de Montélios. A fragilidade da reintegração nacionalista face à evolução historiográfica ", Museu, Sér. 4, nº 10, pp.223-277 BRITO, Maria Mónica Edição 2001 Porto
"Algumas considerações justificativas de escavações arqueológicas em Montélios no XIII Centenário de São Frutuoso, 665-1965 ", Bracara Augusta, V. 21, Fasc. 47-48 (59-62) CASTRO, Luís de Albuquerque e Edição 1968 Braga
São Frutuoso de Montélios. As artes pré-românicas em Portugal COUTINHO, João de Moura Edição 1978 Braga

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