A carregar dados...

Logótipo MCJD PCI
Logótipo MCJD PCI

Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Pedro de Rates

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Pedro de Rates
Outras Designações
Igreja Paroquial de Rates / Igreja de São Pedro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A fase medieval do antigo mosteiro de Rates constitui um dos mais importantes capítulos da arte românica em Portugal. A sua importância na história monacal nacional, as relações que então estabeleceu com os poderes dirigentes e a relevância das formas arquitectónicas e escultóricas aqui empregues fazem deste monumento um verdadeiro caso de estudo, cujas conclusões ultrapassam, em muito, o mero conteúdo monográfico e reflectem-se em toda a produção românica do nascente reino de Portugal.
As suas origens antecedem, todavia, a nacionalidade. A lenda perpetuou a existência de um estabelecimento cristão patrocinado por São Pedro de Rates, mítico primeiro bispo de Braga, hipótese que, como foi demonstrado, remonta essencialmente ao século XVI (GOMES e CARNEIRO, 2003, p.218). Os vestígios materiais mais antigos identificados no local recuam à época romana, designadamente fragmentos de Sigillata Clara (REAL, 1982, p.9, nota 11), mas os elementos que podemos relacionar com a igreja datam já do período asturiano-leonês. A partir do estudo de Manuel Luís Real (1982, pp.7-12), foi possível concluir pela existência de uma fase construtiva verificada entre os finais do século IX e os inícios do seguinte, a que correspondem numerosos fragmentos, entre os quais aximezes, um capitel prismático vegetalista e um altar decorado com cruz. Nas recentes escavações, o conhecimento acerca do templo pré-românico alargou-se a outros elementos, casos de um aparente ante-corpo ocidental (GOMES e CARNEIRO, 2003, p.242), provável narthex do templo pré-românico. Nesta parte do edifício, foi encontrada uma estela romana, posteriormente cristianizada pelos séculos VI-VII (IDEM, p.255) e, ainda depois, reaproveitada na fase pré-românica.
O edifício de tradição asturiana foi totalmente substituído nas centúrias seguintes. Nos finais do século XI, o conde D. Henrique promoveu a renovação do templo, monumento de que restam também importantes vestígios, apesar de também profundamente alterado nos séculos XII e XIII,. "Em traços gerais, seria uma igreja com planta de três naves, cinco tramos e transepto. A cabeceira aproximava-se muito da actual. O mesmo se pode dizer da volumetria do edifício" (REAL, 1982, p.14).
A construção românica propriamente dita iniciou-se no segundo quartel do século XII. Ela desenvolveu-se ao longo de um século, com avanços e recuos próprios de um estaleiro de longa duração, cujos trabalhos entraram pelos conturbados tempos de finais do século XII. Graças aos estudos de Carlos Alberto Ferreira de Almeida (1975, 1978, 1986 e 2001), podemos equacionar a existência de três momentos da construção românica, os dois primeiros marcados por assinaláveis recursos, e a que se deve o essencial da construção (incluindo as fórmulas decorativas da cabeceira e portal lateral Sul). No período de crise do reinado de D. Sancho I, quando as fronteiras do reino se encurtaram perigosamente, o estaleiro perdeu fulgor e o programa construtivo e decorativo da fachada principal foi reduzido, reaproveitando-se aduelas concebidas para o portal nas arcadas das naves.
Os avanços e recuos das campanhas românicas conferem ao monumento um estatuto ímpar, multiplicando-se as influências estilísticas, de Braga, de Coimbra, de França (Borgonha), etc. O programa iconográfico do portal principal, apesar de drasticamente reduzido, é um dos mais completos do nosso românico. No tímpano, Cristo envolvido por mandorla, é ladeado por dois profetas que espezinham duas outras figuras, que Ferreira de Almeida entende representarem "sem dúvida, Judas e o herege Ario" (ALMEIDA, 2001, p.157). No portal lateral Sul, o tímpano é envolvido por um arco cairelado e ostenta um Agnus Deiacompanhado pelos símbolos dos Evangelistas.
Muitas transformações aconteceram ao longo da História do mosteiro, que haveriam de culminar com o restauro efectuado pela DGEMN, o qual logrou reconstituir a cabeceira original, tripartida, escalonada e de planta semicircular.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Póvoa de Varzim / Rates
E.M. 504
Lugar do Mosteiro -
Polícia:
LATITUDE
41.423321
LONGITUDE
-8.672295
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A fase medieval do antigo mosteiro de Rates constitui um dos mais impo...
1975
1975, 1978, 1986 e 2001), podemos equacionar a existência de três momentos da construção românica, os dois primeiros ...
1978
1978, 1986 e 2001), podemos equacionar a existência de três momentos da construção românica, os dois primeiros marcad...
1982
1982, p.9, nota 11), mas os elementos que podemos relacionar com a igreja datam já do período asturiano-leonês. A
1986
1986 e 2001), podemos equacionar a existência de três momentos da construção românica, os dois primeiros marcados por...
2001
2001), podemos equacionar a existência de três momentos da construção românica, os dois primeiros marcados por assina...
2003
2003, p.218).
7
IMAGENS
25
BIBLIOGRAFIAS
PCIP Logo
Acesso Móvel
QR Code

Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta ficha no imediato.

Partilhar Património

Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O Românico português na perspectiva das relações internacionais", Românico em Portugal e na Galiza, pp.30-48 REAL, Manuel Luís Edição 2001 Lisboa
"O Românico condal em São Pedro de Rates e as transformações beneditinas do séc. XII", Boletim Cultural da Póvoa do Varzim, vol. XXI, nº1, pp.5-75 REAL, Manuel Luís Edição 1982 Póvoa do Varzim
"A organização do espaço arquitectónico entre beneditinos e agostinhos no século XII", Arqueologia, nº6, pp.118-132 REAL, Manuel Luís Edição 1982 Porto
"Os túmulos de São Pedro de Rates", Comércio da Póvoa do Varzim, 1/03; 8/03; 15/03 e 27/03 GONÇALVES, Flávio Edição 1947 Póvoa do Varzim
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
"A igreja românica de Rates (Póvoa do Varzim)", Boletim Cultural. Póvoa do Varzim, vol.XIV, pp.5-27 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1975 Póvoa do Varzim
"A arqueologia medieval e moderna na região do Porto. Breve balanço e algumas reflexões críticas", Al-Madan GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, SILVA, António Manuel S. P., RODRIGUES, Miguel Carlos Lopes Brandão Areosa Edição 2000 Almada
"Da religiosidade indígena ao paleocristianismo", Opera Fidei - Obras de Fé num Museu de História. Arte Sacra do Arciprestado de Vila do Conde, pp.15-22 SILVA, Armando Coelho Ferreira da, GOMES, José Manuel Flores Edição 2003 Póvoa do Varzim
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
"Contribuição para o estudo dos testemunhos pré-românicos de Entre-Douro-e-Minho ajimezes, gelosias e modilhões de rolos", Actas do Congresso Internacional, IX Centenário da Dedicação da Sé de Braga, Vol. I, pp.101-145 BARROCA, Mário Jorge Edição 1990 Braga
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
O Minho Pittoresco VIEIRA, José Augusto Edição 1887 Lisboa
São Pedro de Rates. Com uma introdução acerca da architectura romanica em Portugal MONTEIRO, Manuel Edição 1908 Porto
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
Origens do Christianismo na Peninsula Hispanica. A Villa de Rates, sua igreja e seu mosteiro FERREIRA, José Augusto Edição 1912 Póvoa do Varzim
A arte romanica em Portugal VASCONCELOS, Joaquim de Edição 1918 Porto
"As Visitações à Paróquia de S. Pedro de Rates", Boletim Cultural. Póvoa do Varzim, vol.XXXI, pp.211-252 AMORIM, Manuel Edição 1994 Póvoa do Varzim
"A vila de Rates no tempo de Tomé de Sousa", Boletim Cultural. Póvoa do Varzim, vol. XXXVIII, pp.185-203 AMORIM, Manuel Edição 2003 Póvoa do Varzim
A igreja românica de São Pedro de Rates. Guia para visitantes MATOS, A. Campos Edição 2000 Lisboa
História de Rates. Antiga vila, concelho e couto do Mosteiro de São Pedro Mártir, primeiro prelado bracarense, 2ªed. LIMA, Baptista de Edição 1966 Póvoa do Varzim
"Escavações arqueológicas na área envolvente à Igreja de São Pedro de Rates. 1997-1998", Boletim Cultural. Póvoa do Varzim, vol. XXXVIII, pp.205-292 GOMES, José Manuel Flores, CARNEIRO, Deolinda Maria Veloso Edição 2003 Póvoa do Varzim
A Igreja de São Pedro de Rates, Boletim da DGEMN, nº23 Edição 1941 Lisboa

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

Imóveis nas Proximidades

Exploração Geográfica
Pelourinho de Rates
Pelourinho de Rates

Póvoa de Varzim

Ver Ficha
Casa Matos
Casa Matos

Póvoa de Varzim

Ver Ficha
Igreja de São Cristóvão de Rio Mau
Igreja de São Cristóvão de Rio Mau

Vila do Conde

Ver Ficha
Ponte de São Miguel de Arcos
Ponte de São Miguel de Arcos

Vila do Conde

Ver Ficha