Nota Histórico-Artistica
Tendo sido inicialmente estudado em 1880, é desde o III milénio a.C. que o território localizado para norte da ria do Alvor até ao sopé da Serra de Monchique encerra um povoado com mais de 10 ha, localizado num promontório sobranceiro à Ribeira da Torre, a cerca de cinco quilómetros da Mexilhoeira Grande, perto do lugar de Alcalar. Geograficamente, encontra-se implantado de modo privilegiado, com um excelente domínio sobre uma área que poderemos considerar de "charneira" entre a serra e o mar.
Em torno deste autêntico "lugar central", evoluíram diferentes núcleos habitacionais, ao mesmo tempo que se edificavam monumentos funerários megalíticos sobre as pequenas elevações que os circundavam. Esta edificação funerária perfaziam, por seu turno, uma verdadeira necrópole constituída por cerca de duas dezenas de sepulcros dotados de mamoa, reunidos em pequenos agrupamentos destrinçáveis entre si pelo eclectismo das soluções arquitectónicas encontradas para a sua edificação.
Espelhando a própria evolução cronológica do conjunto em epígrafe, encontramos, desde um "tholoi" com cripta rematada em falsa cúpula, passando por dolmens erguidos com monólitos de arenito de dimensões assinaláveis, até um hipogeu escavado artificialmente na rocha, para enterramento colectivo.
Vários factores terão, decerto, contribuído para a eleição e perpetuação da ocupação humana nesta zona. A vasta gama de recursos de subsistência propiciou, entre outras actividades, a exploração piscatória e marisqueira da ria. A presença de diversos recursos hídricos (incluindo de água potável) apropriava-se na perfeição à prática da agro-pecuária baseada na exploração cerealífera e hortícula, com eventual recurso ao regadio. Além disso, a caça abundante e a existência de variadas matérias-primas essenciais à construção e fabrico de múltiplos artefactos, revelaram-se elementos fundamentais para a fixação de populações numa área tão circunscrita durante um tão longo espaço de tempo.
Entretanto, já se encontram concluídas as obras de instalação do centro interpretativo desta necrópole calcolítica, decorridas no âmbito da filosofia de intervenção nos monumentos arqueológicos visitáveis, tendente a criar infra-estruturas imprescindíveis ao melhoramento da interpretação dos sítios visitados, ao mesmo tempo que a regular e disciplinar os fluxos de visita, o que, neste caso, implicou a construção, de raiz, de uma "obra nova".
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/2016, DR, 1.ª série, n.º 48, de 9-03-2016 (sem restrições) (ver Decreto)
Ampliação da classificação aprovada no Conselho de Ministros de 11-02-2016
Procedimento (indevidamente) prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Edital de 23-11-2009 da CM de Portimão
Parecer favorável de 3-03-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 25-08-2008 da DRC do Algarve para a ampliação da classificação como MN
Edital de 17-10-2007 da CM de Portimão
Despacho de abertura de 8-04-1997 do vice-presidente do IPPAR (alargamento da classificação)
Proposta de abertura de 7-04-1997 da DR de Évora do IPPAR
Proposta de alargamento de 9-03-1989 dos SRAZS
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível