Nota Histórico-Artistica
Sítio
A Anta da Nave do Grou localiza-se na freguesia de São João Baptista, concelho de Castelo de Vide. Encontra-se a cerca de 500 metros a nordeste da povoação do Sobral, numa zona de vale, 4 km a sudoeste da sede de concelho.
Este monumento funerário megalítico é constituído por uma câmara poligonal formada originalmente por sete esteios de granito, preservados in situ. Estes exibem características singulares uma vez que se apresentam talhados em grandes blocos quadrangulares de granito cuja espessura atinge, por vezes, os mesmos valores que a largura. A laje de cobertura estava tombada para o exterior da construção, tendo sido recolocada em 1992 pela Secção de Arqueologia da Câmara Municipal de Castelo de Vide, sob orientação científica de Jorge de Oliveira, a quem se devem também diversos trabalhos sobre o Megalitismo desta região. A câmara sepulcral mede, no seu eixo maior, 2,5 metros e, no menor, 1,5 metros. Não é possível afirmar com segurança que dispunha de corredor de acesso, sem recurso a uma investigação mais profunda. Apenas se pode constatar a existência de dois ortóstatos, orientados a nascente, junto à entrada. Não foram identificados vestígios da mamoa.
História
A edificação da Anta da Nave do Grou remonta ao Neolítico Final, entre 3750 e 3125 a.n.e., atendendo à sua tipologia construtiva, embora o espólio recolhido indique, igualmente, uma persistência de utilização durante o Calcolítico.
São conhecidas referências documentais a monumentos megalíticos na bacia hidrográfica do Rio Sever desde 1489, constando nas Ordenanzas del Concejo de Valencia de Alcantara onde assumem a função de marcos territoriais. No entanto, torna-se quase impossível identificar as mencionadas.
A primeira menção publicada relativa à Anta em apreciação deve-se a Pereira da Costa no estudo Noções sobre o estado pré-histórico da terra e do homem seguidas da descripção de alguns dolmins ou antas de Portugal, de 1868. Em 1924 regista-se outra alusão na monografia Terras de Odiana da autoria de Possidónio Coelho. Mereceu, igualmente, a atenção de George e Vera Leisner, sendo referida na publicação de 1959, Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel: der Westen. Foram realizadas escavações arqueológicas, em 1982, pelo Grupo de Arqueologia de Castelo de Vide, cujo espólio recolhido foi recentemente estudado por Ana Paroleiro no âmbito da sua dissertação de mestrado, Estudo dos Recipientes Cerâmicos dos Monumentos Megalíticos do Concelho de Castelo de Vide, apresentada em 2016.
Ana Vale
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível