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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Gruta artificial da época calcolítica, aberta em argila compacta, existente no lugar de Ermejeira

Arqueologia / Gruta Artificial

Designação
Designação Atual
Gruta artificial da época calcolítica, aberta em argila compacta, existente no lugar de Ermejeira
Outras Designações
Gruta Artificial da Época Calcolítica em Ermigeira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Gruta Artificial
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O território correspondente ao actual concelho de Torres Vedras tem-se revelado particularmente abundante em vestígios arqueológicos denunciadores de uma ocupação humana na zona que remonta à mais alta antiguidade. Uma procura que terá sido, certamente, facilitada pela diversidade dos recursos cinegéticos essenciais à fixação de comunidades humanas ao longo dos tempos, numa evidência demonstrada pelo próprio número de arqueossítios identificados até ao momento, não sendo, por conseguinte, surpreendente que avultem sítios tumulares, nomeadamente dos atribuídos ao Calcolítico, revelando-se alguns exemplares fundamentais "[...] para o estudo da cultura do vaso campaniforme [...]." (FERREIRA, O. da V., 1970, p. 180) no actual território português.

Na verdade, "Desde os primórdios da actividade arqueológica em Portugal que a Estremadura foi uma área bastante investigada, tanto a partir da iniciativa de arqueólogos regionais como também através da acção das primeiras instituições interessadas na actividade arqueológica." (SOUSA, A. C., 1998, p. 43).

A estação arqueológica, conhecida por "Gruta artificial da época calcolítica em Ermigeira", foi descoberta já em finais dos anos trinta, num momento assaz propício ao desenvolvimento da investigação arqueológica entre nós, depois de um longo percurso rasgado pelos pioneiros da Geologia e da Pré-história portuguesa, ainda no século XIX, de algum modo culminado no reconhecimento académico da nova disciplina, a par de publicação de legislação específica sobre o valor arqueológico e a formação, no seio das pastas ministeriais directamente relacionadas com a instrução pública, de uma "Junta de Escavações e Antiguidades", poucos anos antes da identificação do sítio em epígrafe (Cf. MARTINS, A. C., 2005).

A importância da estação foi de imediato reconhecida pela comunidade arqueológica da época, suscitando a pronta intervenção de Manuel Heleno, na qualidade, tanto de director do "Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos", quanto de membro da mencionada "Junta" (vide supra), ao mesmo tempo que exercia funções de docente na Universidade de Lisboa, não estranhando, por isso, que os materiais recolhidos na altura fossem conduzidos ao espaço museológico que geria (Cf. HELENO, M., 1942). Uma situação que era, ademais, contemplada nos documentos legais entretanto publicados pelos sucessivos governos, desde o dealbar do regime republicano.

Estrutura funerária colectiva executada durante o Calcolítico definido para a região, esta gruta artificial (ou "hipogeu") foi rasgada em argila compacta, apresentando, contudo, "[...] uma morfologia arquitectónica semelhante a outras necrópoles desta época (com câmara, corredor [...]) como as antas e, mais tarde, os tholoi." (SOUSA, A. C., Idem, p. 140), embora sem o destaque na paisagem característico destes últimos tipos.

Neste caso particular, remanescem, contudo, apenas a câmara com abóbada e a parte lateral Norte, ainda que alguns indícios observados no terreno permitam especular sobre a eventual existência de um corredor primitivo, constituindo, no entanto, o único exemplo de uma gruta artificial (Id., Idem, p. 143) em toda a área da Península de Lisboa e Setúbal.

Do espólio recolhido durante as escavações, e para além de fragmentos de cerâmica campaniforme (JORGE, V. de O., 1990, p. 216), salienta-se, pela excelência e singularidade, um par de brincos ovalados executados em chapa de ouro (aluvial, local) espalmada, também ele presentemente exposto no Museu Nacional de Arqueologia.

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (ver Decreto)
Decreto n.º 30 838, DG, I Série, n.º 254, de 1-11-1940 (ver Decreto) (suspendeu o diploma anterior quanto aos imóveis que fossem propriedade particular, até que se cumprisse o disposto no art.º 25.º do Decreto n.º 20 985, DG, I Série, n.º 56, de 7-03-1932 (ver Decreto))
Decreto n.º 30 762, DG, I Série, n.º 225, de 26-09-1940 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Torres Vedras / Maxial e Monte Redondo
Estrada Torres Vedras - Cadaval
Quinta de Entrecampos - Ermigeira -
Polícia:
LATITUDE
39.13413
LONGITUDE
-9.189107
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1932
1932 (ver Decreto)) Decreto n.º 30 762, DG, I Série, n.º 225, de 26-09-1940 (ver Decreto) O território correspondente...
1940
1940 (ver Decreto) (suspendeu o diploma anterior quanto aos imóveis que fossem propriedade particular, até que se cum...
1942
1942).
1943
1943 (ver Decreto)Decreto n.º 30 838, DG, I Série, n.º 254, de 1-11-1940 (ver Decreto) (suspendeu o diploma anterior ...
1970
1970, p.
1990
1990, p.
1998
1998, p.
2005
2005).
0
IMAGENS
6
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios", Nova História de Portugal JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"A gruta da Cova da Moura (Torres Vedras)", Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal BELO, Aurélio Ricardo, FERREIRA, Octávio da Veiga, TRINDADE, Leonel Edição 1961 Lisboa
"Gruta artificial da Ermegeira", Ethnos HELENO, Manuel Edição 1942 Lisboa
"Grutas artificiais da Quinta das Lapas (Torres Vedras)", Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa FERREIRA, Octávio da Veiga Edição 1970 Lisboa
A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras. MARTINS, Ana Cristina Edição 2005 Lisboa
O Neolítico Final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros. Trabalhos de Arqueologia, vol. 11 SOUSA, Ana Catarina Edição 1998 Lisboa

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