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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Melgaço

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Melgaço
Outras Designações
Castelo de Melgaço e muralha / Castelo e cerca urbana de Melgaço (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A fortaleza medieval de Melgaço foi o principal ponto estratégico militar do Alto Minho no século XII. Ao contrário dos castelos roqueiros que ordenavam este território até ao início da nacionalidade, e diferente das posteriores póvoas ribeirinhas fortificadas de Caminha, Valença ou Monção, Melgaço foi concebido como uma estrutura capaz de proteger a primitiva povoação aqui existente (AGUIAR, 2001, p.84) e, mais importante, capaz de simbolizar a autoridade do nascente reino de Portugal face ao seu hostil vizinho galego, em terras acerrimamente disputadas por ambos os poderes. O foral de D. Afonso Henriques, de 1183, é o único que o nosso primeiro monarca passou a uma terra do Alto Minho e tem sido considerado justamente como um dos mais importantes instrumentos jurídicos no progressivo exercício do poder régio em matérias de "gestão local" (IDEM, p.85).
Dotado de foral, o aglomerado proto-urbano rapidamente se fortificou. Estamos muito mal informados acerca da marcha das obras, mas sabemos que um primeiro castelo estaria concluído pelos anos iniciais do século XIII, datando de 1205 (ALMEIDA, 1987, p.177) ou 1212 (ALVES, 1987, p.67) a mais antiga referência concreta. Nessa primeira obra militar, o concelho contou com o apoio da coroa, mas também com o de algumas poderosas instituições locais, como os Mosteiros de Longos Vales e de Fiães, comunidades a quem se ficou a dever a construção da torre do castelo (ainda em finais do século XII) e de parte da muralha.
A configuração geral da fortaleza confirma esta campanha românica, apesar das muitas transformações posteriores. Uma torre quadrangular, isolada no centro de um pátio rodeado de muralhas, é a característica mais marcante desse tempo, embora quer essa mesma torre, quer a cintura do muro tenham sido quase integralmente reconstruídas. Carlos Alberto Ferreira de Almeida, confrontado com a inexistência de testemunhos materiais coevos do reinado de D. Sancho I, sugeriu que aquele primeiro castelo não passasse de uma construção rudimentar, "de aspecto bastante elementar" e recorrendo sistematicamente a um "aparelho irregular", características que certamente determinaram a posterior reforma integral do conjunto (ALMEIDA, 1987, p.177).
Com efeito, a partir de meados do século XIII, e aproveitando a pacificação do reino após a guerra civil, o castelo de Melgaço foi objecto de uma grande campanha de obras que lhe conferiu o essencial do aspecto actual. À frente deste processo esteve o próprio D. Afonso III, que contou, uma vez mais, com o apoio do mosteiro de Fiães e com o do alcaide. Esta reforma não se limitou a actualizar o castelo em relação aos grandes avanços da arte da guerra; ela pretendeu, também, aumentar o espaço defendido, através da construção de uma cerca urbana ligada ao castelo. Em 1263, o troço ocidental do novo reduto deveria estar concluído, pois é desse ano uma epígrafe que identifica o promotor principal das obras, o alcaide Martinho Gonçalves, e o seu arquitecto, Mestre Fernando, um dos raros nomes ligados à nossa arquitectura militar medieval.
No geral, a reforma gótica do castelo manteve a estrutura românica de pátio interior com torre de menagem isolada. Esta, é de aspecto maciço, de três pisos, e resumindo-se os únicos elementos de iluminação a umas apertadas frestas. O coroamento é um remate em balcão com ameias, actualmente transformado em miradouro do pólo museológico aqui estabelecido. A muralha é defendida por três torres, sendo a principal, a que se vira para o núcleo urbano, de secção pentagonal, simbolizando, pela sua imponência, a reforma gótica da fortaleza.
Sem grandes alterações ao longo dos séculos, à excepção de uma barbacã diante da porta principal (datável dos finais da Idade Média), o castelo de Melgaço foi parcialmente restaurado na década de 60 do século XX, numa campanha que não desvirtuou excessivamente a estrutura daquela que é considerada, ainda hoje, a "sentinela do Portugal medieval" (ALMEIDA, 1987, p.176).
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 21-04-1949, publicada no DG, II Série, n.º 105, de 9-05-1949 (com ZNA)
Afectação 12737527
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Melgaço / Vila e Roussas
-- -
Melgaço -
Polícia:
LATITUDE
42.114424
LONGITUDE
-8.259854
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1183
1183, é o único que o nosso primeiro monarca passou a uma terra do Alto Minho e tem sido considerado justamente como ...
1205
1205 (ALMEIDA, 1987, p.177) ou 1212 (ALVES, 1987, p.67) a mais antiga referência concreta.
1212
1212 (ALVES, 1987, p.67) a mais antiga referência concreta.
1263
1263, o troço ocidental do novo reduto deveria estar concluído, pois é desse ano uma epígrafe que identifica o promot...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A fortaleza medieval de Melgaço foi o principal ponto estratégico mili...
1987
1987, p.177) ou 1212 (ALVES, 1987, p.67) a mais antiga referência concreta.
2001
2001, p.84) e, mais importante, capaz de simbolizar a autoridade do nascente reino de Portugal face ao seu hostil viz...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O sistema defensivo da Vila de Melgaço: dos castelos da reconquista ao sistema abaluartado ALMEIDA, Carlos Alberto Brochado de Edição 2002 Melgaço
Castelos do Distrito de Viana GUERRA, Luís Figueiredo da Edição 1926 Coimbra
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
Melgaço. Sentinela do Alto Minho ESTEVES, Augusto César Edição 1957 Melgaço
A fortaleza de Melgaço, pedras e património SILVA, Armando Malheiro da Edição 1987 Melgaço
Melgaço medieval PINTOR, Manuel Bernardo Edição 1975 Melgaço
Melgaço 2000. Roteiro VAZ, A. Luís, VAZ, Carlos Nuno Edição 2000 Braga
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
O Minho Pittoresco VIEIRA, José Augusto Edição 1887 Lisboa
"O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção", Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80 ALVES, Lourenço Edição 1987 Caminha
Melgaço de ontem e de hoje ROCHA, J. Marques Edição 1993 Braga
"Afonso Henriques e a fronteira noroeste: contornos de uma estratégia" (1996), A construção medieval do território, pp.75-86 ANDRADE, Amélia Aguiar Edição 2001 Lisboa
Os forais de Melgaço Edição 2003 Melgaço
O VI centenário da tomada do castelo de Melgaço: historial, textos e entrevistas das comemorações Edição 1991 Melgaço

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