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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Salvador de Ferreira

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Salvador de Ferreira
Outras Designações
Igreja de São Pedro de Ferreira / Mosteiro de São Pedro de Ferreira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
As origens do Mosteiro de São Pedro de Ferreira não estão, ainda, devidamente esclarecidas. Ao que tudo indica, o local possui uma longa história de ocupação, que remontará à época romana (REAL, 1986, p.247), mas, até agora, o conjunto não foi alvo de uma desejada intervenção arqueológica, que permita esclarecer esta e outras dúvidas. De acordo com Manuel Luís Real, que mais e melhor estudou este monumento, Ferreira aparece referida na documentação desde o século X, sendo muito provável que, logo no chamado repovoamento de Afonso III, se tivesse edificado um primeiro estabelecimento.
Os vestígios materiais mais antigos reportam-se aos finais do século XI, ou inícios do seguinte, e possuem outros paralelos no Douro Litoral (IDEM, p.250). Sabemos, assim, que antes do actual edifício, outro existiu, com características estilísticas comuns a diversas igrejas da região, em particular as primeiras fases de Paço de Sousa, Travanca ou Manhente. Desse núcleo fazem parte diversos fragmentos, como restos de frisos em bilhetes, aduelas de entrançados, capitéis, etc., que ajudam a compreender o âmbito artístico desta primeira obra românica.
A actual igreja não foi começada antes dos finais do século XII. Em 1281, o mosteiro passou para a posse dos Beneditinos, que empreenderam, então, a construção que ainda hoje vemos. Apesar da datação relativamente tardia, e das proporções da sua igreja (que temos de considerar modestas), o conjunto constitui um dos nossos mais interessantes monumentos românicos, em especial pelos referentes regionais artísticos que confluíram no seu estaleiro. A marcha das obras terá sido bastante rápida, não se identificando rupturas no processo construtivo, o que poderá indicar uma situação de desafogo económico pouco comum na época.
Tipologicamente, trata-se de um templo de nave única, segmentado em quatro tramos, com capela-mor mais baixa que o corpo, dotada de duplo tramo, sendo o último semicircular. No exterior, manifesta-se, já, algum requinte construtivo, como o recurso a contrafortes nos pontos de apoio dos tirantes do telhado da nave (situação que se justifica pela sua grande altura), a utilização de bandas lombardas a todo o redor ou a disposição do portal principal, em desenvolvido e saliente gablete. No interior, sobressai a solução dada à capela-mor, com dois andares de arcarias, que integram três janelas fenestradas (em posição harmónica) e as restantes cegas, precedendo uma abóbada de cinco faces.
Manuel Real identificou três correntes essenciais para o singular produto aqui conseguido. As duas primeiras são uma constante da nossa arte românica e representam os dois principais focos de influência artística então em voga: Braga e Coimbra. À tradição bracarense deve-se o antigo tímpano (que seria idêntico ao de Unhão), mas também numerosos capitéis (em particular os do portal Sul), as impostas vegetalistas com cabeças humanas nos ângulos, ou os frisos cordiformes da ábside e do portal ocidental. À tradição conimbricense, por outro lado, atribui-se os capitéis exteriores da ábside e as arcaturas geminadas do interior da capela-mor, cujos toros, em alguns casos, diédricos, fazem com que as dominantes do românico coimbrão tenha chegado a Ferreira passando pela Catedral do Porto, onde sabemos terem trabalhado homens formados nos grandes estaleiros da cidade do Mondego.
Mas a Ferreira chegou um terceiro foco de realização: Zamora. As extremas semelhanças do portal principal da nossa igreja para com o Portal del Obispo da catedral zamorana (obra depois repetida em outras obras daquela região espanhola) denunciam a actividade de um mestre formado em Castilla la Mancha, ao mesmo tempo que outros canteiros de formação portuguesa laboravam no conjunto.
Terminada a obra, Ferreira foi também o ponto de partida para outro núcleo estilístico, baptizado de "Românico nacionalizado" por Manuel Monteiro, que caracterizará toda a primeira metade do século XIII no interior da região do Porto.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 14 985, DG, I Série, n.º 28, de 3-02-1928 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9823125
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Paços de Ferreira / Ferreira
-- -
Ferreira -
Polícia:
LATITUDE
41.264841
LONGITUDE
-8.343455
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1281
1281, o mosteiro passou para a posse dos Beneditinos, que empreenderam, então, a construção que ainda hoje vemos. Ap
1928
1928 (ver Decreto) As origens do Mosteiro de São Pedro de Ferreira não estão, ainda, devidamente esclarecidas. Ao
1986
1986, p.247), mas, até agora, o conjunto não foi alvo de uma desejada intervenção arqueológica, que permita esclarece...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O Românico português na perspectiva das relações internacionais", Românico em Portugal e na Galiza, pp.30-48 REAL, Manuel Luís Edição 2001 Lisboa
"A Igreja de S. Pedro de Ferreira. Um invulgar exemplo de convergência estilística", Paços de Ferreira - Estudos Monográficos, vol. I, pp. 247-294 REAL, Manuel Luís Edição 1986 Paços de Ferreira
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Necrópoles e sepulturas medievais de Entre-Douro-e-Minho: séculos V a XV BARROCA, Mário Jorge Edição 1987 Porto
Românico do Vale do Sousa AA. VV. Edição 2008 Lousada
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
"O Românico em Portugal", História de Portugal, dir. José Hermano Saraiva, vol. 2, 1982, pp.305-321 VASCONCELOS, Flórido de Edição 1982 Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
São Pedro de Rates. Com uma introdução acerca da architectura romanica em Portugal MONTEIRO, Manuel Edição 1908 Porto
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
A arte romanica em Portugal VASCONCELOS, Joaquim de Edição 1918 Porto

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