Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Paço Episcopal, hoje Museu Francisco Tavares Proença Júnior localiza-se a Norte do núcleo mais antigo de Castelo Branco, nas proximidades do Convento de Nossa Senhora da Graça.
A fachada principal deste imóvel, que se implanta em terreno plano, surge virada a um grande pátio murado e gradeado. Do lado Sul encontra-se um dos mais originais jardins barrocos de Portugal cujo acesso se faz através de passadiço sobre a Rua Bartolomeu da Costa.
A entrada no pátio é feita por um portal de verga reta e moldura simples, ladeado por colunas dóricas e rematado por um frontão curvo interrompido, onde se inserem uma inscrição e as armas episcopais.
De planta retangular e coberturas de duas e quatro águas, o edifício apresenta dois pisos tendo, o superior, características de andar nobre pelo emprego de janelas de sacada rematadas por frontões contracurvados, em oposição às janelas simples e quadrangulares do piso térreo.
A fachada principal, voltada a Norte, corresponde ao corpo mais longo dividido em dois por elementos de cantaria, sendo os pisos igualmente separados por friso de cantaria. No pano do lado esquerdo implanta-se um corpo saliente composto por varanda alpendrada com acesso por escadaria.
A fachada, voltada ao jardim, ostenta ainda elementos do antigo edifício quinhentista, nomeadamente uma "loggia" envidraçada composta por três arcos plenos apoiados em quatro colunas toscanas.
O acesso ao interior do Paço faz-se através do corpo saliente que integra um vestíbulo de ligação a uma ampla sala e a dois compartimentos com cobertura em abobadilha.
No interior do Paço são visíveis compartimentos com lambris de azulejos e coberturas com tetos de masseira ou estuque ornamentado, para além da existência de uma antiga capela com teto em caixotões de talha dourada e pinturas do século XVIII representando as Litanias da Virgem e outras alegorias.
O jardim retangular surge articulado em três terraços ou "parterre" delimitados por balaustradas e gradeamentos que comunicam através de escadarias. As decorações deste jardim são diversas, demonstrando uma curiosa aliança entre os universos religioso e panteísta.
Nos muros delimitadores do jardim surgem painéis azuis e brancos de azulejo figurativo representando várias vistas de Castelo Branco. O terraço intermédio bordejado por buxos talhados, apresenta planta retangular e três eixos longitudinais possuindo, o do meio, um tanque central e, os laterais, tanques nos ângulos. Estes tanques, por sua vez, possuem repuxos e, todo o recinto, encontra-se povoado por estatuária de vulto em granito, destacando-se as alegóricas e as dos reis portugueses.
Para além da zona do designado "Jardim Alagado" formado por um tanque de planta quadrilátera irregular, existe ainda um terraço superior sobranceiro a todas as áreas. Do antigo bosque restam, apenas, algumas árvores.
História
O Paço, que se implantou numa área agrícola, foi fundado nos finais do século XVI por iniciativa de D. Nuno de Noronha, bispo da Guarda, sendo possível que o projeto fosse de Pêro Sanches.
Na inscrição existente na verga do portal de entrada no pátio fronteiro refere-se maio de 1596 como a data de início da construção, tendo esta sido concluída dois anos mais tarde.
Entre 1715 e 1725, por iniciativa do Bispo D. João de Mendonça, procede-se à reedificação do Paço e à execução dos jardins segundo desenho de Valentim da Costa Castelo Branco.
Após 1782, com a tomada de posse de D. Frei Vicente Ferrer da Rocha, são realizadas diversas obras no Paço, nos jardins e no bosque que contaram com a colaboração do arquiteto e frade dominicano Daniel da Sagrada Família, tendo sido introduzidos elementos como a escadaria, porta nobre, varanda, colunata e salão de entrada. Igualmente nesta época foi dado grande incremento à aquisição das peças ornamentais que hoje povoam o Paço e os jardins.
Maria Ramalho
DGPC, 2016.
Diploma de Classificação
Decreto n.º 15/2018, DR, 1.ª série, n.º 96, de 18-05-2018 (ampliou a classificação, a qual passou a abranger o Jardim Episcopal e o passadiço) (ver Decreto)
Classificação aprovada no Conselho de Ministros de 3-05-2018
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 9-01-2018 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 176/2017, DR, 2.ª série, n.º 195, de 10-10-2017 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 11-05-2017 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 3-05-2015 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 13-10-2014 da DRC do Centro para a ampliação da classificação, como MN, de forma a incluir o Jardim Episcopal e o passadiço
Anúncio n.º 334/2013, DR, 2.ª série, n.º 209, de 29-10-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 24-07-2013 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 26-06-2013 da DRC do Centro para a abertura de novo procedimento de ampliação da classificação, de forma a incluir o Jardim Episcopal e o passadiço
Anúncio n.º 200/2013, DR, 2.ª série, n.º 108, de 5-06-2013 (ver Anúncio)
Despacho de 14-05-2013 da diretora-geral da DGPC a determinar o arquivamento do procedimento de ampliação da classificação
Parecer de 23-04-2013 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor que não se amplie a classificação inicial
Proposta de 22-04-2013 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a exclusão da ampliação da classificação das zonas intervencionadas, nomeadamente do interior da horta e do Bosque dos Loureiros
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13593/2012, DR, 2.ª série, n.º 202, de 18-10-2012 (ver Anúncio)
Parecer de 11-01-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a ampliação da classificação, com a categoria de monumento e a designação de MN
Proposta de 16-12-2011 da DRC do Centro para a ampliação da classificação
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 1-06-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de 18-04-2005 da DR de Castelo Branco do IPPAR para a abertura do processo de ampliação da classificação, de forma a abranger os jardins, bem como a horta e o Bosque dos Loureiros, actual Parque da Cidade
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Paço Episcopal) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível