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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Martinho de Cedofeita

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Martinho de Cedofeita
Outras Designações
Igreja Paroquial da Cedofeita / Igreja de São Martinho (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Pelo menos dois templos antecederam a actual construção românica da Igreja de São Martinho de Cedofeita. Uma inscrição colocada no tímpano do portal principal em 1767, que verosimilmente copia uma anterior, menciona um primitivo templo neste local, datável do período da dinastia sueva, em pleno século VI. Este facto fomentou a crença em muitos autores num passado mais recuado do que realmente se pode provar para o local onde o Românico ergueu a sua igreja.
Os vestígios mais recuados actualmente conservados datam de finais do século IX ou inícios do seguinte. Na sequência da presúria do Porto por Vímara Peres, em 868, aqui se (re)construiu um templo, de que restam os dois capitéis do arco triunfal, reaproveitados posteriormente na obra românica. Estes capitéis constituem um dos indicadores mais importantes da dinâmica construtiva que acompanhou a primeira reconquista dos territórios ao longo do Douro e estilisticamente relacionam-se com obras tardo-asturianas, como as igrejas de S. Salvador de Valdediós e Priesca, ambas já de inícios do século X (REAL, 1984, p.31). Uma das características mais importantes destas peças é o material em que foram realizadas, um calcário brando, ao que tudo indica da região de Coimbra, facto que contrasta com o uso generalizado do granito na obra posterior.
Mas antes de se proceder à construção românica que hoje subsiste existiu uma campanha do século XI, com certeza patrocinada pelo Bispo de Braga, D. Pedro, que chegou mesmo a sagrar o templo em 1087 (REAL, 1984, p.31). Desta segunda obra restam as partes baixas da capela-mor, com as suas arcarias cegas assentes em bases muito arcaicas.
A fase plenamente românica de São Martinho de Cedofeita aconteceu já em época bastante tardia, na viragem para o século XIII. Um documento do reinado de D. Afonso II menciona a reconstrução do edifício ao tempo de D. Afonso Henriques, mas até ao momento não foi possível confirmar arqueologicamente esta indicação.
O projecto que hoje se pode observar concebeu uma igreja de nave única, composta por dois corpos justapostos (a capela-mor e a nave) - facto que foi já interpretado como um indicador mais de persistência pré-românica (GRAF, 1986, vol.1, p.331) - totalmente abobadada, característica que não se repetirá em nenhuma outra igreja românica de nave única que tenha chegado até aos nossos dias (ALMEIDA, 2001, p.116). O plano englobava ainda uma fachada principal harmónica, com um corpo central composto por portal e janela ladeado por duas torres, uma das quais (a do lado Norte) ter-se-á mesmo chegado a construir, como se depreende de um desenho do imóvel de 1906 (GRAF, 1986, vol.1, p.331).
Mas a importância deste templo para a História da Arte românica nacional deve-se ao facto de a sua decoração aplicada corresponder a um fenómeno de dispersão das oficinas de Coimbra, após a realização dos principais templos românicos daquela cidade (a Sé-Velha e a Igreja de Santiago). Com efeito, a temática que decora a esmagadora maioria dos capitéis da igreja revela a transposição de modelos coimbrãos, com aves debicantes, leões afrontados, etc. (REAL, 1986, vol.1, p.60). Particularmente importante a este nível é o tímpano do portal Norte, decorado com um Agnus Dei (cordeiro místico que simboliza Cristo no Apocalipse), cujo tratamento anatómico, composição e envolvimento numa laçaria espiralada vegetal é praticamente idêntico a uma peça conservada no Museu N. Machado de Castro, em Coimbra (REAL, 1974, p.165).
A Igreja de Cedofeita é um dos primeiros monumentos do Norte a repetir o formulário escultórico e iconográfico coimbrão. Muito provavelmente, foi uma obra a par do projecto românico tardio da Sé do Porto, onde terá trabalhado Soeiro Anes, um nome ligado à Sé Velha de Coimbra (REAL, 2001, p.40). Assim se explicaria a ligação evidente ao Românico da cidade do Mondego.E assim se explicaria o estatuto de Cedofeita como uma das construções de referência para o chamado Românico tardio do Douro Litoral.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 2-11-1971, publicada no DG, II Série, n.º 263, de 9-11-1971 (com ZNA)
Afectação 9823125
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
Largo do Priorado
Porto -
Polícia:
LATITUDE
41.155765
LONGITUDE
-8.621683
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1087
1087 (REAL, 1984, p.31).
1767
1767, que verosimilmente copia uma anterior, menciona um primitivo templo neste local, datável do período da dinastia...
1906
1906 (GRAF, 1986, vol.1, p.331).Mas a importância deste templo para a História da Arte românica nacional deve-se ao f...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Pelo menos dois templos antecederam a actual construção românica da Ig...
1974
1974, p.165).A Igreja de Cedofeita é um dos primeiros monumentos do Norte a repetir o formulário escultórico e iconog...
1984
1984, p.31).
1986
1986, vol.1, p.331) - totalmente abobadada, característica que não se repetirá em nenhuma outra igreja românica de na...
2001
2001, p.116).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arte românica de Coimbra (novos dados - novas hipóteses) REAL, Manuel Luís Obra
"Influências da Galiza na arte românica portuguesa", Actas das II Jornadas luso-espanholas de História Medieval, vol. IV, pp.1483-1526 REAL, Manuel Luís, ALMEIDA, Maria José Perez Homem de Edição 1990 Porto
"O Românico português na perspectiva das relações internacionais", Românico em Portugal e na Galiza, pp.30-48 REAL, Manuel Luís Edição 2001 Lisboa
"Inéditos de arqueologia medieval portuense", Arqueologia, nº10, pp.30-43 REAL, Manuel Luís Edição 1984
"La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal", Portugal roman, vol. I, pp.33-75 REAL, Manuel Luís Edição 1986
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
Guia histórico e artistico do Porto PASSOS, Carlos de Edição 1935
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho Edição 1995 Lisboa
"A escultura antiga no Porto. III - Cedofeita", O Tripeiro, 6ª série, 1 (10), pp.307-312 MENESES, Mário de Edição 1961
Igrejas medievais do Porto MONTEIRO, Manuel Edição 1954 Porto
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"A colegiada de São Martinho de Cedofeita do Porto", Penafiel - Boletim Municipal de Cultura, 3ª série, nº2-3, pp.33-52 ROSAS, Lúcia Maria Cardoso Edição 1988 Penafiel

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