Constituída como paróquia em 1457, a povoação de Azurara existia já desde o reinado de D. Afonso III, integrando então a freguesia de Pindelo. Depois da desanexação da paróquia de São Salvador de Canidelo, a Capela de Nossa Senhora da Apresentação passou a acolher as cerimónias religiosas da nova freguesia.
No entanto este templo cedo se mostrou insuficiente para albergar toda a população local, pelo que em 1502 o povo de Azurara, aproveitando a passagem de D. Manuel por aquelas terras quando este se dirigia a Compostela, pediu ao rei permissão para edificar uma nova igreja paroquial.
A construção da nova matriz, dedicada a Santa Maria a Nova, ter-se-á iniciado nesse mesmo ano, tendo sido provavelmente terminada em 1522, data de conclusão do espaço da capela-mor (MIRANDA, Marta, 1998, p. 80). O edifício resultante assemelha-se muito à matriz de Vila do Conde, edificada na mesma época, embora esta apresente uma estrutura mais imponente.
O conjunto evidencia-se por algum ecletismo, derivado certamente da longa campanha de obras de que resultou a sua edificação. A estrutura manuelina, de grande sobriedade, é decorada com um portal principal decorado com motivos de grotesco , cujo conjunto é rematado por um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, vinda da primitiva capela de Azurara com a mesma designação. Este conjunto de linguagem ao romano derivou certamente dos modelos traçados na Matriz de Caminha, e que a partir das primeiras décadas do século XVI se alastraram a todo o Noroeste português.
Do lado esquerdo da fachada foi construída no final do século XVII a torre sineira, com balcão no segundo registo e oito aberturas sineiras no topo, cujo modelo é decalcado da torre da matriz de Vila do Conde, edificada pelo mestre João Lopes o Moço durante a década de 80 do século XVI. A estrutura exterior das naves é rematada superiormente por uma linha de ameias, e a cabeceira encontra-se flanqueada por quatro contrafortes.
O interior é composto por três naves de cinco tramos marcados por arcos de volta perfeita assentes em pilares lavrados com motivos vegetalistas. A capela-mor, de planta quadrada, é coberta por uma abóbada de nervuras de gosto manuelino, concluída em 1522 pelo mestre Gonçalo Lopes, conforme nos indica a inscrição feita junto à mesma.
No programa decorativo interior destacam-se ainda o revestimento azulejar da cabeceira, datado do século XVIII e proveniente da oficina de António Rifarto (Idem, ibidem) e as pinturas retabulares. Os altares das naves laterais apresentam pinturas quinhentistas, salientando-se os painéis maneiristas do retábulo de Nossa Senhora do Rosário, pintados cerca de 1574 por Francisco Correia. O actual retábulo da capela-mor foi executado em 1720 pelo entalhador Francisco Machado.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional
ZEP
n/a
Afectação
9823125
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Vila do Conde / Azurara
Rua Padre Serafim das Neves
Azurara -
Polícia:
Rua Nossa Senhora de Fátima
Azurara -
Polícia:
LATITUDE
41.344845
LONGITUDE
-8.735738
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1457
1457, a povoação de Azurara existia já desde o reinado de D. Af
1502
1502 o povo de Azurara, aproveitando a passagem de D.
1522
1522, data de conclusão do espaço da capela-mor (MIRANDA, Marta, 1998, p. 8
1574
1574 por Francisco Correia.
1720
1720 pelo entalhador Francisco Machado.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Constituída como paróquia em 1457, a povoação de Azurara existia já de...
1998
1998, p.
2005
2005
2
IMAGENS
7
BIBLIOGRAFIAS
Acesso Móvel
Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta
ficha no
imediato.
Partilhar Património
Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I
DIAS, Pedro
Edição
2002
Lisboa
A arquitectura manuelina
DIAS, Pedro
Edição
2009
Vila Nova de Gaia
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I
GIL, Júlio
Edição
1988
Lisboa
Vila do Conde e o seu Alfoz - Origens e Monumentos
FERREIRA, Augusto
Edição
1923
Porto
Vila do Conde
NEVES, Joaquim Pacheco
Edição
1991
Vila do Conde
Breve notícia histórica e etnográfica de Azurara - (Santa Maria) Vila do Conde