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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castro de Vila Nova de São Pedro

Arqueologia / Castro

Designação
Designação Atual
Castro de Vila Nova de São Pedro
Outras Designações
Povoado fortificado de Vila Nova de São Pedro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castro
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Inserido no movimento geral de proliferação de povoados fortificados de altura durante o Calcolítico Inicial, ou seja, entre 2700 / 2 500 e cerca de 2 300 a. C., e característicos da Estremadura portuguesa, é provável que tenha ocorrido uma ligação directa entre o crescimento e acumulação de excedentes da produtividade agrícola - à qual passaram a dedicar-se preferencialmente os seus ocupantes - e a necessidade de se erguer todo um complexo sistema defensivo.

Com efeito, o espólio imóvel exumado durante as diversas campanhas de escavação confirma o enraizamento desta actividade económica. Dele, salientamos a presença de moinhos manuais, machados, enxós, goivas e lâminas de sílex, para além das representativas amostras de trigo, cevada e leguminosas, sendo certo que o linho também era cultivado,. Facto este, que, por si só, atestará bem o desenvolvimento de uma outra actividade directamente relacionada com a prática agrícola - além de corroborar o elevado grau de sedentarismo destas populações -, ou seja, a têxtil, ademais confirmada pela descoberta de vários «pesos de tear» em cerâmica no interior do próprio povoado, como seria, aliás, de esperar.

A par da agricultura, a pastorícia ocupava um lugar central na vida quotidiana destes povoados fortificados, embora ainda perdurasem algumas das antigas práticas neolíticas, como a caça, a pesca e a recolecção.

Entre os inúmeros exemplares cerâmicos encontrados, não podemos deixar de mencionar o facto de serem os esféricos altos de bordo espessado e as taças em calote, além dos pratos (embora em menor percentagem) a apresentarem maior expressividade no seio das comuns. Ainda em relação a estes recipientes, verifica-se que cerca de 20% apresenta a superfície decorada com «caneluras» perfazendo linhas paralelas na zona do bordo seguidas de linhas oblíquas formando triângulos, losangos ou linhas quebradas verticais. Do grupo das peças cerâmicas há que destacar ainda o surgimento do denominado «copo», em cujas superfícies se aplicou uma aguada acastanhada, sendo decoradas com sulcos perfazendo diversas figuras geométricas.

Apesar de não ter sido totalmente desconhecida, os vestígios da metalurgia do cobre são bastante diminutos, embora tenham sido descobertas provas da sua actividade, como cadinhos e pingos de fundição. Além disso, foi também levantado um conjunto de artefactos, do qual fazem parte machados planos, punções, cinzéis, facas e serras. No entanto, parece ainda prevalecer toda uma tradição neolítica, patenteada, não apenas ao nível dos materais líticos, como nos casos das pontas de seta, de base côncava, com aletas e retocadas, bem como das lâminas ovóides ou subtrapezoidais retocadas, todas elas executadas em sílex. Para além destes, a presença de artefactos realizados em osso é de igual modo bastante expressiva. São disso exemplo os furadores, os cinzéis, os cabos de uttensílios e dos pequenos recipientes, lisos ou decorados, cuja utilização ainda não foi por completo apreendida.

A estrutura defensiva deste povoado, descoberto por Hipólito Raposo, que, juntamente a Eugène Jalhay, iniciou, em 1936, uma longa série de campanhas arqueológicas no sítio, sofreu, como é natrural, alterações ao longo da sua utilização. Foi já em pleno Calcolítico Pleno (entre c. de 2 300 e c. de 2 000 a. C.), que se assistiu ao reforço de todos os seus sistemas, derivação provável da própria estratégia de implantação do Castro, o qual, como a maioria dos edificados nesta altura, se encontrava próximo de abundantes recursos agrícolas e inserido naquilo que poderemos designar de eixos de intercâmbio de produtos necessários a actividades secundárias, como seria a própria metalurgia e a execução de objectos em materiais mais raros (casos do osso).

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 516/71, DG, I Série, n.º 274, de 22-11-1971 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 9-01-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 12-09-1979 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor que a AAP elaborasse uma planta do castro
Proposta de classificação de 10-06-1969 da delegada da 2.ª Secção da JNE no concelho do Cartaxo
Proposta de classificação de 28-08-1951 da DGFP
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913730
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Azambuja / Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa
Sítio do Castelo, a cerca de 1 km de Vila Nova de São Pedro
- -
Polícia:
LATITUDE
39.219773
LONGITUDE
-8.84031
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1936
1936, uma longa série de campanhas arqueológicas no sítio, sofreu, como é natrural, alterações ao longo da sua utiliz...
1951
1951 da DGFP Inserido no movimento geral de proliferação de povoados fortificados de altura durante o Calcolítico Ini...
1969
1969 da delegada da 2.ª Secção da JNE no concelho do Cartaxo Proposta de classificação de 28-08-1951 da DGFP Inserido...
1970
1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Parecer de 12-09-1979 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE ...
1971
1971 (ver Decreto) Despacho de homologação de 9-01-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Parecer d...
1979
1979 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor que a AAP elaborasse uma planta do castro Proposta de classificaç...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O colar de conchas de "glycimeris" da Lapa do Suão (Bombarral)", Revista de Guimarães MONTEIRO, Jorge de Almeida, FERREIRA, Octávio da Veiga Edição 1968 Guimarães
"O povoado fortificado Neo e Eneolítico do Penedo de Lexim (Mafra). Campanha preliminar de escavações - 1970", O Arqueólogo Português JORGE, Vítor de Oliveira, OLIVEIRA, Vasco Salgado de, ARNAUD, José Eduardo Morais Edição 1971 Lisboa
"Escavações na fortificação da idade do cobre do Zambujal/Portugal 1970", O Arqueólogo Português SANGMEISTER, Edward, SCHUBART, Hermanfrid, TRINDADE, Leonel Edição 1971 Lisboa
"Marcas de oleiro em território português", O Arqueólogo Português FERREIRA, Seomara da Veiga Edição 1969 Lisboa
"A fortificação pré-histórica de Vila Nova de S. Pedro (Azambuja) - balanço de meio século de investigação - 2ª parte", Revista de Arqueologia da Assembleia Distrital de Lisboa ARNAUD, José Eduardo Morais, GONÇALVES, João Ludgero Marques Edição 1995 Lisboa
"Um esconderijo de fundidor encontrado no castro de S. Bernardo (Moura)", O Arqueólogo Português FERREIRA, Octávio da Veiga Edição 1971 Lisboa
"Páleo e mesolítico português", Anais da Academia Portuguesa da História PAÇO, Manuel Afonso do, JALHAY, Eugene Edição 1941 Lisboa
"O Castro da Pedra do Ouro (Alenquer)", O Arqueólogo Português BARBOSA, Ernâni Edição 1956 Lisboa
"Desestruturação e complexização: aspectos e problemas da 1ª Idade do Bronze na «Península de Lisboa»", Turres Veteras IV - Actas de Pré-história e História Antiga SENNA-MARTINEZ, João Carlos de Edição 2002 Torres Vedras
"A section through the innermost rampart at the chalcolithic castro of Vila Nova de S. Pedro", Actas das 1ªs Jornadas Arqueológicas SAVORY, H. N. Edição 1970 Lisboa
"O "fenómeno" Campaniforme na Estremadura Portuguesa", Actas do 3º Congresso de Arqueologia Peninsular. Pré-História recente da Península Ibérica CARDOSO, João Edição 2000 Porto
"300 Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal", Al-madan RAPOSO, Jorge Edição 2001 Almada
"Três tipos de machados de bronze do Norte de Portugal e suas prováveis origens", Revista de Guimarães HARBINSON, Peter Edição 1968 Guimarães
"Os copos no povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedro", Revista Portuguesa de Arqueologia FERREIRA, Sónia Duarte Edição 2003 Lisboa

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