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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Castro de Avelãs

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Castro de Avelãs
Outras Designações
Igreja Paroquial de Castro de Avelãs / Igreja de São Bento (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Castro de Avelãs é um dos monumentos mais simbólicos do Nordeste transmontano, ilustrando simultaneamente a arte românica e a vida monacal da região. Em crescendo de importância ao longo de toda a Baixa Idade Média (a partir de uma primeira protecção de D. Afonso Henriques), o mosteiro beneditino, dispondo de um imenso património (OLIVEIRA, 1991), chegou a exercer uma "influência despótica na região de Bragança" (GRAF, vol. 2, 1986, p.31), razão da sua decadência forçada no século XVI. Em 1545, uma bula papal ordenou a extinção da comunidade e a passagem dos seus bens para a futura diocese de Bragança/Miranda. Na sequência deste facto, a população destruiu grande parte da igreja, perdendo-se então, irremediavelmente, o corpo original do templo.
Do projecto românico primitivo, subsiste a cabeceira, tripartida e escalonada quer em altura, quer em dimensão. De planta semi-circular de dois tramos, a capela-mor e os absidíolos são uma obra única na nossa arte românica. Ao contrário do que foi comum no Portugal medieval, o material empregue foi o tijolo, matéria de muito menor custo que a pedra. Os muros exteriores são decorados com grandes arcaturas cegas, de arco duplo a pleno centro, que ritmam horizontalmente a totalidade dos alçados. A decoração empregue é estritamente geométrica, com molduras salientes e frisos em dentes de serra.
Todas estas características são o resultado de um grupo estilístico românico muito importante em terras leonesas, a que se vem chamando de "Românico Mudejar", precisamente pelas reminiscências islâmicas ao nível da decoração geométrica e do emprego do tijolo como matéria-prima. Manuel Monteiro chamou a atenção para as enormes semelhanças entre a igreja transmontana e o templo de San Tirso de Sahagún (um dos mais emblemáticos mosteiros peninsulares nos séculos XII e XIII), concluindo que este havia sido executado, em tijolo, por albanilles recrutados em Toledo (MONTEIRO, 1950). Carlos Alberto Ferreira de Almeida aprofundou as analogias de Castro de Avelãs a toda a meseta leonesa, de Toro a Valladolid e a Salamanca (ALMEIDA, 1972, p.38; 1986, p.104; 2000, p.126), integrando-a numa corrente estilística mais vasta que percorre todo o românico leonês dos séculos XII a XIV.
Mas se, de um ponto de vista estilístico, não restam dúvidas sobre as influências mudejares e leonesas, a cronologia da obra permanece como uma das principais dúvidas, à semelhança de quase todo o nosso Românico. Com efeito, a datação para a cabeceira tem vindo a ser sucessivamente avançada, sem grandes certezas. Se, numa primeira fase da investigação, os finais do século XII apareciam como uma data consensual (MONTEIRO, 1950), na sequência dos apoios do nosso primeiro monarca, as sucessivas abordagens de Ferreira de Almeida situaram a obra no segundo quartel do século seguinte (ALMEIDA, 1986, p.104). A inexistência de paralelos no nosso país tem dificultado uma melhor conclusão e aguarda-se, ainda, um rigoroso estudo ao conjunto remanescente, que inclua uma intervenção arqueológica, uma vez que foram identificados, no local, vestígios de um primitivo estabelecimento de época romana.
Certo é que, aquando da sua construção, a igreja detinha grande monumentalidade, pois previa um plano de três naves (de que ainda resta o arranque de uma nave lateral) e uma fachada harmónica com duas torres ladeando um corpo central. Ao que tudo indica, este projecto não foi concluído, provavelmente por ser demasiado ambicioso face às efectivas condições da comunidade. Em todo o caso, a sua importância foi efectiva o suficiente para inspirar a construção do convento mendicante de São Francisco de Bragança, cuja cabeceira primitiva segue fielmente o mesmo modelo.
No interior, no absidíolo direito, existe o túmulo de D. Nuno Martins de Chacim, mandado executar cerca de 1262 e decorado unicamente com motivos heráldicos e um epitáfio inacabado (BARROCA, 1996).
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Lugar da Igreja
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Parecer favorável de 28/10/2009 do Conselho Consultivo
Proposta de 17/09/2005 da DRP
Afectação 9823125
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Bragança / Bragança / Castro de Avelãs
Lugar da Igreja
Castro de Avelãs -
Polícia:
LATITUDE
41.798958
LONGITUDE
-6.804546
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1262
1262 e decorado unicamente com motivos heráldicos e um epitáfio inacabado (BARROCA, 1996).PAF
1545
1545, uma bula papal ordenou a extinção da comunidade e a passagem dos seus bens para a futura diocese de Bragança/Mi...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Castro de Avelãs é um dos monumentos mais simbólicos do Nordeste trans...
1950
1950).
1972
1972, p.38; 1986, p.104; 2000, p.126), integrando-a numa corrente estilística mais vasta que percorre todo o românico...
1986
1986, p.31), razão da sua decadência forçada no século XVI. Em
1991
1991), chegou a exercer uma "influência despótica na região de Bragança" (GRAF, vol. 2,
1996
1996).PAF
2000
2000, p.126), integrando-a numa corrente estilística mais vasta que percorre todo o românico leonês dos séculos XII a...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O Mosteiro beneditino de S. Salvador de Castro de Avelãs no povoamento da região bragançana", Brigantia, vol. XI, nº1/2, pp.33-46 OLIVEIRA, José Carlos Edição 1991 Bragança
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed. ALVES, Francisco Manuel Edição 2000 Bragança
"Castro de Avellãs mosteiro benedictino", O Instituto, nº56 ALVES, Francisco Manuel Edição 1909 Coimbra
"Arquitectura mudéjar portuguesa: tentativa de sistematização", Mare Liberum, nº8, pp.49-89 DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
"O túmulo de D. Nuno Martins de Chacim, no Mosteiro de Castro de Avelãs", Revista da Faculdade de Letras. História, II série, vol. 13, pp. 594 - 614 BARROCA, Mário Jorge Edição 1996 Porto
O tombo do Mosteiro de S. Salvador de Castro de Avelãs de 1501-1514 AFONSO, Ana Maria Edição 2000 Braga
Castro de Avelãs e alguns monumentos similares MACHADO, Maria da Graça Domingues Edição 1974 Porto
"O Românico em Portugal", História de Portugal, dir. José Hermano Saraiva, vol. 2, 1982, pp.305-321 VASCONCELOS, Flórido de Edição 1982 Lisboa
"A igreja românica de Castro de Avelãs", Douro Litoral, 8 Série, 1958 PASSOS, Carlos de Edição 1958 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
A ábside de Castro Avelãs VITORINO, Pedro Edição 1928 Porto
"O românico português Castro de Avelãs", Museu, nº6 MONTEIRO, Manuel Edição 1951 Porto
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Às ruínas de Castro de Avelãs", Guia de Portugal, vol. V, 3ª edição, 1995, pp.954-956 DIONÍSIO, Sant'Ana Edição 1995 Lisboa

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