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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Túmulo de D. Rodrigo Sanches (Grijó)

Arquitectura Religiosa / Túmulo

Designação
Designação Atual
Túmulo de D. Rodrigo Sanches (Grijó)
Outras Designações
Túmulo de D. Rodrigo Sanches, no claustro do Mosteiro de Grijó / Mosteiro de Grijó e Túmulo de D. Rodrigo Sanches / Mosteiro de São Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Túmulo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O túmulo de D. Rodrigo Sanches é, talvez, o mais antigo exemplar dos monumentos funerários portugueses a possuir estátua jacente, se exceptuarmos o túmulo dito de D. Urraca, presente na Igreja do Mosteiro de Alcobaça, sobre o qual existem dúvidas de identificação e cronologia.
O bastardo régio, filho de D. Sancho I, morto em combate nas Lides de Gaia (1245), às mãos de Martim Gil de Soverosa, só veio a receber tumulação monumental alguns anos mais tarde, por vontade de sua imã, D. Constança Sanches. Sendo esta filha de D. Sancho I uma monja do Convento das Donas de Coimbra, e sendo o túmulo do cavaleiro esculpido em calcário brando das pedreiras de Coimbra, os diferentes autores que escreveram sobre esta obra, tendem a ver o sarcófago de Rodrigo Sanches como uma realização das chamadas oficinas de Coimbra que, a partir do século XIII, deixam mostras da sua qualidade em túmulos como os dos bispos D. Egas Fafes e D. Tíburcio (Sé Velha de Coimbra).

Na actualidade, devido à inserção do túmulo em arcossólio numa das paredes do claustro do mosteiro, situação que ocorreu no século XVII, apenas é visível uma das faces da arca e a tampa, com a sua estátua jacente e outras figuras que a acompanham.
O tratamento plástico das composições figurativas e arquitectónica é essencialmente de perfil românico. A estátua jacente, que preenche a tampa sepulcral, é pouco volumosa e tratada nos recortes anatómicos de forma estilizada e idealizada. A cabeça assenta sobre duas almofadas sem decoração e o rosto mostra o cabelo escorrido com as madeixas desenhadas por finas estrias, os olhos ovais e desproporcionados em grandeza em relação ao tamanho do rosto, bem como as orelhas salientes, idênticas às que o escultor lavrou nas figuras da arca. O bastardo veste longa túnica atada na cintura, sobre a qual foi esculpido o manto. Com as duas mãos, segura o pomo da espada que se estende sobre o corpo e na qual se enrola o cinto. A ladear a cabeça da estátua jacente, de ambos os lados, dois anjos (ou querubins), auxiliam ao trânsito da alma: um em oração e outro transportando, numa toalha, a alma do defunto sob a forma de uma criança desnuda. Esta característica é um exemplar inicial de uma "iconografia do trânsito" que haveria de se tornar frequente durante os séc. XIII e XIV. Aos pés, pese o mau estado de conservação, pode ver-se um grupo de querubins.
Na face visível da arca, representa-se a figura de Cristo, ao centro, sentado e segurando o Livro dos Evangelhos, secundado pelos elementos do Tetramorfo. A sua figura é majestática e rígida, seguindo modelos românicos. A ladeá-lo, dispõem-se, sobre arcaria de volta perfeita assente m capitéis zoomórficos e vegetalistas, as figuras dos apóstolos, apresentando algum movimento que lhes é conferido pelas indumentárias e posição das cabeças. Uma destas figuras está coroada e a sua identificação não é definitiva.
Note-se, como "marca de autor", as grande e salientes orelhas das diferentes figuras, sinal claro da oficina que aqui trabalhou.

Carla Varela Fernandes
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12737527
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Localização
Porto / Vila Nova de Gaia / Grijó e Sermonde
-- Mosteiro de Grijó
Grijó -
Polícia:
LATITUDE
41.028698
LONGITUDE
-8.579584
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1245
1245), às mãos de Martim Gil de Soverosa, só veio a receber tumulação monumental alguns anos mais tarde, por vontade ...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) O túmulo de D. R
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"A escultura gótica. Primeiras manifestações em Portugal", História da Arte em Portugal, vol. IV DIAS, Pedro Edição 1986 Lisboa
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
Obras - Estudos de História da Arte, vol. III (Pintura e Escultura) CORREIA, Vergílio Edição 1956 Coimbra
A escultura em Portugal (séculos XII-XV) SANTOS, Reinaldo dos Edição 1948 Lisboa
"O descanso eterno. A tumulária", História da Arte Portuguesa, vol.1, pp.435-455 MACEDO, Francisco Pato de Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto

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